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Quem é Cida Borghetti, a sucessora de Richa no governo do Paraná

Agora ocupante do posto político mais importante do estado, ela moverá mundos e fundos para tentar se reeleger e permanecer à frente do Palácio Iguaçu por mais quatro anos

  • Euclides Lucas Garcia, com informações de Rafael Moro Martins
Cida Borghetti (PP) | Daniel Caron/Gazeta do Povo
Cida Borghetti (PP) Daniel Caron/Gazeta do Povo
 
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Desde as 11 horas de sexta-feira (6), o Paraná é governado por uma mulher pela primeira vez na história de forma definitiva. Cida Borghetti (PP), de 53 anos, assumiu o posto no lugar de Beto Richa (PSDB), que renunciou ao mandato para ser candidato ao Senado. Daqui até outubro, ela moverá mundos e fundos para tentar se reeleger e permanecer à frente do Palácio Iguaçu por mais quatro anos. Para isso, terá como mentor e braço direito o marido, o deputado federal Ricardo Barros (PP).

Agora ocupante do posto político mais importante do estado, a própria Cida reconhece que é uma ilustre desconhecida dos paranaenses. Segundo levantamentos internos da equipe da nova governadora, apenas 30% da população sabe quem ela é. E exatamente aí reside uma das principais apostas para fazer dela a vencedora no pleito de outubro: mostrar serviço, ser bem vista como gestora e, em consequência, colher frutos na forma de votos. Acredita-se que o apelo de ser mulher também pode ajudar.

Para transformar a teoria em prática, no entanto, ela precisará vencer uma série de obstáculos. A começar pela inexperiência no Executivo. Apesar de ter sido vice de Richa por mais de três anos – um papel mais decorativo e secundário −, Cida fez quase toda a carreira política no Legislativo.

Deputada estadual por dois mandatos (2003-2010) e federal por um (2011-2014), ela atuou em causas muito específicas, relativamente distante de debates sobre orçamento ou gestão da máquina. Teve como principais bandeiras, por exemplo, a criação do Dia Contra o Câncer de Mama no Paraná e o comando dos trabalhos na Câmara Federal do Marco Legal da Primeira Infância.

Outra dificuldade da nova governadora é a ligação com Richa, que provavelmente será candidato a senador na chapa dela. Ao longo do segundo mandato, o tucano conviveu com escândalos de corrupção e sofreu um pesado desgaste por medidas impopulares, na forma de aumento de impostos e arrocho aos servidores. Cida, porém, tem o discurso pronto para se defender: o ajuste fiscal garantiu aumento dos investimentos, salários do funcionalismo em dia e equilíbrio das contas estaduais.

Para contornar esses e qualquer outro problema que surgir, ela terá ao lado Ricardo Barros. Talvez o mais habilidoso político paranaense da atualidade, o ex-ministro da Saúde conseguiu transformar a esposa em governadora numa jogada minuciosamente articulada em 2014, ao emplacá-la como vice na chapa de Richa numa disputa com vários outros nomes. Agora, com o governo nas mãos e uma boa dose de pressão, já garantiu o apoio de mais de 10 partidos à candidatura de Cida com a ameaça aos aliados de perda de espaço e cargos no Executivo.

“A carreira política dela foi um projeto do grupo, do Ricardo, que vem de uma família tradicional política. Se você é casada com um político, está num clã político, de tradição e herança políticas, você segue essa vertente”, definiu o colunista social Nemecio Müller, em entrevista à Gazeta do Povo publicada em outubro do ano passado. Ele é amigo próximo de Cida há mais 30 anos e ocupante de um cargo de assessor no governo.

Questionada à época sobre a influência do marido, a nova governadora minimizou o assunto e preferiu rasgar elogios a ele. “Nunca recebi uma orientação ou solicitação do Ricardo, que é nosso líder, talvez uma das pessoas mais preparadas desse país, brilhante, inteligentíssimo.” Para a eleição, a sintonia entre os dois pode ser um trunfo importante. Enquanto ele é tido como um articulador nato, mas pouco dado a conversas e de perfil truculento, ela é descrita como uma pessoa simpática, agradável, afável e sociável.

A respeito de si próprio, Ricardo se avalia como um sobrevivente, que sabe o momento de avançar e recuar. Detentor de mandatos eletivos desde 1989, ele revelou o segredo: “nossa palavra é o nosso patrimônio. Tudo o que combinamos, cumprimos”. Em outubro, o Paraná decidirá se ele vai conseguir cumprir a promessa de fazer da esposa a governadora reeleita.

História de vida

Cida Borghetti quase não nasceu. Em 18 de fevereiro de 1965, o ônibus em que Ires Anna Borghetti viajava entre Caçador e Porto União, em Santa Catarina, acompanhada de dois dos filhos, tombou numa curva da estrada. “Eu gritei: ‘Nossa Senhora Aparecida nos acuda’”, ela relembrou, em entrevista a uma rádio local. O acidente deixou mortos, mas Ires, que estava grávida de quase sete meses, não se feriu. Naquela noite, de volta a Caçador, onde vivia, ela daria à luz a décima de seus treze filhos: Maria Aparecida Borghetti.

Criança, Cida já vivia em Curitiba. Na cidade, o pai – um descendente de italianos nascido em Erechim, Rio Grande do Sul – comprou um restaurante na avenida Alcides Munhoz, quase esquina com a avenida Manoel Ribas, a Cantina Casagrande. Getulista de carteirinha e fervoroso torcedor do Internacional, Severino Ivo Borghetti comandava a cozinha – a filha se lembra dele como exímio assador –, e a mulher, o caixa. “Morávamos atrás do restaurante. De vez em quando, eu ajudava a minha mãe”, contou ela. Mas não por necessidade: os Borghetti eram uma família de classe média e podiam prescindir do trabalho dos filhos.

“Nós só estudávamos. Eu primeiro quis ser jornalista, mas vi que não era o meu caminho. Acabei na publicidade. Acabei indo trabalhar como estagiária na TV Curitiba [antiga denominação do canal 2]”, contou a governadora. Ali, juntou-se a Nemecio Müller – que era amigo de um de seus irmãos mais velhos – na produção de um programa de entrevistas chamado Curitiba VIP. “Era o início dos anos 1980. A emissora estava começando. Dividíamos a mesa e o salário, que era uma ninharia, coisa de uns R$ 600 em dinheiro de hoje. Eu tinha um Corcel do modelo mais antigo, de quatro portas. Um dos patrocinadores, uma casa de decoração, emprestava o cenário. Eu e Cida carregávamos sofá, tapete, quadro, tudo no Corcel”, lembrou ele.

“A emissora acabou me contratando, como funcionária, meses depois. Era pouca gente, então eu fazia de tudo. Escrevi, produzi, apresentei programa, fiz reportagem de rua. Até a religar o transmissor, que volta e meia caía, eu aprendi”, falou a governadora.

Em 1989, Cida fundou uma agência de marketing político, a VGB – que também tinha como sócios o publicitário Heitor Gurgel do Amaral Valente Netto e a administradora Maria Ines Galvão de Galvão. “Assumimos de pronto toda a campanha interna do [então candidato a presidente Fernando] Collor”, contou.

Um ano antes, ela trabalhara na área para o PFL, partido ao qual era filiada. Foi por conta disso que travou contato com Ricardo Barros. “Um dia eu liguei para ele, que era candidato em Maringá, dizendo que mandaria uma mensagem do presidente do partido e um jingle. Ele me respondeu bem ao estilo dele, seco: ‘Não preciso’”, recordou.

O primeiro encontro de ambos foi em janeiro seguinte, em Matinhos, no Litoral paranaense. Barros, já eleito, foi à cidade litorânea para uma festa, promovida pelo colunista social Dino Almeida, que reunia gente da sociedade na praia de Caiobá. “Todo mundo vestia branco, naquele calor, menos aquele sujeito de calça preta e camisa de gola de padre de mangas longas, também escura. E eis que o padre veio pro o meu lado”, riu a governadora.

Atraído pela moça, Barros pediu a Carlos Marassi, jornalista e mestre de cerimônias da festa, que os apresentasse. Seis meses depois, já namoravam e Cida arrumava as malas para viver no Noroeste do estado. Em fins de 1991, estavam casados – e a publicitária tornou-se primeira-dama de Maringá.

Apesar de dizer-se militante desde a juventude – foi filiada ao braço jovem do PDS, partido que sucedeu a Arena, legenda que sustentou a ditadura militar –, Cida confessou que jamais pensara numa carreira política até casar-se com Ricardo.

Em 2000, porém, aceitou “um pedido do grupo” liderado pelo marido e candidatou-se à prefeitura. Foi um gesto de desprendimento: ela recém saíra de um tratamento de quatro anos contra um câncer no colo do útero. “Eu tinha 33 anos [quando a doença foi diagnosticada], uma filha de quatro [a hoje deputada estadual Maria Victoria]. Tive uma complicação na primeira cirurgia, uma hemorragia violenta, os médicos disseram que perdi quatro litros de sangue. Retirei o colo do útero, depois os ovários, as trompas.”

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