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entrevistas na TV

Pela 1ª vez, Bolsonaro cogita aprovar reforma da Previdência de Temer

Presidente eleito quer reformar “ao menos parte” das regras de aposentadoria ainda em 2018, antes de assumir o cargo. Ele reafirmou ainda a vontade de convidar Sergio Moro para o seu ministério e disse que ‘banir os vermelhos’ foi referência à cúpula do PT

  • Da Redação
  • com agências
  • Atualizado em às
 | Mauro Pimentel/AFP
Mauro Pimentel/AFP
 
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Numa série de entrevistas à imprensa exibidas por emissoras de TV nesta segunda-feira (29), um dia após vencer a eleição presidencial, Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que vai conversar com Michel Temer (MDB), atual ocupante do posto, para tentar aprovar “ao menos parte” da reforma da Previdência ainda em 2018, antes de assumir o cargo.

A primeira entrevista foi exibida pela TV Record. Poucos depois Band, SBT e Globo também transmitiram conversas com o presidente eleito. “Semana que vem estaremos em Brasília e tentaremos junto ao atual governo de Michel Temer aprovar alguma coisa. Senão toda a reforma da Previdência, ao menos parte, para evitar problemas para um futuro governo”, disse o capitão reformado do Exército à Record.

A declaração contradiz a postura adotada pela equipe de Bolsonaro a respeito da proposta de reforma previdenciária proposta pelo governo Temer. O grupo liderado por Paulo Guedes, provável ministro da Fazenda numa gestão Bolsonaro, também avaliava que o texto já em tramitação no Congresso não deveria ser levado adiante por trazer impacto reduzido nas contas e, por outro lado, ter potencial de provocar grande desgaste político à Presidência.

A jornalistas do SBT, porém, Bolsonaro disse que a reforma “é bem-vinda e será feita, no que depender de nós, com muito critério e com muita responsabilidade”. “Nós vamos procurar o governo e vamos procurar salvar alguma coisa desta reforma. A forma como ela está sendo proposta, não adianta eu ser favorável ou o general [Hamilton Mourão] ser favorável. Nós temos que ver o que poder ser aprovado, o que passa pela Câmara e pelo Senado”, comentou.

Na área econômica, o capitão reformado argumentou ainda que vai pedir ao atual Congresso que evite “pautas bomba que aumentem ainda mais esse déficit, sob o risco de o Brasil entrar em colapso”.

Moro como ministro

Nas entrevistas Bolsonaro também declarou que pretende indicar o juiz federal Sergio Moro, responsável pela Lava Jato em Curitiba, para uma das vagas do Supremo Tribunal Federal (STF) ou mesmo convidá-lo para ser seu ministro da Justiça.

“Se tivesse falado isso lá atrás, durante a campanha, soaria oportunista, mas agora, sim: pretendo, sim [convidar Moro], não só para o Supremo, mas quem sabe para o Ministério da Justiça. Pretendo conversar previamente com ele. Com toda certeza será uma pessoa de extrema importância [em meu governo]”, disse à TV Record.

Ao SBT reforçou que Moro seria muito bem-vindo em seu governo. “Ele é uma pessoa excepcional, que goza de um respaldo muito grande da população e tem conhecimento. O Ministério da Justiça pode ser um parceiro no combate à corrupção.” A respeito do STF, reafirmou ter abandonado a ideia de ampliar o número de ministros da corte.

‘Banir os vermelhos’ foi discurso inflamado

O presidente eleito disse ao Jornal Nacional, da TV Globo, que se referia à cúpula do PT quando afirmou que “marginais vermelhos” seriam banidos do Brasil em seu governo. “Foi um discurso inflamado, com a Avenida Paulista cheia. Logicamente, estava me referindo à cúpula do PT. O próprio Boulos havia dito que invadiria minha casa”, afirmou, em referência a declaração do presidenciável derrotado do PSOL. 

Na resposta, Bolsonaro criticou ainda a fala de Fernando Haddad (PT), candidato derrotado à Presidência da República, de que a crise no Brasil só acabaria quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, fosse eleito. “Foi um momento de desabafo, não ofendi a honra de ninguém. No Brasil de Jair Bolsonaro, quem desrespeitar a lei sentirá o peso da mesma contra sua pessoa”, afirmou. 

Na entrevista, também agradeceu todos que o elegeram e, questionado sobre o fato de uma parcela do eleitorado dizer que sua eleição é um risco, disse que a Constituição será a Bíblia do governo. “As eleições acabaram. Chega de mentiras, chega de fake news. Quero governar para todos, não apenas para os que votaram em mim. Temos a Constituição que tem que ser a nossa Bíblia aqui na Terra e respeitada. Só dessa maneira podemos conviver em harmonia”, disse. 

Perguntado se iria pedir desculpas por ter se excedido em algumas falas durante a campanha, afirmou que “qualquer agressão contra um semelhante tem que ser punida na forma da lei”. 

Sem perseguição

Eleito com quase 58 milhões de votos, Bolsonaro afirmou que não perseguirá os que não o apoiaram nas urnas. “Aquele que não votou em mim, pode ficar tranquilo que não será perseguido e que terá espaço no nosso governo”, disse em entrevista ao SBT.

A declaração foi feita ao ser questionado sobre como falaria com as pessoas que afirmam estar com medo de sua vitória. “Vamos respeitar a maioria. A nossa votação representou a maioria dos votos válidos. Essas pessoas acreditaram naquilo que nós pregamos ao longo da pré-campanha e da campanha também”, afirmou.

Bolsonaro voltou a repetir que ‘todos estão no mesmo barco’ e que este não é momento de grupos divergentes trabalharem contra si.

Disse que poderia conversar com o PT, mas que o diálogo dependeria do partido. “Eu conheço bem o PT e eles me conhecem. No que depender de mim a gente pode conversar. Depende deles essa conversa agora. Não podemos ceder em pontos capitais que a esquerda defende e nós, não”, afirmou.

Liberdade de Imprensa

Em conversa a Record, Bolsonaro declarou ser defensor da democracia e da liberdade de expressão e dos veículos de comunicação. “Quem impõe limite à liberdade de expressão é o cidadão. Alguns órgãos perderam credibilidade perante a população. Foi dado um grande recado a essas mídias que ousaram tomar um partido político”, afirmou. O único controle sobre a mídia, destacou, deve ser o controle remoto do cidadão.

Bolsonaro também destacou que pretende privatizar a EBC (Empresa Brasil de Comunicação), empresa pública criada em 20017 para gerir um conglomerado de emissoras de rádio e televisão públicas.

O presidente eleito criticou que a EBC consome bilhões por ano e não oferece retorno em audiência. “Queremos vender a EBC. Preferimos confiar na mídia profissional para fazer os anúncios que o governo deve fazer.”

Bolsonaro comentou ainda a recentes polêmicas envolvendo o jornal Folha de S.Paulo. Ele defendeu uma ex-funcionária de seu gabinete, acusada de ser funcionária fantasma. Também negou envolvimento em contratação de disparos de mensagens contra o PT via WhattsApp. Questionado se gostaria que a Folha acabasse, com já declarou, ele disse ser totalmente favorável à liberdade de imprensa, mas disse: 

“Esse jornal por si só já acabou. O que não posso é considerar [a Folha] uma imprensa digna, mas não quero que ela acabe. Mas continuará sem o apoio do governo federal”, afirmou aos apresentadores do JN. 

Maioridade penal

Bolsonaro prometeu ainda lutar para implantar uma de suas principais propostas de campanha: a redução da maioridade penal. Para o presidente eleito, a idade ideal seria 14 anos – o projeto que tramita no Congresso estipula a idade em 16 anos.

“Se não for possível para 16, que seja para 17 [anos]. Por mim seria para 14, mas aí dificilmente seria aprovada. Pode ter certeza que reduzindo a maioridade penal, a violência no Brasil tende a diminuir”, afirmou.

Nas conversas elencou alguns dos nomes que deverão compor seus ministérios: Paulo Guedes (Fazenda), Onyx Lorenzoni (Casa Civil), general Augusto Heleno (Defesa) e o astronauta Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia).

Dentre todos os ministérios, destacou o da Educação como o mais importante. “O PT dobrou os gastos, mas a educação piorou. Precisamos de um ministério com perfil completamente técnico. Vamos deixar de lado a filosofia de Paulo Freire”, afirmou, ao prometer uma indicação técnica para a pasta.

LEIA TAMBÉM: Durante a transição, Bolsonaro tem 50 cargos, 22 gabinetes e quase R$ 1 milhão à disposição

Ditadura militar

Questionado sobre a ditadura militar, o capitão reformado disse que a população brasileira está começando a entender que “não houve ditadura” e relativizou a censura a meios de comunicação na época. Para ele, certas reportagens sofriam censura para evitar seu uso para envio de mensagens cifradas para grupos que desejavam atacar autoridades. “O período militar não foi ditadura que a esquerda sempre falou”, disse.

Queixou-se também que a esquerda quer colar nele o rótulo de fascista, quando na verdade fascista seria “a esquerda, que sempre colocou o Estado acima de tudo”.

Em consequência do que julga serem acusações infundadas, reclamou que se vê obrigado a declarar constantemente que respeitará a Constituição. Do contrário, diz, seria atacado pelo outro lado. “Lamento ser obrigado a fazer isso, dizer que você é um democrata sendo um democrata.”

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