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Quem é o brasileiro que fez do espaço um negócio e virou ministeriável de Bolsonaro

Marcos Pontes passou dez dias na órbita da Terra e fez dessa experiência um bom negócio, com palestras, livros e patrocínio de produtos. Em 2014, foi candidato a deputado, mas não se elegeu

  • Brasília
  • Evandro Éboli
 | Denys Sinyakov/AFP
Denys Sinyakov/AFP
 
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Anunciado pelo presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) como seu virtual ministro da Ciência e Tecnologia caso vença a eleição, o primeiro astronauta brasileiro, o tenente-coronel da reserva Marcos Pontes, de 54 anos, gostou da ideia. Depois de um encontro com o deputado em seu gabinete na tarde de quarta-feira (7), em Brasília, Pontes publicou um vídeo desse momento (assista abaixo) e respondeu que aceita a empreitada com um jargão militar: "missão dada é missão cumprida".

Marcos Pontes fez da sua ida ao espaço, em 2006, um caso de sucesso nos negócios. Ao retornar dos céus e regressar à caserna, deixou as Forças Armadas. Noticiário da época o acusou de optar pela vida privada para ganhar dinheiro, fazendo palestras, por exemplo. Em suas redes sociais, ele nega essa versão e acusa quem publicou essa informação de se autopromover e possivelmente ter recebido "propina". 

Leia também: Bolsonaro promete 15 ministérios e anuncia astronauta na Ciência e Tecnologia

Pontes afirma que não se aposentou mas que foi transferido para a reserva por determinação do Comando da Aeronáutica e que nada tem a ver com sua função de astronauta, que é civil. Eles diz que não queria se aposentar e que ficar na ativa, segundo ele, seria mais confortável, mas a legislação militar não permitiria sua promoção para coronel. "Continuo à disposição do Brasil, como único astronauta profissional do país", afirma Pontes em seu site. 

Marcos Pontes foi fazer palestras, lançar livro, ser garoto-propaganda de travesseiro e criou a Agência Marcos Pontes, que já promoveu aventuras como viagens espaciais, e eventos como "seja cosmonauta por 10 dias", "flutue em gravidade zero", além de visita a bases espaciais no exterior e excursões do tipo "conheça Cabo Canaveral com Marcos Pontes".  E até voos em jatos supersônicos aos interessados, entre outros "produtos". 

Uma palestra do primeiro astronauta brasileiro estaria em torno de R$ 15 mil, segundo informações de profissionais que atuam nesse mercado. O travesseiro que ele promoveu era da marca "Nasa", que significa “Nobre e Autêntico Suporte Anatômico”. Isso foi em 2011. 

Com a visibilidade e promoção alcançadas, Pontes tentou, mas sem o mesmo sucesso, a carreira política. Se candidatou a deputado federal por São Paulo em 2014, pelo PSB, e apoiou Marina Silva para presidente. Hoje ela está na Rede e será provável adversária de Bolsonaro na disputa ao Palácio do Planalto. O primeiro e única astronauta brasileiro até obteve uma votação razoável – 43.707 votos –, mas insuficiente para levá-lo à Câmara. Agora, vê a chance de ser ministro.

A viagem ao espaço

Natural de Bauru, interior de São Paulo, Marcos Cesar Pontes é formado em tecnologia aeronáutica pela Academia da Força Aérea, em Pirassununga (SP), em engenharia aeronáutica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), e é mestre em engenharia de sistemas pela Naval Postgraduate School, em Monterrey (EUA).

Foi o primeiro astronauta sul-americano a ir ao espaço. Em 30 de março de 2006, ele partiu para a Estação Espacial Internacional (ISS) a bordo da nave russa Soyuz TMA-8, que havia decolado do Cazaquistão, com um astronauta americano e outro russo. Levou consigo oito experimentos científicos brasileiros para execução em ambiente de microgravidade. A missão teve duração de 10 dias, sendo dois dias a bordo da Soyuz e oito na ISS. Ele retornou no dia 8 de abril, a bordo da nave Soyuz TMA-7.

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