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Bruno Covas e João Doria
O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), e o governador paulista, João Doria, do mesmo partido, em evento no dia 16 de outubro.| Foto: Governo do Estado de São Paulo

Desde que a campanha eleitoral começou, o governador João Doria (PSDB) ainda não apareceu no horário eleitoral do prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), candidato à reeleição. O fato chama a atenção, já que, além de serem do mesmo partido, os dois trabalharam juntos na prefeitura da capital entre 2016 e 2018, quando Covas foi vice de Doria.

A rejeição ao governador entre os paulistanos seria o motivo do descolamento da campanha. Segundo pesquisa do Datafolha, 60% dos eleitores de São Paulo afirmam que não votariam de jeito nenhum em um candidato apoiado por Doria.

levantamento do Ibope, divulgada em 15 de outubro, mostrou que 44% dos paulistanos consideram a gestão ruim ou péssima, contra 19% que a classificam como ótima ou boa (veja a metodologia das duas pesquisas ao final da reportagem).

Adversários, como Márcio França (PSB), tentam se aproveitar do ponto fraco e, nas redes sociais, costumam usar a hashtag #BrunoDoria para atacar o prefeito.

Doria vai aparecer "no momento apropriado", diz Covas

Outros candidatos, ao contrário, já exploraram a relação com seus padrinhos políticos. Celso Russomanno (Republicanos) recebeu o endosso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já apareceu na propaganda de Jilmar Tatto (PT).

Em entrevista ao jornal O Globo, Covas explicou que Doria vai aparecer no horário eleitoral no “momento apropriado”. “Toda campanha tem uma lógica. A lógica é apresentar o candidato, mostrar o que ele já fez e o que vai fazer e quem são seus apoiadores. Quem não tem o que mostrar na cidade realmente só tem que mostrar padrinho político”, afirmou o prefeito.

Doria posou para foto ao lado de Covas no dia em que o prefeito teve a candidatura oficializada e, em 16 de outubro, os dois participaram juntos de uma coletiva em que o governador anunciou um plano de retomada econômica após a pandemia do novo coronavírus.

As propostas de concessões e da construção de um trem que ligue São Paulo a Campinas, incluídas no plano de retomada, já faziam parte do programa de Doria. Elas ganharam nova roupagem para puxar indiretamente a corrida de Covas e pavimentar o terreno para 2022, quando Doria deve sair candidato à Presidência como alternativa a Bolsonaro.

Apesar do distanciamento, Covas garante que a propaganda vai mostrar aos eleitores “o quanto a população tem ganhado com uma relação positiva entre o governo do estado e a prefeitura”.

Segundo turno pode determinar se Doria entra, ou não, na campanha de Covas

“Covas está vendo que agora é melhor não explorar essa relação. Existe um distanciamento ainda porque Covas disputa um espaço político dentro do PSDB com Doria, que vinha hegemonizando o partido desde quando ele enfraqueceu sobretudo Alckmin. Covas ganhou estatura no governo”, avalia Marco Antônio Teixeira, coordenador do curso de Administração Pública da FGV EAESP.

O prefeito é acusado, também, de esconder a marca tucana que, além de enfraquecida pelo mau desempenho nas últimas eleições, foi abalada pelas investigações contra figurões do partido como Geraldo Alckmin e José Serra. Covas convidou Serra para a convenção do partido e afirmou que um apoio dele seria bem-vindo, mas ressaltou: “O que o PSDB não pode fazer é passar a mão na cabeça de quem foi condenado”.

Covas e Doria representam também alas distintas do partido. Doria, que em 2018 fez campanha para o governo estadual colando sua imagem a de Bolsonaro por meio do bordão BolsoDoria, tenta empurrar o partido para direita.

Já o prefeito, que se define um “radical de centro”, nos últimos dias fez um movimento rumo à esquerda ao defender a criação da renda mínima municipal, projeto de lei do vereador Eduardo Suplicy (PT). Até a ex-petista Marta Suplicy, depois que teve sua candidatura barrada pelo Solidariedade, se desfiliou do partido e passou a apoiar a reeleição do prefeito.

Segundo Teixeira, o governador deve ganhar espaço na campanha de Covas, caso a eleição adote um tom nacional. “Se o adversário for Russomanno, vai se estabelecer uma polarização entre Bolsonaro e Doria no estado de São Paulo. Agora, não vai ser conveniente para Covas se o adversário for Guilherme Boulos [Psol], porque Doria tem pouco a agregar”, afirma o cientista político.

A polarização nacional pode escalar também em nível local a partir da disputa entre o governador paulista e o presidente sobre o uso da vacina chinesa, complementa Teixeira.

Metodologia das pesquisas citada na reportagem

  • O Datafolha ouviu 1.092 pessoas em São Paulo, sob encomenda da TV Globo e da Folha de S. Paulo, entre os dias 5 e 7 de outubro de 2020. O levantamento tem nível de confiança de 95%, com margem de erro de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob a identificação SP-08428/2020.
  • Sob encomenda da TV Globo, o Ibope ouviu 1.001 eleitores em São Paulo entre os dias 13 e 15 de outubro. O levantamento tem nível de confiança de 95%, com margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob a identificação SP-01432/2020.
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