Camila Lannes, candidata do PCdoB à prefeitura de Curitiba.
Camila Lannes, candidata do PCdoB à prefeitura de Curitiba.| Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

Candidata mais nova a disputar a prefeitura de uma capital neste ano, Camila Lanes, aos 24 anos, tem a responsabilidade de voltar a encabeçar uma chapa do PCdoB em Curitiba após 12 anos. Inspirada na administração de Flávio Dino, no Maranhão, ela diz, ao responder as três perguntas da Gazeta do Povo, que seu partido já está maduro o suficiente para governar mantendo sua ideologia mas dialogando com todos os setores da cidade. Assim, ela diz que, passada a eleição deste ano, continuará apresentando e debatendo seu projeto, de olho no futuro. Confira:

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Por que a sua candidatura é a melhor opção para Curitiba? O que a diferencia das demais?

O que me diferencia dos demais candidatos, além da pouca idade, de ser a candidata mais nova a prefeita em todas as capitais do país, com 24 anos, é a convicção e propósito que eu tenho para fazer a política de Curitiba. Infelizmente, a gente sabe que, depois das eleições, as pessoas somem. Os candidatos tendem a voltar para suas rotinas normais e não mais debater a importância da cidade. Independentemente do resultado da eleição, meu compromisso é, após o dia 15 de novembro, dar continuidade a esse projeto que apresentamos para a cidade, conversando com a sociedade civil organizada, com a administração pública, com os movimentos, para que a gente possa garantir a melhoria dos direitos e da vida dos curitibanos e curitibanas. Além disso, o compromisso de levar a educação como a pauta da minha vida. Desde os 16 anos lutando pela qualidade da educação pública e, agora, após esse compromisso firmado com a cidade, meu projeto é garantir as melhorias efetivas na educação ao longo dos anos.

O multipartidarismo do Brasil faz com que tenhamos dezenas de partidos, muitos dos quais não se consegue compreender quais as bandeiras, a identidade. Não é o caso do PCdoB, que tem bem claro seu propósito. Mas como seria, nos dias de hoje, com o quadro político de hoje, uma administração comunista na capital de um estado governado por um partido de centro, em um país governado por um presidente de direita? Que princípios e ideias do comunismo seria possível implementar numa cidade em um mandato de quatro anos?

Primeiro que a sociedade brasileira já tem um grande exemplo. Hoje nós temos um administrador público comunista que é o governador Flávio Dino. Ele é o maior exemplo de como podemos aplicar o que aprendemos em nossa formação e em meio a nossa ideologia: o diálogo, a conversa e a transparência. Por mais que eu tenha, de fato, minha ideologia, e não tenha nenhum receio de falar sobre ela, sou professora da Escola de Formação do PCdoB, mas, acima de tudo, eu vou construir pontes e diálogo com todos os setores. E o Flávio Dino tem mostrado isso. Ele não se limita a conversar só com a esquerda. E é exatamente isso que precisamos buscar. A melhoria na vida da população só se dará a partir do momento que se conseguir conversar com todos os setores: do setor público ao setor privado, do terceiro setor aos movimentos sociais, da administração à sociedade civil organizada. É disso que precisamos na nossa administração: de pessoas que não tenham medo de dialogar, que não fujam do debate e, acima de tudo, que tenham propósito. A minha ideologia é minha, mas à frente da administração pública, com toda a certeza, serei administradora e terei responsabilidade não só com quem depositou o voto em mim, mas com a cidade como um todo. Curitiba é uma metrópole, a maior capital do Sul do país, o quarto PIB do país e nós precisamos avançar. Temos uma condição de crescimento muito grande e presente, mas, para isso, é necessário uma administradora que garanta que a gente dialogue com a cidade.

A apresentação do seu plano de governo destaca que, após 12 anos, o PC do B volta a apresentar uma candidatura comunista em Curitiba. Além de não ter lançado candidato nas duas últimas eleições, o partido fez alianças com candidaturas que estão longe de representar a esquerda: Ney Leprevost (PSD) em 2016 e Ratinho Junior (então no PSC) em 2012. O que levou o partido a buscar esse tipo de coligação e como foi o caminho para construir a sua candidatura?

São dois momentos. Precisamos entender que as decisões tomadas no passado foram tomadas por sobrevivência acima de tudo, para que a gente pudesse, exatamente como já citei, ter diálogo com todos os setores. O partido, de fato, teve algumas opções no passado que acabaram não sendo bem interpretadas. Mas isso se dá a partir do momento que compreendemos nosso compromisso com a democracia e que podemos apresentar nossos projetos, diferente de outros que pregam o purismo eleitoral e político, que sabemos que não existe. Sabemos muito bem que em política, todos precisam dialogar com todos. Mesmo partidos que se dizem inimigos, nos bastidores, dialogam. Então, não vejo problema em buscarmos coligações, como no passado, enquanto estávamos nos preparando para apresentar nosso projeto. E chegou a hora. Neste ano, em especial, num ano atípico, não só pela condição da eleição em meio à pandemia, mas pela condição que os partidos estão sendo colocados, com a cláusula de desempenho e impossibilidade de coligação nas eleições proporcionais. Então, tomamos a decisão de continuar apresentando nosso projeto, mas desta vez, com uma candidatura própria. As decisões políticas, de certa forma pragmáticas, do passado, nos deram condição de que hoje possamos apresentar nosso projeto de uma forma muito claro e muito sóbria a toda a população. E entender que nossa proposta não se encerra em 15 de novembro. Vamos continuar conversando e dialogando com todos os setores de Curitiba, para que a gente possa apresentar nosso projeto de cidade.

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