Eleições 2020: como foi o primeiro turno
O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, comentou sobre a instabilidade no aplicativo E-Título durante coletiva de imprensa| Foto: Agência Brasil

O primeiro turno das eleições municipais, que ocorreu neste domingo (15), foi marcado por instabilidades no aplicativo e-Título, aglomerações em alguns locais de votação e uma tentativa ataque ao site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em decorrência da pandemia da Covid-19, neste ano o horário de votação foi ampliado: teve início às 7h, com as três primeiras horas sendo preferenciais para as pessoas com mais de 60 anos, e foi encerrado às 17h. De acordo com o TSE, 147,9 milhões de eleitores eram esperados durante todo o dia.

Ocorrências

O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou, em um boletim divulgado às 15h desta tarde, que foram registradas 1.062 ocorrências de crimes eleitorais no primeiro turno das eleições municipais. Deste total, 224 estavam relacionados a compra de votos e 471 a boca de urna.

Dentre os crimes eleitorais, também foram registradas ocorrências por desobediência às ordens da Justiça Eleitoral (178); concentração de eleitores (44); fake news (27); transporte de eleitores (59); desordem que prejudicou os trabalhos eleitorais (34); falsidade ideológica (3); impedimento ou embaraço ao exercício de voto (18) abandono de serviço eleitoral (3).

Ainda de acordo com o ministério, foram anotados 33 crimes contra candidatos. Dentre as ocorrências, 22 por ameaça; quatro por tentativa de homicídios; seis casos de lesão corporal e um registro de homicídio de candidato.

Até as 17h deste domingo, 72 candidatos foram presos ou detidos. Também foram registrados 715 casos similares com eleitores. Outros 18 menores de 18 anos foram apreendidos. No total geral, foram registradas 1.550 ocorrências até as 17h. As classificadas como "crimes comuns relacionados às eleições" somam 259. Já as ocorrências por "indicações de desinformação sobre o processo eleitoral" totalizam 48. Ainda foram contabilizados 148 registros de incidentes de segurança pública nas proximidades de locais de votação".

Tentativa de ataque ao site do TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, afirmou em coletiva de imprensa realizada na tarde deste domingo, em Brasília, que o site da Corte foi alvo de ataque que tentava derrubar a página do TSE na internet. Houve uma orquestração de acessos simultâneos para tirar o sistema do ar, o que foi neutralizado e não produziu impactos, segundo Barroso.

Questionado sobre eventuais novas investidas, em especial durante a apuração dos votos, o presidente do TSE garantiu que "não há risco para o resultado fidedigno das eleições". Barroso defendeu que o tribunal fez tudo o que estava ao seu alcance para evitar problemas e que as equipes da Corte permanecem atentas. Ainda segundo Barroso, "está quase certo" que o ataque partiu de fora do país.

Urnas substituídas

O Tribunal Superior Eleitoral informou ainda que 1.700 urnas precisaram ser substituídas em todo o país, o que corresponde a 0,38% do total de 400.257 urnas. Segundo o TSE, não houve registros de necessidade de voto impresso.

Segundo os números, São Paulo seguia como o estado com o maior número de urnas substituídas, com 315 até a atualização das informações. Em seguida, estava o Rio de Janeiro, que teve 295 urnas trocadas, e Minas Gerais, com 207. A substituição de urnas está prevista nos procedimentos do Tribunal para assegurar a continuidade das votações. No total, o país conta 51.997 urnas de contingência para essas situações.

Instabilidade no e-Título

Durante todo o dia, eleitores de diferentes estados relataram instabilidades no funcionamento do aplicativo e-Título, que substitui o título de eleitor impresso e permite checar informações como local de votação, seção e zona eleitoral, além de justificar ausência.

Entre as queixas, os usuários afirmam não estar conseguindo baixar o aplicativo, consultar a zona eleitoral ou concluir a operação de justificativa. A área técnica do TSE informou mais cedo que poderia haver instabilidade momentânea no uso do aplicativo em razão do excesso de acessos. Segundo o órgão, até às 8h30 deste domingo, cerca de 400 mil eleitores já haviam justificado a ausência pelo aplicativo.

O presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, comentou a instabilidade no uso do E-Título durante coletiva de imprensa nesta tarde. Barroso afirmou que o aplicativo tem funcionado para sua funcionalidade principal, de identificação do eleitor, mas admitiu instabilidade para a justificativa de ausência e consulta de local de votação.

Ao responder questionamentos, o presidente do TSE afirmou que as dificuldades enfrentadas tem relação com um desfalque no sistema. Segundo ele, após recente ataque de hackers ao STJ, a tecnologia da Justiça Eleitoral adotou medidas de reforço na segurança. Uma das estratégias foi a retirada do ar de um dos dois servidores do TSE para fazer o backup de informações e evitar acessos indevidos. Segundo Barroso, o desligamento desse servidor "afetou o desempenho ótimo do E-Título"; apesar disso, defendeu que "o sistema está funcionando, mas não está dando vazão à demanda".

Personalidades que votaram e o que disseram

O presidente Jair Bolsonaro viajou de Brasília ao Rio de Janeiro no começo da manhã. Acompanhado de integrantes do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, do Exército e da Polícia Militar, Bolsonaro levou apenas 10 minutos para votar. Alguns apoiadores do presidente estiveram no local e tiraram fotos com ele, mas não houve aglomerações. O presidente não fez declarações à imprensa.

Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Michel Temer também votaram pela manhã – Temer em São Paulo e Lula em São Bernardo do Campo (SP). Ambos compareceram em suas seções eleitorais antes das 10h, dentro do horário recomendado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pessoas acima de 60 anos e que fazem parte do grupo de risco para Covid-19. Após votar, o petista tirou selfies com mesários e disse acreditar que o PT “sairá fortalecido” da eleição, mesmo “após muita gente apostar no fim” do partido.

O ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça Sergio Moro votou no fim da manhã em Curitiba e evitou comentar sobre seu futuro político. “Não é uma questão para hoje”, disse. Moro foi abordado por diversos apoiadores no Clube Duque de Caxias e afirmou a jornalistas que a pandemia mostrou como é importante ter bons gestores.

"Nós vimos nessa pandemia como foi importante você ter bons gestores para tentar diminuir a disseminação da pandemia e igualmente buscar depois a recuperação da economia. Então, é momento que as pessoas devem estar atentas para buscar pessoas corretas, íntegras, acho que é pressuposto, e depois fazer as escolhas pelas propostas, projetos", disse o ex-ministro de Bolsonaro.

No Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), atual prefeito do Rio de Janeiro e candidato à reeleição, afirmou, na manhã deste domingo (15), que o apoio que o presidente Jair Bolsonaro lhe deu "foi muito grande". "O presidente teve uma coragem gigantesca em apoiar o Crivella, quando o PSL teve o Luiz Lima", disse Crivella após votar, na manhã de hoje, na Escola Municipal Sérgio Buarque de Holanda, na Barra da Tijuca.

Por outro lado, Eduardo Paes (DEM) – apontado pelas pesquisas como favorito à eleição – criticou Marcelo Crivella, ao votar nesta manhã em um clube localizado em São Conrado. Na ocasião, Paes afirmou que o atual prefeito do Rio de Janeiro “destruiu a cidade”.

Em São Paulo, o candidato do Republicanos à prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, votou às 11 horas em um colégio na região do Morumbi, zona sul de São Paulo, e fez discursos já destacando dificuldades que sua campanha teve ao longo destas eleições, mas disse acreditar que ainda irá para o segundo turno".

O candidato do Psol à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, votou por volta das 10h40 na PUC, no bairro de Perdizes. Em rápida fala a jornalistas, Boulos disse que em um eventual segundo turno, com igualdade de tempo no horário eleitoral e debates em todas as grandes redes de TV, terá mais condições de virar o resultado das pesquisas, que apontam o favoritismo do prefeito Bruno Covas (PSDB)”.

Já o prefeito Bruno Covas, apontado como favorito nas pesquisas eleitorais, foi até a casa do governador João Doria (PSDB), no Jardim Europa, e de lá eles caminharam juntos até o Colégio onde vota o chefe do executivo Paulista.

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