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O ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB).
Ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite foi vencido nas prévias do PSDB: agora sua candidatura a presidente pode ressurgir.| Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini

Apesar de o ex-governador João Doria retirar sua pré-candidatura a presidente pelo PSDB, a posição do partido na disputa presidencial deste ano está longe de ser pacificada dentro do ninho tucano. Agora, uma ala do partido trabalha para inviabilizar o acordo que vinha sendo costurado com o MDB para apoiar o nome da senadora Simone Tebet pela chamada terceira via. A ideia é lançar o ex-governador gaúcho Eduardo Leite na disputa presidencial.

A Executiva do PSDB deveria se reunir na terça-feira (24) em Brasília para decidir sobre o apoio do partido ao nome de Tebet – e a expectativa era de que houvesse apenas a ratificação da emedebista como nome do grupo. No entanto, o encontro foi adiado para a próxima semana.

Oficialmente, a cúpula tucana mantém a posição de que trabalha para unificar a terceira via. "O PSDB tem um acordo político em torno de uma candidatura única com o Cidadania e o MDB. Qualquer outra discussão é um desserviço à verdade dos fatos, desrespeito às reiteradas decisões coletivas e, mais grave, ao país", afirmou Bruno Araújo, presidente nacional do PSDB.

Mas nos bastidores do partido surgiu um movimento para que o PSDB tenha candidatura própria. Essa articulação vem sendo encampada pelo deputado Aécio Neves (MG), um dos principais adversários de Doria dentro do PSDB. A estratégia é ressuscitar o nome de Eduardo Leite, sob o argumento de que ele reúne condições para ser candidato à Presidência e porque ele foi o segundo colocado nas prévias do partido.

Na avaliação de integrantes dessa ala do PSDB, o partido não deve ficar a reboque do MDB em uma chapa unificada. Na composição que está sendo negociada com os emedebistas, os tucanos devem indicar o vice na chapa de Tebet, o que é rechaçado por aliados de Aécio.

"A decisão do ex-governador João Doria de afastar-se da disputa presidencial obriga o PSDB a reabrir a discussão sobre como vamos enfrentar as próximas eleições. Continuo defendendo, como sempre fiz, que tenhamos candidatura própria", afirmou Aécio, em nota.

Aos seus interlocutores, Leite tem sinalizado que não pretende se empenhar nas articulações para viabilizar seu nome para a disputa presidencial. Nas redes sociais, ele parabenizou Doria pelo gesto de abrir mão da candidatura. "O PSDB teve candidato legítimo oriundo das prévias, que agora faz gesto pela unificação da terceira via sob liderança de outro partido. Gesto importante de João Doria, que merece respeito", disse.

Cúpula do PSDB acredita que Aécio não tem maioria no partido 

Mesmo com as sinalizações de Leite, entusiastas do seu nome acreditam que ele poderá cogitar um retorno à disputa presidencial em alguns meses. Nos cálculos, os integrantes do ninho tucano sinalizam que, na convenção partidária do PSDB, entre julho e agosto, em um cenário de estagnação de Tebet nas pesquisas, Leite aceitaria um convite para assumir a chapa presidencial.

A expectativa é de que a sugestão seja apresentada na próxima reunião da Executiva do PSDB, marcada para a próxima semana. “Lamento que a reunião da executiva nacional tenha sido adiada. Espero que possamos nos reunir o mais rapidamente possível para debatermos de forma clara e democrática os caminhos para o nosso futuro", afirmou Aécio.

Contudo, integrantes da cúpula do PSDB acreditam que o grupo do senador mineiro não terá maioria dentro da Executiva do partido para rechaçar o apoio a Tebet e lançar Leite. Na avaliação do entorno de Bruno Araújo, a Executiva deve repetir o movimento do último encontro, quando a maioria deliberou para que a sigla se mantivesse em negociação com o MDB.

"O gesto de grandeza de Doria não deve servir de estímulo ao oportunismo. Na hipótese de o PSDB apresentar candidatura própria, o nome seria Doria, vencedor das prévias. Essa etapa já foi superada. É hora de contribuir com o centro democrático apoiando o nome do MDB, Simone Tebet", defendeu o senador Alessandro Vieira (PSDB-SE).

Tucanos veem movimento de Aécio como forma de fortalecer Bolsonaro

Ainda de acordo com lideranças do PSDB, o movimento encampado por Aécio Neves seria uma forma de implodir a terceira via e beneficiar o presidente Jair Bolsonaro (PL). Sem unificação do grupo, o partido poderia descartar a candidatura de Leite durante as convenções partidárias para priorizar a eleição de integrantes da bancada tucana no Congresso.

Antes das prévias, o deputado mineiro já vinha defendendo que o PSDB não tivesse candidatura própria diante da polarização entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nos cálculos, cerca de 70% dos 21 deputados do PSDB têm proximidade com Bolsonaro e poderiam compor alianças com o atual presidente em seus redutos eleitorais.

Apesar das alegações da cúpula tucana, Aécio Neves rechaça as acusações e diz buscar um acordo pela pacificação do partido. "O PSDB nunca teve dono e não será agora, nesse momento grave da vida nacional, que terá", afirmou o mineiro.

Paralelamente, ainda há a negociação em torno do nome que o PSDB poderá apresentar como vice na chapa encabeçada pelo MDB, caso a opção pela terceira via vingue. Como forma de buscar um acordo, a expectativa é de que o nome de Eduardo Leite seja apresentado como possível vice na chapa durante a reunião da próxima semana.

Leite defendeu as negociações com o MDB, e afirmou que espera que a cúpula do PSDB chegue a um acordo de pacificação. "Vejo e entendo como natural que se encaminhe a discussão de apoio a Simone. Mas o PSDB precisa aprofundar a discussão com o MDB sobre o projeto para o país e como se dará essa construção. Confio que chegaremos a um denominador comum. A condução do processo nacional está a cargo de nossos dirigentes partidários que, confio, saberão construir unidade no PSDB e outras agremiações", escreveu nas redes sociais.

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