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Ciro Gomes (PDT), Sergio Moro (Podemos), Jair Boslonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e João Doria (PSDB) são os principais nomes da disputa presidencial em 2022| Foto:

Muitas articulações de bastidores e poucas certezas. É assim que começa o ano eleitoral de 2022 para os pré-candidatos na disputa pelo Palácio do Planalto. O presidente Jair Bolsonaro já tem uma casa – o PL – para concorrer à reeleição, mas ainda há dúvidas sobre quem seria o melhor vice em sua chapa. O seu principal adversário até o momento, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tenta recompor antigas alianças com partidos que se destacam mais pelo pragmatismo político do que pela ideologia, como o MDB e PSD.

Na chamada terceira via, o cenário está "congestionado". São ao menos oito pré-candidaturas alternativas às de Bolsonaro e Lula: Sergio Moro (Podemos), Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), Rodrigo Pacheco (PSD), Simone Tebet (MDB), Alessandro Vieira (Cidadania), André Janones (Avante) e Felipe D’Ávila (Novo).

Confira a seguir como estão as articulações e a situação dos principais presidenciáveis nesta virada de ano:

Lula

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve um 2021 positivo, considerando que seus advogados conseguiram a anulação de suas condenações por corrupção, devolvendo a ele seus direitos políticos. Isso ocorreu após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerou que os casos envolvendo o petista não deveriam ter sido julgados pela Lava Jato em Curitiba.

Essa e outras decisões favoráveis na Justiça, como a suspeição do ex-juiz Sergio Moro, deram impulso à narrativa petista de que Lula seria inocente e que teria sido vítima de perseguição judicial – embora ele não tenha sido absolvido em nenhum dos dois processos em que havia sido condenado por corrupção passiva. O PT e seus aliados aproveitaram o momento para intensificar o marketing, lançando livros e um minidocumentário favoráveis ao ex-presidente.

No fim do ano, durante turnê na Europa, o petista conseguiu marcar mais pontos favoráveis à sua imagem ao ser recebido pelo presidente da França, Emmanuel Macron, pelo primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e por Olaf Scholz, que cerca de um mês depois do encontro com Lula se tornou o chanceler da Alemanha. Também foi recebido com honras pelo presidente da Argentina, Alberto Fernández, e sua vice, Cristina Kirchner.

Mas nem tudo foram flores nas viagens internacionais. Lula foi criticado ao comparar a então chanceler alemã, Angela Merkel, com o ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, em uma entrevista ao jornal espanhol El País. “Temos que defender a autodeterminação dos povos. Sabe, eu não posso ficar torcendo. Por que que a Angela Merkel pode ficar 16 anos no poder e Daniel Ortega não?”, disse Lula, desconsiderando que o regime nicaraguense prendeu todos os principais candidatos de oposição que disputariam as eleições. O apoio que o PT já deu a ditaduras de esquerda, como na Nicarágua e Venezuela, é um dos pontos fracos da candidatura de Lula, que deverá ser explorado por seus adversários em 2022.

Mas Lula já prepara o "antídoto" contra as acusações de que é um radical de esquerda: o ex-tucano Geraldo Alckmin. Adversário do petista nas eleições de 2006, Alckmin saiu do PSDB e negocia a possibilidade de ser vice de Lula em 2022 em outro partido (ele tem convites para se filiar a PSB, PSD ou Solidariedade). No entorno de Lila, a aliança com Alckmin é vista como uma aproximação do ex-presidente ao eleitor de centro e mais conservador. Por outro lado, lideranças petistas e partidos de esquerda, como o Psol, consideram que a presença de Alckmin na chapa com Lula poderia desagradar a militância.

Lula também já está rodando o país em pré-campanha. Em agosto, fez uma caravana no Nordeste, passando por Pernambuco, Piauí, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia, onde se encontrou com políticos e movimentos sociais. Na região, o PT busca aliança com o MDB, em figuras como o senador Renan Calheiros, o ex-presidente José Sarney e o ex-senador Eunício Oliveira, além de tentar angariar apoios estaduais para a campanha presidencial em partidos como PSB, PP e até mesmo PDT. Porém, a segunda etapa da caravana, que passaria por Sergipe, Alagoas e Paraíba, não ocorreu, porque Lula priorizou as viagens internacionais.

O PT também conversa com o PSD, que pretende lançar a candidatura do senador Rodrigo Pacheco à Presidência da República. Parte da sigla defende o apoio a Lula ainda no primeiro turno, caso Pacheco não tenha bons resultados nas pesquisas eleitorais até o segundo trimestre. As alianças, porém, só serão definidas e anunciadas no ano que vem, quando Lula confirmar sua candidatura.

Apesar de estar em pré-campanha, o petista não admite publicamente que concorrerá à Presidência em 2022. Afirma que a decisão só será tomada a partir de março. Mas em sua recente passagem por Buenos Aires, deu declarações que dão a entender que ele será, sim, o candidato do PT. “Se eu ganhar as eleições no Brasil, com o Alberto Fernández aqui [na Argentina] e com um governo progressista no Chile, nós poderemos fazer muita coisa pela nossa querida América do Sul", afirmou Lula em encontro com líderes sindicalistas da Argentina e militantes de esquerda argentinos, brasileiros e chilenos.

Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro começa o ano eleitoral com pelo menos uma certeza: confirmada a sua candidatura à reeleição, concorrerá pelo Partido Liberal (PL), sigla do Centrão que tem a terceira maior bancada da Câmara dos Deputados.

Depois de ficar dois anos sem partido, Bolsonaro – que foi cortejado pelo PTB, PP, Patriota e Republicanos ao longo de 2021 – se filiou à mesma casa do deputado Marco Feliciano, que foi um de seus grandes aliados nas eleições de 2018. Levou consigo o filho Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro que estava filiado ao Patriota, e Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento Regional que pretende disputar um assento no Senado no ano que vem.

Com essa definição, o presidente e seus aliados têm mais base para articular alianças regionais e definir candidaturas ao Congresso e aos governos estaduais. Uma das exigências de Bolsonaro ao se filiar ao PL era indicar o nome dos candidatos ao Senado em todos os estados.

Também devem estar ao lado de Bolsonaro nas eleições de 2022 o Republicanos e o PP – embora haja resistências da sigla em relação a Bolsonaro no Nordeste. A tendência é que eles sejam parceiros estratégicos em 2022. Com eles, o presidente conseguirá mais tempo de propaganda gratuita em rádio e televisão e mais recursos provenientes de financiamento público de campanha. O PTB, apesar de ter sido rejeitado por Bolsonaro, deverá seguir fechado com o presidente.

Se a parceria perdurar, o vice de Bolsonaro – que já disse que não repetirá a dobradinha com o atual vice, Hamilton Mourão – poderá ser do PP ou Republicanos. Especulam-se os nomes de Fabio Faria, ministro das Comunicações que atualmente é filiado ao PSD, mas que deve se mudar para o PP no ano que vem; e do ministro da Cidadania, João Roma, do Republicanos. Ambos são do Nordeste, região em que o presidente tem menor apoio e a única em que ele perdeu as eleições de 2018. O cenário, porém, só ficará mais claro a partir de março.

O presidente também está trabalhando na consolidação do apoio de bases que ajudaram a elegê-lo em 2018: as frentes parlamentares evangélicas, da segurança e da agricultura.

Recentemente, Lula fez um aceno aos evangélicos descontentes com o governo Bolsonaro, mas aliados do presidente calculam que este eleitorado deve continuar apoiando, majoritariamente, o atual chefe do Executivo. Tratando-se de Congresso, a avaliação é a mesma. O Palácio do Planalto estima que a maior parte dos 105 deputados e 15 senadores da bancada evangélica esteja ao lado de Bolsonaro em 2022.

Bolsonaro também tem nos agricultores e nos setores da segurança pública duas fortes bases de apoio, com as quais poderá contar na campanha eleitoral.

Por outro lado, o presidente entrará no ano eleitoral sem apoios que o ajudaram a chegar ao Palácio do Planalto. O PSL, partido pelo qual Bolsonaro se elegeu em 2018, é uma das baixas – embora muitos parlamentares da sigla vão acompanhar o presidente e migrar para o PL ou outras siglas na janela partidária de março.

Luciano Bivar, presidente do PSL, está sinalizando apoio ao ex-juiz Sergio Moro, pré-candidato do Podemos. O partido se fundirá ao Democratas no ano que vem, criando o União Brasil, que terá a maior bancada do Congresso.

Ciro Gomes

O pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, sofreu alguns reveses em 2021 e começa o ano eleitoral com uma candidatura questionada dentro do próprio partido.

O primeiro e talvez o mais significativo impacto veio com a entrada do ex-presidente Lula na corrida eleitoral. Lideranças estaduais do PDT no Nordeste e Sudeste, como o senador Weverton Rocha, um dos principais pré-candidatos ao governo do Maranhão, e Rodrigo Neves, o nome do partido para disputar o governo do Rio de Janeiro, já indicaram que terão palanque duplo nas eleições de 2022, apoiando tanto Ciro quanto Lula.

Com a presença de Lula no jogo eleitoral, também há uma tendência de que o PT aglutine o apoio das forças de esquerda nas eleições para presidente, como o PCdoB, Psol e PSB. A formação de uma federação partidária entre essas siglas está sendo discutida e poderia deixar o PDT isolado entre as forças de esquerda. Se a estratégia de Lula for colocar em sua chapa um vice com capacidade de puxar votos do centro, mesmo desagradando a militância, Ciro pode ter ainda mais dificuldades eleitorais.

O segundo revés veio quando os próprios membros do PDT começaram a questionar a candidatura de Ciro Gomes. Há uma ala que acha que será melhor para o partido que Ciro desista, por causa do isolamento e da estagnação do pré-candidato nas recentes pesquisas eleitorais. O pedetista aparece em quarto lugar com 5% das intenções de voto no cenário em que 12 pré-candidatos foram apresentados ao eleitor, na pesquisa do Ipec de dezembro. Lula lidera com 48%, seguido pelo presidente Jair Bolsonaro (21%) e pelo ex-ministro Sergio Moro (6%).

Mais recentemente, Ciro foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal, parte de um caso que investiga supostas irregularidades nas obras de ampliação da Arena Castelão para a Copa do Mundo de 2014. O pedetista negou qualquer crime e se defendeu, afirmando que tem "absoluta certeza" que houve interferência do presidente Jair Bolsonaro na operação policial. Disse ainda que a operação tem o objetivo de desgastar sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.

Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, negou que a candidatura de Ciro Gomes esteja fragilizada. Quanto às pesquisas eleitorais, disse que “não há com que se preocupar neste momento”. “Estamos a pouco menos de um ano da eleição, tem muita coisa para acontecer”, observou.

Em relação aos questionamentos internos sobre a candidatura de Ciro, ele foi taxativo: “Ciro vai resistir. O PDT vai resistir. Para aqueles que pensam diferente, a porta aberta é a serventia da casa. Serve para entrar os convictos e para sair aqueles que não têm as suas convicções entrosadas com a do partido”.

Sergio Moro

Os líderes do Podemos estão confiantes de que Sergio Moro será a opção mais viável para aglutinar o apoio da terceira via de centro. Desde que se filiou ao partido, o ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro da Justiça tem se posicionado melhor nas pesquisas eleitorais do que os demais candidatos que pretendem romper a polarização entre Lula e Bolsonaro – embora Moro apareça empatado tecnicamente com Ciro Gomes, segundo a pesquisa de dezembro do Ipec.

“Foi um crescimento rápido desde a filiação. E por incrível que pareça, ainda existe um grau de desconhecimento da candidatura dele. Naturalmente, com o processo da campanha andando e as pessoas sabendo que ele é candidato e entendendo que ele é a única via com possibilidades, a tendência é que ele tenha inclusive o voto útil da terceira via”, avaliou a presidente do Podemos, Renata Abreu.

Recentemente, Moro afirmou que "não existe a chance" de ele ser o vice em uma eventual chapa liderada pelo pré-candidato do PSDB, João Doria, governador de São Paulo, mesmo sendo a favor da união dos pré-candidatos de centro. “Temos que nos unir em torno da candidatura com mais chance de êxito. E quem vai dizer isso são as pesquisas [eleitorais]", disse Moro em entrevista à Jovem Pan. "O que temos vistos, analistas falam, é que o maior potencial de êxito contra esses dois extremos [referindo-se ao presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva] é o nosso projeto. Então a aglutinação, em princípio, teria que se dar dessa forma”, continuou.

Apesar do otimismo, o partido não tem muita capilaridade e está investindo seu tempo para formar alianças. Moro já se encontrou com alguns políticos que eventualmente podem se unir à sua campanha em 2022, como o tucano João Doria, Felipe D’Ávilla (Novo), o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM), e os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB).

Para tentar uma aproximação com o MDB, que recentemente lançou a pré-candidatura da senadora Simone Tebet, Moro deve se encontrar em breve com o ex-presidente Michel Temer – preso em uma operação da Lava Jato do Rio de Janeiro por decisão do juiz Marcelo Bretas. O objetivo é romper a barreira com partidos que foram investigados pela Lava Jato.

Outro apoio que será fundamental para a candidatura do ex-juiz é o do União Brasil, partido que será criado com a fusão de DEM e PSL. Mandetta e o deputado federal Luciano Bivar, presidente do PSL, são os principais contatos entre Moro e o futuro partido, que deve se tornar o maior do Congresso.

João Doria

Depois de um processo de prévias repleto de contratempos e divisão interna, o governador de São Paulo, João Doria, foi o escolhido do PSDB para disputar a Presidência no ano que vem. Como ponto positivo, ele conta com a capilaridade do partido e o comando do maior colégio eleitoral do Brasil. Por outro lado, precisa superar a rejeição a seu nome, especialmente no Nordeste, onde seu rival das prévias, Eduardo Leite, contou com o apoio de várias lideranças tucanas.

Wilson Pedroso, coordenador da campanha do paulista, nega que haja uma divisão no partido e afirma que o PSDB também está buscando apoio de outras siglas, sem descartar uma possível união. MDB, Podemos, Novo e União Brasil são os partidos com os quais eles estão em contato. “Este é um momento de diálogo e estamos em contato com todos da terceira via. É possível e é o ideal [que haja apenas uma candidatura da centro-direita em 2022]”, afirmou Pedroso.

Um recente encontro entre Doria e Moro alimentou especulações sobre uma possível aliança entre os pré-candidatos do Podemos e do PSDB em 2022. O paulista avaliou a reunião como positiva para construção de uma base de centro-liberal. Mas ainda disse que ainda é muito cedo para dizer se um dos dois desistirá de concorrer à Presidência para apoiar o outro ainda no primeiro turno. Uma decisão só será tomada no ano que vem, mais perto do prazo limite da justiça eleitoral para definição das candidaturas, no fim de julho.

Demais candidaturas terão alguns meses para se viabilizar

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, reafirmou recentemente que Pacheco será o candidato à Presidência pelo partido, alguém que, segundo ele, representa “a mais importante expressão da renovação na política”. Contudo, o partido mantém diálogo com outras siglas, inclusive com o PT. Uma ala do PSD, inclusive, é favorável à aliança com o ex-presidente petista se a candidatura de Pacheco não decolar nas pesquisas eleitorais em 2022.

No caso da senadora Simone Tebet, a cúpula do MDB pretende viabilizar a candidatura dela até março. A seu favor, tem o fato de ser a única mulher na disputa, baixa rejeição e o suporte de um dos maiores partidos do país. Contudo, até mesmo pelo tamanho da sigla, seu nome não é consenso interno. No Nordeste, por exemplo, lideranças emedebistas são a favor de uma composição com o PT, aproveitando a popularidade de Lula na região.

Felipe D’Ávila (Novo) também está disposto a abrir mão da candidatura à Presidência, mas salienta que este é um momento em que os pré-candidatos estão apresentando propostas e que é preciso “dar tempo ao tempo” para que ideias sejam debatidas. “Por enquanto estamos na fase de apresentar os rostos, mas daqui para frente é preciso cobrar o debate de propostas. É isso que vai fazer com que haja união lá na frente, porque se as propostas forem completamente dissonantes, não haverá união”, afirmou D’Ávila em entrevista recente ao Poder 360.

No Cidadania, a avaliação é de que o senador Alessandro Vieira desistirá da intenção de concorrer ao Planalto nos próximos meses. Membros do partido, inclusive, se reuniram com Sergio Moro e uma aliança com o Podemos em 2022 vem sendo estudada. Apesar disso, oficialmente o partido sustenta que continua apoiando a pré-candidatura de Vieira.

A pré-candidatura do deputado federal André Janones (Avante) é a mais recente. Seu nome passou a ser cogitado primeiro por seus seguidores nas redes sociais e, posteriormente, o partido abraçou a ideia. Janones, que venceu sua primeira eleição em 2018, tem uma forte presença na internet (com mais de 12 milhões de seguidores) e na pesquisa Ipec de dezembro, com 2% das intenções de voto, se saiu melhor do que os senadores e pré-candidatos Rodrigo Pacheco (PSD), Simone Tebet (MDB) e Alessandro Vieira (Cidadania). O objetivo do deputado é ser visto como a "terceira via real" para fazer frente a Lula e Bolsonaro.

Metodologia da pesquisa citada na reportagem

O levantamento do Ipec foi feito de 9 a 13 de dezembro e ouviu 2.002 pessoas em 144 municípios brasileiros. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais e para menos, e o nível de confiança é de 95%.

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