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O ex-presidente Lula, durante discurso.
O ex-presidente Lula, durante discurso.| Foto: Ricardo Stuckert/PT

Faltando cerca de três meses para o primeiro turno das eleições, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda precisa resolver impasses dentro da campanha relacionados aos palanques e alianças estaduais e ao diálogo com empresários.

Questionados pela Gazeta do Povo, líderes do PT disseram que o partido teria avançado em um acordo com o PSB em São Paulo para garantir a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo estadual. O palanque em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, tem sido uma das principais questões que a campanha petista ainda tem de resolver.

Até o momento, o PSB indica que não vai abrir mão da candidatura do ex-governador Márcio França para apoiar o nome de Haddad ao Palácio dos Bandeirantes. Lula chegou a se reunir com França no último final de semana, mas nesta segunda-feira (27), durante evento da Associação Comercial de São Paulo, o ex-governador França indicou que mantém a sua pré-candidatura. "Eles sabem qual é a minha opinião. Eu defendo que uma candidatura como a nossa amplia mais do que uma candidatura do partido dele [Lula]", afirmou França.

Além de São Paulo, o ex-presidente Lula vai embarcar para o Nordeste no próximo final de semana para sacramentar o apoio do PT à candidatura de Danilo Cabral (PSB) ao governo de Pernambuco. Apesar do acordo com Cabral, a deputada Marília Arraes deixou o PT para se filiar ao Solidariedade para entrar na disputa estadual. O movimento de Arraes abriu um segundo palanque para Lula no estado, o que tem gerado incertezas entre nomes do PT e do PSB no estado.

Para tentar contornar a crise, Lula gravou um vídeo na semana passada para reforçar o apoio ao nome de Cabral. "Logo logo estarei no estado de Pernambuco para a caminhada vitoriosa do companheiro Danilo para governador e da companheira Teresa Leitão como senadora da República", disse o ex-presidente.

Palanque no Rio de Janeiro também pode rachar aliança do PT com o PSB

Do Nordeste, o ex-presidente pretende ir ao Rio de Janeiro para tentar contornar a crise em torno da candidatura de Marcelo Freixo (PSB) ao governo fluminense. No estado, o PT exige a indicação do deputado estadual André Ceciliano para o Senado, mas o PSB tem como pré-candidato o deputado Alessandro Molon.

"Os compromissos firmados precisam ser cumpridos, caso contrário nos sentiremos liberados para deixar a aliança com Freixo. Não há caminho intermediário. Ou estaremos juntos com reciprocidade, ou não estaremos juntos", afirmou João Maurício, presidente do PT no Rio de Janeiro.

A consolidação de um palanque no estado é tida como prioridade pela campanha de Lula, tendo em vista que o Rio de Janeiro é o reduto eleitoral do presidente Jair Bolsonaro (PL). Levantamento de junho do instituto Ideia mostrou o petista com 37% das intenções de voto, ante 36% de Bolsonaro. Considerando a margem de erro da pesquisa, que é de três pontos percentuais para mais ou para menos, os dois estão tecnicamente empatados.

Em meio ao impasse com o PSB, o diretório do PT fluminense ainda encampa uma aliança com o PSD, comandado pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes. No estado, o PSD tem como pré-candidato o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Felipe Santa Cruz. A cúpula nacional do PT é contra a manobra, pois isso implicaria em novos desgastes com o PSB. Apesar disso, Lula deve se reunir com Paes e Santa Cruz na sua passagem pelo Rio de Janeiro.

Campanha de Lula faz acenos ao mercado financeiro 

Após lançar seu novo plano com as diretrizes de governo, o PT intensificou os encontros de Lula com integrantes do mercado financeiro. Na avaliação do núcleo de campanha de Lula, o ex-presidente precisa fazer acenos no intuito de reestabelecer pontes com o meio empresarial.

Na semana passada, por exemplo, Lula admitiu que teve um encontro com empresários ao lado de Haddad e de Geraldo Alckmin (PSB), indicado como vice na chapa do PT. De acordo com Lula, a chapa com Alckmin vai garantir a volta do crescimento do país. "E eu, com muita falta de humildade, eu dizia [no encontro]: quem nesse país tem mais autoridade de recuperar esse país do que o Alckmin e eu?", afirmou o petista.

Dias depois, Lula foi recebido em outro jantar promovido pelo empresário José Seripieri Junior, dono da Qsaúde. O anfitrião é aliado de Lula há alguns anos e também chegou a ser preso pela Lava Jato. No fim de 2020, no entanto, fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e pagou uma multa de R$ 200 milhões.

Já no último domingo (26), em jantar organizado pelo grupo Esfera Brasil, Lula voltou a usar a imagem de Alckmin para afirmar que o ex-governador será um vice participativo e que essa aliança simboliza a necessidade de união pelo Brasil. Líderes do PT admitem que a presença de Alckmin será primordial na composição com o meio empresarial.

Metodologia de pesquisa citada na reportagem

A pesquisa do instituto Ideia ouviu, por telefone, 1 mil eleitores do estado do Rio de Janeiro entre os dias 10 e 15 de junho. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-07646/2022.

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