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Moro
Depois de cinco meses filiado ao Podemos, Sergio Moro deixou a sigla para se filiar ao União Brasil| Foto: Divulgação/Podemos

Depois de deixar a corrida presidencial ao trocar o Podemos pelo União Brasil, o ex-ministro Sergio Moro tem concentrado sua agenda no intuito de se viabilizar politicamente para uma vaga no Congresso Nacional.

Ele ainda não bateu o martelo sobre qual cargo pretende concorrer, se deputado federal ou senador, mas tem buscado contatos com lideranças políticas de diversos grupos em seu novo domicílio eleitoral. Moro trocou o Paraná, onde ganhou projeção pelo trabalho como juiz na Operação Lava Jato, pelo estado de São Paulo.

Nas últimas semanas, por exemplo, Moro fez um tour pelo interior paulista e passou por cidades como Santa Isabel, Arujá, Itaquaquecetuba e Mogi das Cruzes, onde se reuniu com vereadores locais. Interlocutores do ex-juiz avaliam que os representantes das Câmaras Municipais podem ser seus cabos eleitorais no pleito deste ano.

"Se quiser construir uma candidatura, ele [Moro] vai sair por São Paulo. Neste primeiro momento a gente tem organizado agendas para que as lideranças regionais sejam apresentadas e propostas debatidas", afirmou o deputado Júnior Bozzela (SP), vice-presidente do União Brasil e aliado de Moro na legenda.

O União Brasil já sinalizou que concorrerá ao Palácio do Planalto com a candidatura do deputado Luciano Bivar (PE), presidente nacional do partido. Uma das possibilidades ventiladas seria de Moro compor como vice. No entanto, lideranças do partido admitem que são remotas as chances dessa chapa ser oficializada.

Com o desembarque do partido das negociações na chamada terceira via, a expectativa é de que os diretórios estaduais do União Brasil sejam liberados para construir alianças de acordo com os interesses regionais. Em Mato Grosso, por exemplo, o governador e pré-candidato à reeleição Mauro Mendes negocia abrir palanque para o presidente Jair Bolsonaro (PL) no estado.

"A harmonia entre mim e o Mauro Mendes interessa não só para Mato Grosso, mas para todo mundo. Estamos fechados e vamos tocar o barco aí", declarou Bolsonaro em entrevista à rádio Metrópole de Cuiabá.

Moro tenta viabilizar candidatura ao Senado e se aproxima de Garcia 

Com a indefinição por parte da cúpula do União Brasil no cenário nacional, Sergio Moro tem buscado lideranças de outros partidos no intuito de viabilizar seu nome para o Senado. Recentemente, por exemplo, o ex-juiz esteve reunido com o governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Rodrigo Garcia (PSDB).

O União Brasil vai estar na coligação de Garcia em São Paulo e tem negociado a indicação ao Senado na chapa tucana. Antes de abrir diálogo com Moro, o governador tentou atrair o apresentador José Luiz Datena (PSC) para a vaga de senador. Contudo, Datena acabou fechando aliança com Tarcísio de Freitas (Republicanos), pré-candidato do presidente Bolsonaro no estado.

O movimento de Datena abre margem, na avaliação de aliados de Moro, para que o ex-juiz viabilize seu nome na chapa de Garcia. Internamente, avaliam que o apresentador pode desistir da disputa, o que ampliaria a viabilidade de Moro no estado.

Levantamento do Instituto Quaest, divulgado no último dia 12 de maio, mostrou Datena na liderança pela corrida ao Senado, com 28% das intenções de voto. Moro aparece em segundo lugar, com 16%.

Sem cravar um prazo para oficializar seus planos eleitorais, Moro afirmou recentemente que seu futuro depende de uma costura dentro do União Brasil.

"Em breve deve ter essa definição. Eu entrei num novo partido, como a gente não pode entrar como dono da bola, estamos construindo isso dentro do partido", disse Moro.

Ex-juiz resiste em disputar cargo de deputado por São Paulo 

Paralelo aos acordos para viabilizar seu nome ao Senado, Moro tem resistido aos planos da cúpula do partido em lançá-lo na disputa por uma vaga de deputado federal por São Paulo. Nos cálculos, líderes do União Brasil avaliam que Moro teria uma votação expressiva para Câmara e com isso poderia ampliar o número de eleitos pelo partido no estado.

O ex-juiz, no entanto, tem resistido ao movimento do partido, alegando que como puxador de votos poderia acabar elegendo, com sua votação, nomes controversos ou sem qualquer afinidade programática. "As eleições são em outubro, então isso está sendo discutido ali dentro do partido: qual vai ser exatamente a minha posição, e tem uma série de alternativas à disposição. Eventualmente para algum cargo legislativo ou para algum cargo no Executivo, mas pode ter certeza que isso vai ser anunciado no momento apropriado", garantiu Moro.

A expectativa, no entorno do ex-juiz, é de que uma definição ocorra ainda neste mês de maio. Caso seja indicado para a vaga ao Senado na chapa de Garcia, Moro pretende acompanhar o governador em agendas pelo interior do estado de São Paulo, onde o PSDB acumula o apoio de mais de 300 prefeitos.

Paralelo à candidatura ao Senado, o ex-juiz ainda trabalha para que sua esposa Rosângela Moro dispute uma cadeira na Câmara dos Deputados. A mulher do ex-juiz também se filiou ao União Brasil e transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo.

Metodologia da pesquisa citada

O Instituto Quaest entrevistou 1.640 eleitores do estado de São Paulo entre os dias 6 e 9 de maio. A margem de erro é de 2,4 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%. O levantamento foi encomendado pelo Banco Genial e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral com o protocolo SP-00620/2022.

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