
O Coritiba apontou a torcida organizada Império Alviverde como a principal responsável pela violência ocorrida após a partida contra o Fluminense, domingo, no Couto Pereira. Por nota oficial e em entrevista do presidente Jair Cirino, o clube afirma que não tem dúvidas de que foram membros e dirigentes da organizada os autores da selvageria e pediu punição exemplar.
"Não só temos certeza absoluta (da autoria da organizada), como imagens e vídeos que temos condizem com essa certeza. Além disso, corrobora as ameaças que sofri pessoalmente", afirmou Cirino, lembrando de quarta-feira passada, quando foi cercado por 30 membros da facção, no Couto Pereira. "Não só me ameaçaram, mas ao patrimônio do clube".
A uniformizada foi aliada da diretoria durante toda a gestão de Cirino. No jantar do centenário, em outubro, uma bandeira da facção adornava o palco do evento, que teve a bateria da Império como atração.Ontem, o dirigente anunciou a tardia ruptura. Avisou que o clube está à frente da identificação dos integrantes da torcida que protagonizaram o quebra-quebra. Ainda não há a conta do prejuízo com o vandalismo, mas estima-se que bata nos R$ 500 mil.
O dirigente explicou o motivo da demora de dois dias para falar. Queria primeiro se reunir com membros dos dois conselhos (Administrativo e Deliberativo) para, de cabeça mais fria, tomar as decisões certas. Estava bem orientado. Leu todo o pronunciamento e depois respondeu a apenas dez perguntas, uma para cada órgão de comunicação que estava presente. Por isso, boa parte das dúvidas sobre o futuro alviverde permaneceu da mesma forma, sem resposta.
O dirigente pouco falou sobre o que, na opinião dele, causou a queda. Tratou apenas de repetir o que já havia dito em várias outras oportunidades. Voltou a falar na semifinal da Copa do Brasil, na contratação de Marcelinho Paraíba e que o Coritiba tinha uma equipe melhor que muitas outras no Brasileiro. Até a ideia de continuar à frente do clube, o que nos bastidores vinha sendo tratado como algo inviável, permaneceu: Cirino é o primeiro candidato para presidir o Alviverde em 2010/11.
"Não seria pela queda que deixaria o projeto de continuar na presidência do clube. Se já era presente com a permanência, se reforçou ainda mais com a queda", disse, para depois afirmar que, se isso ocorrer, continuará "com os mesmos métodos de gestão".
O que deve mudar é boa parte do G9. O grupo deverá ser reformulado. Com o adiamento da eleição para 21 de dezembro e da extensão do prazo de inscrições para as 18 horas do dia 16, o dirigente pretende formar o novo grupo nos próximo dias.
Por ora, garantiu a permanência do gerente de futebol, Felipe Ximenes (João Carlos Vialle e Maurício Cardoso devem sair), do técnico Ney Franco e avisou que fará uma redução radical de gastos para conseguir encaixar a folha de pagamento (atualmente em R$ 1,5 milhão) no orçamento reduzido do ano que vem, quando receberá apenas R$ 500 mil mensais da tevê, dinheiro que, em boa parte, está consignado por empréstimos para pagar.
"Vamos buscar ampliar o número de sócios, investir nas categorias de base, lutar por patrocínios, enxugar a máquina e rever alguns contratos (de atletas)", disse.
Parte dessa redução no orçamento deve vir com a saída de Marcelinho. Segunda-feira à noite, após a entrega do Prêmio Craque Brasileirão, o meia disse ter medo de voltar a Curitiba.
"Fiquei assustado com aquilo tudo. Você logo pensa em como vai proteger a sua família daquilo tudo. Tenho contrato até junho, mas vamos ver o que vai acontecer até o final do ano", afirmou o jogador.



