O comitê paranaense para Copa de 2014 repassará o ultimato que recebeu da CBF ao Atlético. Ou o clube se posiciona, participa e aceita efetivamente uma nova proposta para viabilizar financeiramente o término da Arena da Baixada ou está fora do Mundial.
Duas reuniões, uma nesta sexta-feira (6) e outra na segunda-feira (9), definirão se as autoridades precisarão partir para um plano B. O primeiro encontro servirá para o governador Orlando Pessuti e o prefeito Luciano Ducci chegarem a uma nova fórmula para conseguir a verba necessária para o término da Arena. O segundo, para saber se o Rubro-Negro aceitará a proposta.
A alternativa que deverá ser apresentada ao presidente atleticano Marcos Malucelli pelo poder público ainda não está definida. A mais provável é a utilização do Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE) do estado.
A verba estatal seria emprestada ao Atlético. Como garantia de pagamento, o clube daria títulos de potencial construtivo no mesmo valor. Estes, por sua vez, seriam cedidos pela prefeitura. A operação complexa necessitaria aprovação da Assembleia Legislativa e Câmara dos Vereadores.
Nos mesmos moldes, na quarta-feira, esse tipo de garantia foi negado pelo BNDES. O banco estatal afirmou que só financiaria os 2/3 das reformas (o restante o Furacão aceita pagar) se uma construtora topasse emprestar o dinheiro e empenhasse seus próprios bens.
"Tem de levar uma proposta de forma mais conclusiva [ao Atlético]. E daí, se não der, tem de discutir um outro plano [leia-se novo estádio]", avisa Luciano Ducci."O FDE é uma das principais opções que estão sendo discutidas. E usa o potencial construtivo. Essa é uma saída boa, uma das principais", completa.
O eco foi ainda mais forte no governo estadual. "Vamos sentar com o Atlético e procurar uma solução definitiva. Quer, quer. Não quer vamos para outra alternativa", alerta Algaci Túlio, secretário especial para a Copa.Um dos motivos da irritação é que de acordo com o poder público - em nenhum momento a diretoria da Baixada afirmou de forma clara que realmente aceitaria os títulos do potencial como contrapartida para tomar os empréstimos. Mesmo antes de a negativa do BNDES. E o discurso de Malucelli não deve mudar.
"Que venha essa reunião e vamos aguardar o que eles [comitê da Copa] têm para nos dizer", afirma o dirigente, alegando não ter sido avisado oficialmente de nada dos últimos acontecimentos referentes ao Mundial. "Quero ficar marcado como o presidente que não endividou o clube", reitera.
Contra o tempo
Apesar da pressão, as autoridades garantem que vão esgotar todas as tratativas para manter o estádio atleticano no torneio da Fifa. Qualquer nova praça esportiva custará bem mais caro do que os cerca de R$ 150 milhões necessários na adequação da casa rubro-negra.
O prazo de Curitiba está se esgotando. Mesmo ainda sem existir uma iniciativa concreta de plano B, o presidente da CBF e do Comitê Organizador Local (COL), Ricardo Teixeira, foi avisado de que caso a Arena não vingue, outra solução será apresentada.
A pressa para definir o impasse não ocorre apenas pelo alerta dado por Teixeira. Como é ano eleitoral, por exigência da Caixa Econômica Federal o governo paranaense tem até o dia 2 de setembro para assinar os financiamentos de obras que serão realizadas pela cidade.
O dinheiro virá do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), criado para a Copa. Mas, para boa parte das melhorias, é preciso saber com exatidão onde será a praça esportiva que será utilizada.



