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Quem passou pelo Maracanã sentiu de perto como funcionam as nossas obras públicas: diante do atraso para a entrega da obra e com a Fifa marcando em cima, a última semana registrou fluxo intenso de caminhões e tratores, operários trabalhando sem parar fora e dentro dos muros, pintando paredes, tetos, placas de informação, limpando as calçadas e os canteiros de plantas, outros trabalhos de acabamento que ainda levarão semanas.

Ao vivo ou pela tevê, o novo Maracanã ficou deslumbrante, com gramado perfeito, moderna arquitetura – que segue padrão consagrado pelos estádios europeus, desde o surgimento da Arena de Amsterdã e do Stade de France até os mais recentes no Brasil –, arquibancada colorida, excelente infraestrutura que, com os ajustes necessários, oferecerá muito conforto e segurança ao público que, evidentemente, não será mais àquele mostrado pelas imagens do Canal 100 nas antigas gerais do velho estádio. A R$ 200 o ingresso mais barato, mudará o perfil da plateia futebolística.

No caso dos clubes, vai se dar bem aquele que conseguir arregimentar milhares de sócios, que pagarão praticamente a mensalidade equivalente ao preço da entrada de uma partida nas novas praças que estão surgindo. Daí a importância de o clube possuir um belo e grande estádio para explorar a arrecadação com associados, ingressos de eventos que tanto podem ser esportivos como no vasto leque dos espetáculos em geral, área de alimentação, lojas etc.

O problema será daqueles que não despertaram para a nova ordem no futebol e acreditaram que seriam beneficiados pelos estádios públicos, que foram privatizados para grupos de investimentos e empreiteiras. O jogo de abertura da Arena Mané Garrincha, em Brasília, foi emblemático: o Santos tinha o mando de campo e vendeu barato para um grupo privado, o Flamengo levou a torcida e nenhum dos dois ficou com a maior parte do dinheiro.

Há cinco anos, Flamengo, Fluminense, CBF e ISG – empresa inglesa de investimentos – firmaram protocolo, investiram em estudos de viabilização, projetos econômico-financeiros, projetos arquitetônicos e de engenharia, pesquisas de mercado e entendimentos com o governo do estado do Rio de Janeiro para ficar com o Maracanã. Como se sabe, o palco mais charmoso do futebol brasileiro caiu no colo de um grupo privado, deixando a dupla Fla-Flu a ver navios.

Diante do risco de pagar a conta do investimento bilionário nos estádios para a Copa do Mundo, os clubes começaram a rever projetos muito mais rentáveis e adequados às suas necessidades.

Por isso, o Galo mineiro só manda jogos no Independência e o Cruzeiro começa a sentir o peso do custo do Mineirão – candidato a síndrome do elefante branco – do mesmo jeito que o Flamengo estuda a revitalização da Gávea, com a construção de um estádio para 30 mil pessoas.

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