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No livro As viagens de Gulliver o herói viaja por países imaginários e, em Liliput, os habitantes têm 15 centímetros de altura; em Brobdingnag, têm 18 metros; há também um país onde cavalos dotados de raciocínio e de razão governam antropoides degradados.

Trata-se de ficção satírica, em que se critica a sociedade inglesa da época e se pretende provar a relatividade das teorias intelectuais e das instituições políticas.

Lendo a nota do advogado e professor Luiz Fernando Pereira consegui entender um pouco os motivos que levaram os conselheiros do Atlético, mesmo com apertada maioria de votos, a aprovar a criação da Funcap. Mas, apenas ontem, consegui captar o espírito do projeto. Ou o espírito da coisa, se preferirem. Até então, li e ouvi notícias e comentários inconclusivos, opiniões desencontradas de conselheiros, associados e, sobretudo, completa falta de transparência para tema tão relevante na vida do clube.

Se tudo será positivo para a instituição, como explicou a nota do meu amigo Pereirinha, as coisas teriam tomado outro rumo se ela fosse apresentada a todos antes e não depois da turbulenta reunião que aumentou o grau de desconfiança e desconforto político no Atlético. Pela matéria publicada nesta Gazeta no dia da votação, a maioria dos conselheiros – portanto daqueles que decidiriam o futuro do clube – desconheciam a matéria e, com razão, desconfiavam do que estava em jogo.

Por isso me lembrei das histórias escritas por Jonathan Swiff, pois há muito tempo o senhor Mario Celso Petraglia age como o gigante de Gulliver no comando do Furacão. Ele é o maior dirigente da história do clube e todos reconhecem isso, até mesmo os adversários políticos. Porém, mesmo sentindo-se como anões liliputianos, todos exigem respeito e consideração.

É isso que falta ao gigante Petraglia que, pelo jeito, não tem noção exata do que representa a sua estatura como empreendedor, planejador, executor de obras e operador-mor da administração geral do clube. Por ele não gostar de conversar com pessoas independentes, de não aceitar o contraditório e de não possuir capacidade para o diálogo franco com a mídia, sofre as consequências.

Bastava explicar os objetivos do Funcap, como procedeu o professor Luiz Fernando Pereira, de maneira civilizada e transparente. Não precisava perder as estribeiras, gritar, brigar e sair da reunião batendo as portas. Bastava abrir o assunto da mais alta indagação para todos os atleticanos – sócios, conselheiros e torcedores em geral – que tudo estaria resolvido.

Pela postura adotada e pelas vias percorridas, com certeza o caso terminará na Justiça comum. Lamentável sob todos os aspectos, sobretudo porque os atleticanos admiram o gigantismo de Petraglia e não se incomodariam de sentir-se um pouco liliputianos se houvesse um pouco mais de comunicação.

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