Dizem que excesso de go­­verno é ruim, mas a falta de é pior. Pois se isso vale para a sociedade e o mercado, no futebol não é diferente.

Com preocupação observamos a ausência da CBF no Campeonato Brasileiro em andamento.

Se não uma ausência, pelo me­­nos um distanciamento, passando a impressão de que as desastrosas arbitragens não têm nada a ver com ela. Ou, o que é mais provável, o presidente da CBF anda tão en­­volvido com a realização da Copa de 2014 e com a sua eleição para comandar a Fifa que não tem tempo para preocupar-se com coisas menores.

De nada adianta o campeonato estar pegando fogo, com três candidatos ao título – Fluminense, Corinthians e Cruzeiro –, três candidatos à última vaga na Liberta­­dores – Grêmio, Atlético e Bota­­fogo – e meia dúzia de equipes lutando contra o rebaixamento, se o tema recorrente são as péssimas arbitragens.

Ao optar pela estratégia do avestruz, enfiando a cabeça num buraco, supondo que assim se livrará do incômodo volume de reclamações dos clubes prejudicados pelas más interpretações das regras do jogo, a entidade nacional comete um grande equívoco.

Ela age como se os prejuízos sofridos por quase todos fossem em outro hemisfério. Mas não são. Todos protestam e registram os clamores, mas a CBF limita-se a suspender por algumas partidas aqueles juízes ou bandeirinhas que erram de forma mais escabrosa. Três ou quatro rodadas mais tarde, e lá estão os mesmos senhores, despidos de qualquer temor, reincidindo nas falhas simplesmente porque não sabem fazer diferente.

Fazer vistas grossas ao caos da arbitragem compromete o andamento do campeonato que também tem sofrido abalo moral com os pedidos de "entrega" de resultados nas rodadas finais.

O problema da arbitragem no Brasil já alcançou o nível de epidemia e requer urgente intervenção, seja por parte da própria CBF – o que parece improvável diante do seu imobilismo – ou do Clube dos 13, que reúne os interessados.

Argumentar que só com a utilização dos recursos eletrônicos irá melhorar o nível da arbitragem é tentar reduzir a dimensão da mediocridade dos apitadores em ação. Para interpretar a lei do im­­pe­­dimento ou, sobretudo, a existência ou não de falta dentro da área para a marcação de pênalti, não são necessárias câmeras de precisão ou olhos eletrônicos. Bas­­ta o posicionamento adequado, acompanhamento da jogada e equilíbrio no ato de assinalar a ocorrência.

Sou favorável à utilização dos modernos equipamentos, especialmente para dirimir dúvidas quanto à ultrapassagem da bola na linha do gol, mas acredito que além disso será fundamental uma melhor preparação dos futuros apitadores e auxiliares. Além, é claro, da completa profissionalização da categoria.

Não é mais tolerável que um futebol altamente profissionalizado mantenha a arbitragem em padrões de amadorismo.

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