No clássico Paratiba, o treinador do Paraná Clube, Roberto Cavalo, exibiu refinada competência ao montar a equipe, não permitindo espaços gratuitos ao time coxa branca – atitude corretíssima, afinal, estava enfrentando o líder da competição no estádio dele, onde em dois jogos fez dez gols.

Por toda essa situação de pleno conforto do Coritiba, a maior preocupação era do comandante paranista, principalmente, no meio de campo.

Quem entende de futebol sabe que, naquele setor do gramado, a famosa zona de inteligência, aquele que leva vantagem fica mais próximo do triunfo. Daí a opção do Tricolor de posicionar-se atrás da linha do círculo central, o que foi fundamental para complicar os alviverdes.

Na mão oposta, sentiu o reflexo de tudo o desempenho tático de Ney Franco, que promoveu o retorno do volante Leandro Donizete. Este e Léo Gago, ao contrário dos jogos anteriores, pegavam na bola, tocavam para os lados ou para trás, porque o meia atacante Rafinha, bem marcado pelo volante Edimar ou Luís Henrique Camargo, aparecia pouco no jogo.

Na mesma situação estava também o meia Enrico que tinha a incumbência de se aproximar como segundo atacante, ao lado do artilheiro Leonardo. Isso não aconteceu e Enrico, percebendo que a bola não chegava a Leo­­nar­­do, por várias vezes, saiu atrás dela, perseguido pelo zagueiro Alessandro Lopes ou Irineu, com Luís Henrique na sobra.

Com essa marcação da zaga e também dos alas Murilo e Hen­­rique, a defensiva do Tricolor tornou-se mais segura, não permitindo nenhum lance de perigo ao gol, embora o Coritiba tivesse mais posse de bola.

Pensando em ganhar mais velocidade, Roberto Cavalo voltou do intervalo com Somália no lugar do atacante William. Isso possibilitou que a equipe paranista se tornasse mais ofensiva, permitindo ao time alviverde que chegasse mais próximo ao gol.

Ainda assim, o comandante do Tricolor não se intimidou e foi tão ousado que abriu mão do ala Henrique, lançando o atacante Kelvin pela esquerda.

Ora, essa sacada do Cavalo dificultou a estratégia aplicada por Ney Franco. Este, ao lançar Marcos Aurélio, tirou Fabinho Capixaba, passando Rafinha para a ala direita, que fez uma única boa jogada. E mesmo com mais volume de jogo, o Coxa teve somente uma oportunidade clara de gol com Enrico, que finalizou em cima do goleiro.

O resultado de 0 a 0 nesse Para­­tiba aponta para a realidade de uma partida tecnicamente fraca, mas o Paraná Clube, diante daquilo que se propôs, jogou com competência e assustou os donos da casa. É isso.

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