Um novo perfil profissional de ex-atletas surge agora, o de gestor. Juninho Paulista surpreende no comando do Ituano. Em recente entrevista, deu uma aula objetiva sobre gestão no futebol. Da mesma forma se expressa o também pentacampeão Ricardinho. Ambos enfatizam o amadorismo que existe no espaço entre a presidência e os atletas.

Em busca do lucro voraz, muitos perdem o mel e matam a abelha. Diretor de futebol, dizem, é na maioria um aprendiz. Um curioso. Função que é ponto chave para o êxito ou o fracasso de um time. Muito mais do que a capacidade do treinador, Juninho e Ricardinho conhecem bem esse meio campo. Ricardinho cairia melhor como gestor ou manager, nunca como treinador. O Paraná Clube, agora com Drubscky, deveria pensar nisso.

O sujeito que assume esse cargo precisa de vivência e olho clínico para buscar fora, ou lapidar dentro. Jogador que vem da base não pode ser tolhido daquilo que traz na essência – o improviso, o drible, a alegria, a diversão (com responsabilidade). No musical biográfico de Elis, A musical, peça de teatro imperdível e que agora está em São Paulo, o coreógrafo Lennie Dale explora o potencial inato da maior cantora do país, ensinando-lhe uma imensa variedade técnica de gestos que a gaúcha não tinha. Elis era amadora como tantos artistas de vários segmentos, inclusive da bola, mas que teve um profissional diferenciado para fazê-la explodir.

Marcos Guilherme, assim como foi Harrison no ano passado, está quase pronto. Pode virar estrela ou não. Petkovic foi o Lennie Dale – na comparação técnica, evidente – que deu liberdade ao jogador, ao contrário do técnico anterior, que castrava a criatividade de Marquinhos. Vi muitos piás talentosos. Alguns bem amparados; outros tolhidos. Muitos ficaram pelo caminho. Tributo deve ser dado aos mestres de Alex, Everton, Thiago Neves e outros que tiveram anjos, arcanjos e querubins ao seu lado. O futebol é grato e ingrato.

O Norte do Paraná é fértil na geração de craques. Por lá existem ainda muitos campinhos naturais, esburacados, onde o menino aprende dominar a bola com um grau de dificuldade semelhante ao pião no lombo do cavalo indomável. O que faz bem.

Maringá e Londrina mereceram a final que começa amanhã. Foram os melhores. Cidades ricas, belos estádios e tradição no futebol. Neste momento, porém, bilhões de abelhas estão morrendo, causando um desastre ambiental que ameaça a todos. Os produtos químicos, os pesticidas são os culpados. Kléberson, Fernandinho, Rafinha e tantos outros são abelhas que saíram das colmeias do Norte do estado. As categorias de base de todos os clubes – inclusive de Londrina e Maringá – precisam ser geridas por apicultores responsáveis, para que não se perca o enxame. A Zebra e o Tubarão têm o pão e o mel. Divirtam-se.

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