Alex será determinante nas duas decisões mais importantes do Coritiba neste fim de ano. A primeira se arrastará até o início de dezembro, a luta contra o rebaixamento. A segunda será seis dias depois do encerramento do Brasileiro, com a eleição do próximo presidente do clube. As duas estão entrelaçadas e Alex é capaz de levá-las para lados totalmente opostos.

A prioridade absoluta de Alex é livrar o Coxa da Série B. Quanto mais bola ele jogar, maior a chance de o Coritiba permanecer na elite do futebol brasileiro. Paradoxalmente, o sucesso de Alex – e do Coritiba – na luta contra o rebaixamento aproximará o presidente Vilson Ribeiro de Andrade de mais um mandato.

Alex jamais escondeu seu descontentamento com a administração de Vilson. Sentiu-se enganado ao não ver nem metade do que Vilson e Ximenes prometeram a ele em 2012 ser cumprido. Ficou especialmente irritado com a cobrança pública do presidente ao elenco na reta final do Brasileiro do ano passado, o pedido por "vergonha na cara". Essa insatisfação – que não é só dele, mas de pelo menos parte do elenco – foi exposta na carta de fevereiro, na faixa do Atletiba e na entrevista de Alex à colega Ana Luzia Mikos, mês passado, aqui para a Gazeta do Povo. E ganhou definitivos contornos eleitorais com a inscrição de Daiane, mulher de Alex, na chapa da oposição, como integrante do Conselho Deliberativo.

Mais do que qualquer outra, essa eleição do Coritiba estará sujeita ao resultado do time dentro de campo. O colégio eleitoral com mais de 9 mil coxas-brancas é composto quase integralmente por sócios-torcedores. Gente que paga mensalmente para sentar na arquibancada e ver o Coritiba em campo. Que espera o retorno do seu investimento em vitórias e títulos.

É um perfil totalmente diferente das eleições com colégio eleitoral menor, restrita a conselheiros e donos de cadeiras das sociais. Este associado é mais suscetível ao discurso do controle da dívida e do crescimento patrimonial, mesmo a uma conversa olho no olho com o candidato a presidente. Somente esse colégio eleitoral menor explica resultados nas urnas opostos ao desempenho em campo. Em 2005, o Coritiba caiu em um dia e Gionédis foi reeleito no outro. Em 2007, Viale montou o time campeão da Série B, mas perdeu a eleição para Cirino por um voto.

Com o voto saindo da arquibancada para urna, reduz o espaço para essas contradições. Se o Coritiba cair dia 7 de dezembro, de nada adiantará Vilson falar em dívida, tetra estadual, finais de Copa do Brasil ou nova Mauá. O rebaixamento falará mais alto e a oposição ganhará força. Se o Coritiba escapar, o discurso da gestão se fortalece.

Alex dará tudo para evitar o rebaixamento. Não quer isso para o clube que ama nem para o fim da sua carreira. Mesmo que isso afaste o Coritiba do que seu coração coxa-branca deseja.

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