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Na semana passada, conheci um pouco mais da Argentina. Lá, como aqui, as pessoas estão apreensivas com a crise financeira mundial. Lá, como aqui, adoram futebol. Lá, como aqui, poucos acreditam em previsões de comentaristas econômicos e esportivos.

Os argentinos não gostam de ver Maradona como técnico da seleção. Preferem idealizá-lo e adorá-lo como mito, além da racionalidade humana. Será que vão chamá-lo de burro?

Mas pode dar certo. Se Dunga, mesmo sem agradar, obteve até agora resultados iguais aos de técnicos famosos e experientes, Maradona poderá ter ainda resultados melhores, já que a Argentina tem atuado mal nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010 e teria grandes chances de crescer neste ano com qualquer técnico. Maradona é também um ídolo dos jogadores. Além disso, técnico não é tão decisivo, como muitos pensam, ainda mais em uma grande seleção com pouco tempo para treinar.

O grande desafio para Maradona será o mesmo de Dunga, que é arrumar um lugar para quatro talentos do meio para frente (Messi, Riquelme, Agüero e Tévez), sem fragilizar a marcação. No Brasil, os quatro são Kaká, Robinho, Ronaldinho e um centroavante.

Após assumir o cargo, Maradona tem tido um comportamento mais tranquilo e menos polêmico. Ele tem viajado para assistir aos times europeus e aos jogadores argentinos. Isso poderá atenuar as críticas de que ele é muito explosivo e que não está atualizado.

Espero que Maradona não siga a cartilha dos europeus, como fazem Dunga e outros treinadores brasileiros e argentinos. Brasil e Argentina podem ser eficientes sem abandonar os seus estilos.

A Argentina continua apaixonada pelo vinho, pela carne, pelo tango, por seus ídolos e pelo futebol. Todo argentino se acha um grande entendido em futebol e em tango. Entrei em uma loja para comprar um CD de Astor Piazzolla e o vendedor me deu uma aula sobre a história do músico e do tango.

O tango baila e canta o encontro e o amor impossível, o que nunca dará certo, e não o que não deu certo. O tango é uma nostalgia, uma saudade de coisas que nunca existiram. Essas são as que estão mais presentes em nosso imaginário.

As livrarias na Argentina estão sempre cheias. Os livros de Paulo Coelho só não são mais destaques do que os de Jorge Luis Borges. Para os argentinos, Maradona é melhor que Pelé e Borges é melhor que Paulo Coelho ou qualquer outro escritor brasileiro.

O último sucesso de Paulo Coelho, Palavras essenciais, mais um fenômeno mundial de vendas, é uma seleção de frases óbvias, banais e de auto-ajuda, escritas em seus outros livros. Será que as novas gerações vão tratar Paulo Coelho como um sábio e um profeta?

O "mago" Paulo Coelho faz parte também da atual seleção brasileira. Na Copa de 2006, ele era um dos convidados da CBF. Na festa da Fifa para anunciar o Brasil como sede da Copa de 2014, Paulo Coelho estava ao lado de seu amigo Ricardo Teixeira e fez até discurso.

Pelo jeito, Paulo Coelho vai sentar ao lado de Dunga nas partidas do próximo Mundial. Vai ser o guru do técnico.

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