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Virou febre

Nos fins de semana, dezenas de adultos e crianças se reúnem na Praça da Ucrânia para trocar figurinhas do álbum da Copa

  • Leonardo Bonassoli, especial para a Gazeta do Povo
Felipe Cuevas (esquerda) é um dos vários adultos que aderiram à febre. Já Lucas Gragnano se diverte “agenciando” figurinhas |
Felipe Cuevas (esquerda) é um dos vários adultos que aderiram à febre. Já Lucas Gragnano se diverte “agenciando” figurinhas
 
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Virou febre

A tarde chuvosa de sábado bem que poderia tê-los espantado, mas aficcionado que é aficcionado não fica em casa nas intempéries. No caso, eles são doentes pelo álbum da Copa do Mundo 2010. A Praça da Ucrânia, no bair­­ro Bigorrilho, em Curitiba, é o tradicional point dos colecionadores há vários Mundiais. Sempre nas tardes de sábado e manhãs de domingo. Eles estavam em número de aproximadamente 30, protegendo-se sob as marquises das bancas e barracas, fazendo trocas e buscando aquela figurinha que falta para completar o time ou deixá-lo menos desfalcado.

“Se tivesse sol, teria um monte de gente até o final da praça”, disse um colecionador de passagem, correndo, pois a chuva apertara.

É gente de várias idades e origens. Muitos pais e filhos transformando o álbum em um negócio de família, com os mais velhos intermediando as trocas. Outro fenômeno bem visível é o de adultos e crianças interagindo nos negócios, trocando um Kaká por um Simon Kjaer ou um Didier Drogba por um Tim Cahill.

O turismólogo Felipe Cuevas, de 29 anos, é um dos que estavam trocando com crianças. Ele aproveitou que a noiva tinha aula ali perto e foi descarregar os cromos repetidos e pegar novos. “Venho aqui todo fim de semana e troco com quem tiver. Tem gente que vende, mas eu prefiro trocar”, disse Cuevas, colecionador desde criança. “Eu cheguei a fa­­zer dois álbuns na Copa passada, mas agora estou me controlando. Só faltam cem e já tenho completas algumas seleções.”

“A 194 está aí? É para o menino que só falta uma”, assim a conversa foi interrompida pelo estudante Lucas Gragnano, de 17 anos, um dos intermediadores. Ele se auto-definiu como um “agenciador de figurinhas”, que transmite as demandas entre diversos colecionadores. “Aqui, todo mundo se ajuda”, disse.

Gragnano apresentou um cálculo curioso e certeiro de quanto custa completar o álbum. “São 640 figurinhas. Cada pacote vem com 5. O álbum custa R$ 3,90, mas descobri que você ganha ele se comprar dez pacotes. Você gastará R$ 96 se não comprar o álbum, usando a promoção”, afirmou. A reportagem refez os cálculos e aferiu a matemática do estudante. Mas é necessário comprar “apenas” 640 unidades. A partir daí, começar a trocar as repetidas.

O técnico em telecomunicações Hercildo Alves, de 46 anos, levou os sobrinhos para a praça. Entre eles, estava Isabel Akemi, de 10 anos, vinda de Florianópolis para passar o Dia das Mães com a avó. “Aqui é mais fácil. Lá não tenho tempo para trocar e não sei onde o pessoal se reúne”, afirmou a menina.

Alves revelou que está começando um álbum só com o que sobra dos sobrinhos. “Eu comecei a colecionar figurinhas com as Balas Zequinha. Ainda tenho umas 20 daquela série que saiu no tempo do governador Ney Braga. Lembro que fechamos a rua em que morávamos para fa­­zer as trocas,” recordou. As figurinhas da Zequinha foram usadas na campanha do ICMS (Im­­posto sobre a Circulação de Mer­­cadorias e Serviços), no segundo governo de Ney Braga, em 1979, prova de que o costume atravessa gerações e tendências.

Mesmo com tanta experiência presente, um conselho sensato é dado pela jovem Isabel. “Se vier aqui trocar, aproveite seu tempo antes para organizar as figurinhas. Separe por número e por seleção. Fica mais rápido para trocar e se achar. Or­­ganize-se bem”, ensinou a pe­­­quena colecionadora.

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