
Dentre os grandes legados da Copa, um deles seria usar o torneio para mostrar o Brasil como um destino turístico mais atraente e um ambiente propício para investimentos e negócios. O plano era interessante, mas com os sucessivos atrasos de obras, o cancelamento de projetos de infraestrutura e o fluxo de turistas abaixo do esperado, a oportunidade de criar uma nova imagem para o resto do mundo parece estar sendo perdida.
INFOGRÁFICO: Veja os maiores destinos turísticos do mundo
Com a proximidade do torneio, os olhos do mundo se voltam para o Brasil e algumas das mazelas na organização do Mundial tomam o noticiário internacional. "As notícias ruins como desorganização, superfaturamento e morosidade nos investimentos estão muito mais presentes nas capas dos jornais estrangeiros do que as novidades positivas", diz o professor de economia especialista em turismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), Silvano Matias. Segundo ele, a imagem do Brasil como um país interessante para negócios melhorou na última década, "mas aquela que poderia ser a confirmação do desenvolvimento do país pode virar um revés", opina.
De acordo com uma pesquisa preparatória do Ministério do Turismo, 60% dos estrangeiros que visitam o Brasil vêm a lazer e outros 21%, a negócios. "Este segundo público tem um grande potencial de crescimento, mas deve ser aquele que mais vai ser afetado pela desorganização da Copa", afirma Matias.
A pesquisa do ministério aponta que 90% dos visitantes têm suas expectativas correspondidas e pretendem voltar ao país. Metade dos visitantes afirma que a receptividade do povo brasileiro é o que o país tem de melhor.
De acordo com Antônio Ribeiro, gerente de marketing e imagem da consultoria de mercado do turismo QualiTur, a hospitalidade ainda é, de fato, o componente mais determinante para fazer um turista voltar para um país após a primeira visita. "A facilidade de mobilidade, preços e opções de lazer são muito importantes, mas a hospitalidade é fundamental", afirma.
Para Ribeiro, o país conta com um bom prestígio internacional no setor de turismo. "O Brasil tem pontos turísticos dos mais chamativos do mundo e os profissionais do setor são bem preparados, independentemente da Copa. Se não vamos capitalizar como imaginávamos, a imagem deve pelo menos se manter", explica.
Grandes eventos
O turismo que mais perde, nesta situação, é o ligado a grandes eventos, como megafestivais e grandes competições esportivas. "Os eventos de médio porte vão continuar acontecendo, mas o país dá mostras de que não está preparado para receber os maiores eventos do planeta", diz o presidente do Curitiba Convention & Visitors Bureau (CCVB), Dario Paixão.
Negócios - Empresários planejam criar laços comerciais com estrangeiros
Pelo menos 700 empresas brasileiras querem aproveitar a Copa do Mundo para fechar negócios e estreitar relações com compradores e empresários estrangeiros. A ideia, organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), é que o torneio seja um pano de fundo para que empreendedores estrangeiros conheçam o país e potenciais fornecedores.
Ao todo, cerca de 2,3 mil empresários de 104 países virão ao Brasil para visitar fábricas, conhecer empreendedores e fechar negócios. Além da programação comercial, os empresários, brasileiros e estrangeiros, vão assistir a jogos do Mundial. "É uma fórmula que deu certo na Copa das Confederações e agora vamos ampliar para a Copa do Mundo", explica o gerente de marketing e imagem da Apex, Jacy Braga.
Na competição do ano passado, US$ 3 bilhões em contratos foram gerados imediatamente ao término da viagem, com um grupo de 900 estrangeiros e 400 brasileiros.
Pesquisa
A percepção dos empresários estrangeiros sobre os negócios brasileiros também mudou, segundo pesquisa aplicada para aqueles que vieram ao Brasil no ano passado.
Em uma questão sobre a qualidade dos profissionais brasileiros, apenas 48% deles receberam nota máxima antes da ação. Depois da visita, a avaliação subiu para 87%. Sobre a qualidade dos produtos, o salto também foi notável: antes da visita, 56% dos empresários avaliavam como ótimo e depois a proporção saltou para 87%.
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