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Argentinos apelam ao mercado clandestino para viajar na Copa

Desde 2012, o governo de Cristina Kirchner vem impondo restrições à compra de dólares por turistas que vão ao exterior

Política econômica desastrosa complica a vida de torcedores argentinos | Reuters
Política econômica desastrosa complica a vida de torcedores argentinos (Foto: Reuters)

Com dificuldade para conseguir comprar dólares, os argentinos que viajaram a Porto Alegre para acompanhar a seleção de seu país na Copa do Mundo tiveram que improvisar para trocar pesos.

Torcedores ouvidos pela reportagem na capital gaúcha afirmaram que apelaram ao mercado clandestino na saída do país. Desde 2012, o governo de Cristina Kirchner vem impondo restrições à compra de dólares por turistas que vão ao exterior.

O padeiro Gustavo Nozzi, 52, que viajou com três filhos de carro desde Buenos Aires, diz que a Afip (Receita Federal argentina) libera quantia insuficiente de reais para uma viagem desse tipo, após checar dados como a renda de quem solicita. "Comprei [reais] com um argentino na fronteira. Mas está muito caro", diz. Para ele, é possível que as dificuldades de troca de moeda tenham desestimulado muitos torcedores a viajar ao Brasil na Copa.

Os irmãos Fernando, 24, e Leonardo Aubone, 27, viajaram de carro desde San Juan, a 2.300 km de Porto Alegre, e dizem que também tiveram que ir ao mercado clandestino.

Eles afirmam que os conterrâneos também adotam outro artifício comum: vão ao comércio com um amigo que tem reais, fazem compras para ele no cartão e depois combinam de receber o valor devido em dinheiro. "É preciso buscar uma maneira. Está cada vez mais difícil sair do país. Eu já tinha vindo ao Brasil várias vezes e agora não posso mais", disse Fernando, que está acampado em um parque de Porto Alegre.

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