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Escalado pela CBF e com o respaldo da Fifa, Fred é o representante do Brasil contra as insinuações de favorecimento à seleção por causa do polêmico pênalti contra a Croácia

Fred participou de um treino regenerativo ontem na piscina da Granja Comary: indignado com as insi­­nua­ções | Rafael Ribeiro/EFE
Fred participou de um treino regenerativo ontem na piscina da Granja Comary: indignado com as insi­­nua­ções (Foto: Rafael Ribeiro/EFE)

A CBF deixou nas mãos do atacante Fred e da Fifa a missão de defender a seleção brasileira das insinuações de complô da arbitragem para beneficiá-la na Copa do Mundo. O jogador, em um vídeo, e o chefe da Comissão de Arbitragem da entidade, em entrevista, disseram que o árbitro japonês Yuishi Nishimura acertou ao marcar o pênalti sobre o camisa 9, que permitiu ao Brasil virar o jogo de abertura do torneio, contra a Croácia, na quinta-feira. A Confederação não se pronunciará oficialmente sobre o caso, que considera assunto encerrado.

A repercussão na mídia internacional do lance entre o zagueiro croata Lovren e Fred causou desconforto entre dirigentes, jogadores e comissão técnica da seleção. Na leitura da CBF, atribuir a virada ao erro de Nishimura seria uma estratégia, principalmente de argentinos e ingleses, para perturbar o ambiente brasileiro e associar um eventual título dos anfitriões a um esquema de arbitragem.

"Temos de acreditar que os árbitros são honestos. Não podemos pensar que ele vai decidir algo porque falaram para ele agir assim. Isso é fantasia. Críticas são normais, é questão de opiniões diferentes. Mas é preciso respeito", disse o suíço Massimo Busacca, chefe da comissão de arbitragem da Fifa.

Busacca afirmou que, antes da Copa, a comissão visitou todas as seleções e avisou que haveria tolerância zero com qualquer tipo de empurrão dentro da área. Essa foi a linha seguida pelo atacante Fred. Protagonista do lance, ele não passou pela zona mista do Itaquerão, quinta, porque foi para o exame antidoping. Sua manifestação foi por um vídeo publicado ontem, no site oficial da CBF.

"Foi pênalti claro", cravou Fred. "Dominei a bola para girar, sofri uma carga no ombro, perdi alcance, me desequilibrei e caí. Vi muita gente falando que não foi pênalti. Teve a carga. Não sou de ficar caindo", descreveu.

Fred também encampou o discurso do complô contra o Brasil. Disse que nada vai tirar o brilho da merecida e difícil vitória da seleção.

O vídeo será o único pronunciamento da CBF. Quando a entidade avisou que se posicionaria, passou a impressão de que haveria uma nota da diretoria. No entanto, a única alusão à cúpula da entidade no site, ontem, era um agradecimento do presidente José Maria Marín ao povo brasileiro pelo apoio na estreia.

Nos bastidores, entretanto, a Confederação ainda espera uma advertência da Fifa ao técnico croata, Niko Kovac. Ele afirmou que o lance foi "ridículo" e que a Copa do Mundo se tornaria um "circo".

"Estou triste, tenho vontade de chorar. Todo mundo viu o que aconteceu. É um escândalo para a Fifa. Eles falam sobre respeito, e o que acontece? Melhor dar logo a taça para o Brasil", reforçou Lovren.

Pivô da polêmica, Nishi­mura não deve sofrer punição. Segundo o chefe da comissão de arbitragem, a atuação do japonês merece melhor avaliação. Contudo, ele defendeu o posicionamento do árbitro em campo.

"Estava bem posicionado e viu o gesto. É difícil para quem não está no lance determinar a intensidade do movimento, se o gesto é suficiente para derrubar o adversário", disse Busacca.

Os erros cometidos nos jogos México x Camarões (dois gols anulados dos mexicanos) e Espanha x Holanda (pênalti inexistente para os espanhóis) acabaram sendo vistos com bons olhos na CBF. A profusão de falhas dá uma dimensão de pane geral na arbitragem, não de favorecimento a um time específico.

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