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Copa 2014

Seleção aposta em nerd para desvendar inimigos

“Afilhado” de Parreira, Thiago Larghi é o responsável por mapear os adversários e fazer um raio-X de todos os jogadores do Brasil

  • Leonardo Mendes Júnior e André Pugliesi, enviados especiais
 
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Um nerd do futebol e um moderno programa de computador são as armas da seleção brasileira para prevenir surpresas na Copa de 2014. Analista de desempenho contratado em janeiro do ano passado pela CBF, Thiago Larghi, de 33 anos, é o responsável por montar dossiês completos dos adversários e dos próprios jogadores do Brasil. Serviço desenvolvido com suporte de um software que combina estatísticas e vídeos, usado por mais de 150 clubes no mundo.

“Já temos 16 equipes totalmente observadas: os melhores jogadores, a maneira de jogar, bolas paradas. Não apenas nossos adversários da primeira fase, mas possíveis rivais no mata-mata. Nos adiantamos e não seremos surpreendidos”, gabou-se Carlos Alberto Parreira.

O coordenador técnico da seleção é o padrinho de Larghi. Trabalhando com análise de desempenho desde 2003, o professor de educação física deu um salto na carreira ao ser contratado pelo Botafogo, em 2011. Indicação de Jairo Leal, auxiliar de Parreira por 15 anos.

“Ele fez uma apresentação sobre a escola do Barcelona que me impressionou. É um estudioso não só das equipes atuais, mas da estrutura tática das grandes equipes da história”, elogia Anderson Barros, diretor de futebol remunerado do Coritiba e responsável por contratar Larghi para o Botafogo.

Em janeiro do ano passado, Parreira sugeriu a Luiz Felipe Scolari a contratação do analista de desempenho para a seleção. A indicação foi aceita e rapidamente surtiu efeito. A análise de Larghi deu suporte à convocação de Dante na primeira lista de Felipão. O zagueiro nunca havia sido chamado.

Seu trabalho durante os jogos, mais voltado para o desempenho da seleção, também ajudou a corrigir o posicionamento de Fred na Copa das Confederações. Com anotações, estatísticas e fotos (esta última, uma prática defendida por Parreira), detectou a pouca mobilidade do atacante no amistoso contra a Inglaterra, em junho do ano passado, no Maracanã.

Após os dois primeiros jogos no torneio da Fifa, Parreira conversou com Fred. “Falei que gostaria de ser o zagueiro que o marcaria parado daquele jeito”, lembra o coordenador. Fred passou a se movimentar mais no jogo seguinte, contra a Itália, em que fez dois gols. Marcou outros dois na final, contra a Espanha.

A Copa das Confederações foi o primeiro torneio em que a seleção teve o suporte do OptaPro, desenvolvido pela inglesa Opta Sports. Embora a empresa não revele detalhes do contrato, Parreira disse que o software saiu quase de graça. A partir dele, Thiago combina estatísticas, fotos e vídeos em tempo real às suas anotações para preparar seus relatórios a Felipão.

“É ele quem transforma os dados em suporte para as decisões táticas e influencia o processo de treinamento da seleção. Não é puramente estatística, mas também vídeos que permitem estudar os próximos oponentes”, diz Simon Farrant, coordenador de marketing da Opta Sports.

Este refinamento tem atenção especial com as características individuais dos adversários e nas variações táticas dessas equipes. O resultado é um relatório mais completo entregue à comissão técnica e outro sintético, apresentado aos jogadores.

“Os jogadores gostam desde que seja objetivo e prático. Aí eles percebem a utilidade daquela informação dentro de campo”, explica Larghi.

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