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Coxa lamenta geração da base perdida

Time campeão da Copa Dallas em 2012 não emplacou no Coritiba . “Falta coragem para apostar nos garotos”, cobra o ex-técnico Zé Carlos

Thiago Primão foi o capitão do Coxa na Dallas Cup em 2012 | Daniel Castellano / Gazeta do Povo
Thiago Primão foi o capitão do Coxa na Dallas Cup em 2012 (Foto: Daniel Castellano / Gazeta do Povo)

O então técnico do Coritiba Marcelo Oliveira comentava a vitória sobre o Cianorte por 3 a 1 quando foi interrompido pelo presidente do clube à época, Vilson Ribeiro de Andrade. A quebra de protocolo durante a entrevista coletiva naquele 8 de abril de 2012 foi para anunciar a conquista do time sub-19 do Coxa, em cima do todo-poderoso Manchester United, na Copa Dallas.

Além do técnico e do presidente, a maioria daqueles jovens tão exaltados deixou o clube. E mesmo quem ficou, não escapou do que nos próprios bastidores do Alto da Glória leva o estigma de "a geração perdida".

De todo aquele time que venceu quatro dos cinco jogos no torneio nos Estados Unidos (perdeu para o Everton na estreia e superou Bolivar, Kashiwa Reysol, Eintracht Frankfurt e o Manchester), nenhum atleta se firmou na equipe principal ou rendeu algum lucro considerável ao Coxa.

"O funil é normal. De uns 100 meninos, uns quatro ou cinco vão chegar. Mas hoje o Coritiba está tendo dificuldade em revelar atletas. Daquele time, tínhamos boas projeções. Foram campeões com uma boa repercussão e se esperava que tivessem um pouquinho mais de oportunidade. Tinha um elenco muito inchado também", avaliou Zé Carlos, técnico da base na época.

Hoje no Foz do Iguaçu, trabalhou por seis anos no Coritiba. Deu, inclusive, a largada no Campeonato Paranaense de 2014 com o time alternativo do Coxa, que amargou o ostracismo após as cinco primeira rodadas.

A proposta de usar uma equipe sub-23, como acontece com o rival Atlético, por exemplo, já foi rechaçada pelo clube neste ano. Marquinhos Santos antecipou que vai escalar o melhor Coxa possível na arrancada do Estadual 2015.

"O Paraná Clube, necessariamente, usa mais jogadores jovens por estar na Segunda Divisão e ter mais dificuldades de contratar. O Atlético tem essa postura de usar os jovens. Já a torcida do Coritiba é exigente. Quer time. E os dirigentes também têm pouca paciência", analisou Zé Carlos.

"Precisava ter mais coragem. Os garotos vão errar, assim como os veteranos erram. Mas no futuro podem ser muito importantes para o clube", acrescentou o treinador, cintando o mais famoso prata da casa. "O Alex deixou o clube elogiando justamente os jogadores da base", lembrou Zé Carlos.

Na sua última partida, contra o Bahia, no Brasileiro do ano passado, o camisa 10 usou o gol de Keirrison, aos 49 do segundo tempo, para frisar que quando é necessário são os meninos da casa que resolvem. K9 fechou o triunfo por 3 a 2.

O ex-jogador sempre fez questão de dizer que os garotos têm uma postura diferente, até no vestiário. Mas reconhece que sobre alguns que estiveram no clube durante a sua passagem agora, nem sequer é possível saber se eram bons ou ruins, diante da falta de oportunidades.

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