
O Atlético tem menos de dois meses para honrar uma dívida de R$ 14,5 milhões com a Prefeitura de Curitiba. O valor corresponde ao gasto do município com as desapropriações de 16 imóveis para concluir a Arena da Baixada.
A contrapartida atleticana pode ser cedida em terrenos; quantos forem necessários para alcançar o montante. O prazo é até 31 de dezembro. Até então, o clube indicou duas áreas, nos bairros Caximba e Campo de Santana.
"Nós vamos avaliar, ver a metragem, o valor do terreno e, principalmente, se é do interesse da prefeitura", afirma Reginaldo Cordeiro, Secretário de Urbanismo de Curitiba, ex-secretário municipal da Copa do Mundo.
O interesse é por lugares que possam abrigar creches, postos de saúde etc. "Não basta a indicação simplesmente, precisamos verificar se teremos um retorno efetivo para a população daquela região", complementa Cordeiro.
Para facilitar o processo, a prefeitura indicou algumas áreas que poderiam entrar na quitação da pendência relativa ao Mundial. Não são apenas terrenos, mas também imóveis já utilizados pelo município com pagamento de aluguel.
Caso o Rubro-Negro não cumpra o combinado até o período estipulado, está sujeito à multa de R$ 1,4 milhão (10% do valor total). A impontualidade ainda pode implicar em uma ação judicial da prefeitura contra o Rubro-Negro.
Outro trato entre as duas partes vence no final deste ano. No acordo firmado para viabilizar a sede paranaense na Copa, o Furacão ficou obrigado a ceder espaço na Baixada para ser ocupado pela prefeitura.
Segundo Cordeiro, o clube e o poder municipal vão dividir na metade os cerca de 5 mil metros quadrados do prédio construído anexo ao estádio, com entrada localizada na Rua Brasílio Itiberê. A edificação ainda não foi concluída.
"Ainda não decidimos o que pode ser feito no prédio. Talvez a Secretaria de Esportes seja transferida para lá. Estamos aguardando o término para pensar na melhor proveito para a ocupação", diz Cordeiro.
A estrutura foi planejada para receber o centro de mídia durante a Copa. Entretanto, acabou subutilizada devido ao atraso na remodelação da Baixada, problema que quase custou a participação da capital no evento futebolístico.
Potencial e dívidas
Enquanto busca alternativas para solucionar o débito de R$ 14 milhões, o presidente do Furacão, Mario Celso Petraglia, procurou o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet. Foi pedir aumento da emissão de potencial construtivo.
Fruet não assumiu nenhum compromisso. Os créditos representam a parte da prefeitura no acordo tripartite ajustado para bancar a Baixada, que contou ainda com o Governo do Paraná. O último orçamento divulgado da obra bateu em R$ 330,7 milhões.
A Copa deixou um rastro milionário de dívidas da CAP S/A, a sociedade de propósito específico criada pelo Furacão para gerir a reformulação do Joaquim Américo. Levantamento de setembro apontou R$ 11,6 milhões por parte de 83 credores, valor dividido em 353 títulos protestados nos cartórios de Curitiba.



