Diretoria paranista mantém afirmação de que Petraglia falou de acordo com o Coritiba para usar o Estádio Couto Pereira | Daniel Castellano / Gazeta do Povo
Diretoria paranista mantém afirmação de que Petraglia falou de acordo com o Coritiba para usar o Estádio Couto Pereira| Foto: Daniel Castellano / Gazeta do Povo

Entenda o caso

A polêmica envolvendo o Estádio Couto Pereira vem desde a semana retrasada, quando o Atlético indicou à Federação Paranaense de Futebol (FPF) a casa alviverde para mandar seus jogos no Estadual. O Furacão não poderá contar com a Arena neste ano por causa das obras para a Copa 2014.

De pronto a cessão do estádio ao arquirrival foi negada pela diretoria do Coxa. Em resposta, a FPF obrigou o Coritiba a alugar o Couto por R$ 30 mil por jogo. Insatisfeita, a diretoria alviverde entrou com mandado de garantia no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) para impedir que o Furacão jogase no Alto da Glória.

O TJD emitiu liminar a favor do Coritiba, o que obrigou o Atlético a buscar outro estádio. A segunda opção era a Vila Capanema. Mas as diretorias atleticana e paranista não entraram em acordo sobre valores.

No último domingo, o Paraná emitiu nota oficial explicando por que não houve acerto. No texto, a cúpula paranista afirma que o aluguel da Vila seria só para o Estadual, já que, segundo o Tricolor, Atlético e Coritiba já teriam um acerto em relação o Couto para a Série B do Brasileiro - o que foi negado pela dupla Atletiba.

Dessa forma, o Atlético teve de mandar seu jogo de estreia no Paranaense, domingo, contra o Londrina, no Estádio Germano Küger, em Ponta Grossa.

A FPF tentou derrubar a liminar a favor do Coritiba. Mas em votação do pleno do TJD na última quarta-feira foi mantido o mandado de garantia a favor do Coxa.

No fim da tarde desta quinta-feira (26), a FPF recorreu no Superior de Justiça Desportiva (STJD) pedindo um efeito suspensivo do mandado de garantia emitido pela Justiça Desportiva estadual. Caso o STJD emita o efeito suspensivo, o Coritiba terá de ceder o estádio ao Atlético até que o pleno do tribunal dê uma resposta definitiva do caso.

Em nota oficial publicada no fim da tarde desta terça-feira (24), a diretoria do Paraná sustentou a afirmação de que o presidente do Atlético, Mario Celso Petraglia, disse que teria um acordo com o Coritiba para utilizar o Estádio Couto Pereira na Série B do Campeonato Brasileiro. O suposto acordo veio à tona domingo (22), quando o Tricolor divulgou texto em seu site dizendo que a reunião entre o presidente paranista, Rubens Bohlen, e Petraglia, semana passada, era apenas para acertar o aluguel da Vila Capanema no Campeonato Paranaense. Segundo a cúpula paranista, o presidente rubro-negro teria dito que o Coxa havia concordado em ceder seu estádio para a disputa do Nacional – o que foi negado pelo Coritiba em nota segunda-feira e pelo Atlético, em nota do início da tarde desta terça-feira.

No texto desta terça, Bohlen, que assina a nota com o presidente do Conselho Deliberativo, Benedito Gomes Barboza, afirma que " Paraná Clube sempre soube, desde o início da conversa com o dirigente do Clube Atlético Paranaense, que suas afirmações quanto à utilização do Estádio Couto Pereira não passavam de bazófias, próprias de uma arrogância peculiar e nacionalmente conhecida", referindo-se ao dirigente atleticano. Mesmo assim, o Paraná divulgou a informação do suposto acerto como se fosse verdadeira.

Bohlen e Barboza tomaram um tom ameno no texto em relação ao Coritiba – a quem a diretoria paranista já teria pedido desculpa oficialmente. Porém, endureceu o discurso em relação ao Atlético – mais especificamente em relação a Petraglia.

"A nota hoje [terça] assinada pelo presidente do Clube Atlético Paranaense é própria de quem não tem dignidade para assumir suas posições. O Paraná Clube jamais fez suposições "levianas ou tendenciosas". Apenas levou a público o que fora dito de viva voz por aquele dirigente", afirma a nota paranista.

Bohlen e Barboza referem-se à afirmação de Petraglia, em nota emitida também nesta terça, de que o Paraná teria publicado "inverdades" sobre o possível acerto com o Coritiba. O objetivo paranista, segundo o Atlético, foi "nivelar por baixo instituições da grandiosidade do Clube Atlético Paranaense e do Coritiba Foot Ball Club", além de tentar se beneficiar do fato de o Atlético não poder contar com a Baixada – em obras para a Copa 2014.

No mesmo texto, o presidente rubro-negro informa que as negociações para alugar a Vila Capanema estavam encerradas depois da nota de domingo. "O intuito [da primeira nota paranistã] era fazer com que o CAP se visse obrigado a mandar seus jogos tanto do Campeonato Paranaense como do Campeonato Brasileiro no estádio Dorival de Britto [sic]. Com isso, o Paraná Clube se aproveitaria da situação e cobraria valores fora da realidade para garantir renda para tentar voltar à Primeira Divisão do Campeonato Paranaense", diz a nota atleticana.

"O Paraná Clube sempre teve e terá respeito e consideração que o Clube Atlético Paranaense merece, tanto em relação à sua história quanto pela sua grande torcida. O mesmo, no entanto, não ocorre em relação ao seu atual mandatário", diz o texto paranista desta terça-feira.

As notas paranista e atleticana desta terça-feira entraram em consenso apenas em relação aos valores negociados. A diretoria atleticana propôs pagar ao Tricolor 10% da renda bruta de cada jogo na Vila, enquanto que o Paraná pediu R$ 120 mil por jogo ou o pacote fechado de R$ 1,1 milhão pelos 11 jogos no Estadual.

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