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Torcedor do Londrina imita macaco durante o duelo com o Brasil de Pelotas. | Reprodução de tevê/Canal Esporte Interativo
Torcedor do Londrina imita macaco durante o duelo com o Brasil de Pelotas.| Foto: Reprodução de tevê/Canal Esporte Interativo

Em sua temporada de retorno à Série C, o Londrina tem convivido de perto com uma série de punições e se distanciado dos torcedores. Por enquanto, foram cinco jogos de gancho, frutos de dois processos contra o clube, e apenas um compromisso com presença de público, na vizinha Maringá. E o Tubarão já se prepara para responder a mais uma acusação nos tribunais, que ameaça atrasar ainda mais o reencontro entre jogadores e fãs. Na segunda-feira à noite, a Procuradoria da Justiça Desportiva denunciou o time paranaense por supostos atos de racismo de um torcedor. O episódio poderia até excluir a equipe da competição, em um cenário mais drástico, mas é mais provável que o castigo apareça em forma de multa e nova perda de mando de campo na Terceirona. Ainda não há data para o julgamento.

O novo desafio alviceleste no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) tem origem em mais um duelo com o Brasil de Pelotas – adversário que rendeu a primeira punição ao LEC, por causa de uma briga na semifinal da Série D do ano passado, culminando em dois jogos em estádio neutro e dois com portões fechados. No confronto do dia 28 de junho, no Rio Grande do Sul, um torcedor do time paranaense teria imitado um macaco nas arquibancadas. A atitude não consta na súmula do confronto, que terminou 3 a 1 para o anfitrião.

Brasil de Pelotas

Na súmula da partida entre Brasil de Pelotas e Londrina, na cidade gaúcha, o árbitro relatou uma cusparada sofrida pelo londrinense Patrick ainda no primeiro tempo. O supervisor de futebol do LEC, João Severo, teria filmado o ato hostil e mostrado as imagens à equipe de arbitragem. Por essa atitude, o Brasil de Pelotas irá responder por desordens em seu estádio e corre o risco de pagar multa e perder mando de jogo.

Nos dias seguintes à partida, a Procuradoria da Justiça Desportiva solicitou as filmagens do jogo. As imagens foram registradas pelo canal Esporte Interativo, detentor dos direitos de transmissão da Série C, durante o intervalo do jogo. O torcedor estava sentado abaixo de uma faixa da organizada Falange Azul e trajava um uniforme da uniformizada. Ele começa a fazer movimentos como os de um macaco, coçando a cabeça. Pouco depois, se levanta e começa a pular.

No Facebook, o presidente da Falange Azul, Marcelo Benini de Souza, explicou que não houve racismo. Segundo Souza, o ato foi uma “ironia” em resposta à provocação de pessoas que assistiam ao jogo em cima de uma árvore – nas palavras do presidente da Falange, “trepados como macaco”.

Caso Aranha

Um dos casos mais recentes de racismo por parte da torcida foi registrado na Copa do Brasil do ano passado, no jogo entre Santos e Grêmio. Na partida, disputada em Porto Alegre em 28 de agosto, uma torcedora tricolor, Patrícia Moreira, foi flagrada pelas câmeras de televisão gritando “macaco” na direção do goleiro. O caso virou polêmica nacional e acabou no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que excluiu o Grêmio da Copa do Brasil como punição pelo comportamento discriminatório de sua torcida em decisão preliminar. No recurso, a pena foi abrandada. Mesmo assim, a perda de três pontos imposta ao time gaúcho acabou por eliminá-lo da competição.

Punições

A primeira punição paga pelo Londrina nesta Série C começou em 2014. Uma briga generalizada em campo, no jogo de volta da semifinal da Série D, contra o Brasil de Pelotas, levou o Tubarão para os tribunais. Além de penas para jogadores, dirigentes e comissão técnica, o clube acabou castigado com a perda de quatro mandos de campo. No fim, teve de disputar um duelo longe de casa (vitória por 1 a 0 sobre o Tombense, no Willie Davids, em Maringá) e outros três (Portuguesa, 2 a 1; Juventude, 0 a 0; e Guaratinguetá, 0 a 0) no mesmo Estádio do Café, palco da briga, mas com portões fechados.

No último domingo, o LEC teria cumprido sua última partida de gancho, na sexta rodada do torneio. Só que em seu primeiro, e por ora único, jogo com a presença de torcida, no Willie Davids, mais uma vez o Londrina virou réu da justiça desportiva. A explosão de dois rojões na torcida alviceleste rendeu multa de R$ 10 mil e perda de mais um mando de campo. Cabe recurso. Caso contrário, o Tubarão terminaria o primeiro turno da primeira fase sem ter jogado em seu território com o apoio dos torcedores.

Dependendo do desenrolar da história de racismo, a série de castigos pode se estender ao segundo turno também. Atualmente, o Londrina é o terceiro colocado do grupo B, com 11 pontos. O Tupi é o líder, com 14.

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