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Vila Olímpica não pode ser leiloada, segundo o presidente da Câmara Municipal. | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
Vila Olímpica não pode ser leiloada, segundo o presidente da Câmara Municipal.| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

A polêmica venda, em 1998, do terreno do antigo Britânia, um dos clubes que deu origem ao Paraná, no bairro do Guabirotuba, pode salvar o Tricolor de perder o atual terreno da Vila Olímpica, no Boqueirão. A área do estádio foi colocada a leilão, marcado para esta quinta-feira (11), por causa de uma dívida trabalhista de cerca de R$ 450 mil com o ex-goleiro e treinador Ricardo Pinto, que treinou o time entre fevereiro e junho de 2011.

No entanto, um ofício protocolado na manhã desta quarta-feira (10) pelo presidente da Câmara Municipal de Curitiba (CMC), Aílton Araújo, alega que a área do Boqueirão é inalienável, ou seja, não pode ser vendida para pagamentos de dívidas do Tricolor. Segundo Araújo, o fato consta na lei municipal 8.563, de 1994, assinada pelo então prefeito Rafael Greca no dia 12 de dezembro daquele ano.

O ofício já está nas mãos do juiz da 19ª vara trabalhista, Mauro Cesar Soares Pacheco, que, até às 15h30 desta quarta-feira (10), ainda não havia assinado o despacho, mas pode fazer isso até o fim do dia.

“O imóvel do Britânia possuía essa cláusula de inalienabilidade com a prefeitura, que havia concedido este título ao Britânia. Quando o Paraná percebeu a oportunidade de negócio do local, o clube pediu para transferir o título de inalienabilidade para a Vila Olímpica, que também é uma praça desportiva e, portanto, possui a mesma finalidade”, explica Araújo, que garante que o Paraná verificou a existência do título no documento de escritura da Vila Olímpica.

“O pessoal do Paraná verificou que essa anotação consta na escritura na Vila Olímpica, por isso emitimos o ofício. O juiz tem de, imediatamente, suspender o leilão. Enquanto a Vila Olímpica servir para o uso de práticas desportivas, o Paraná é quem fica com a posse”, prossegue Araújo.

Restaria para Ricardo Pinto listar outro imóvel como garantia para a ação judicial. Advogada do ex-jogador, Norma Saldanha de Moraes, garante que irá esperar a decisão do juiz antes de realizar qualquer movimentação. “O juiz terá de analisar se essa transferência do título de inalienabilidade é legal”, adverte Norma. “Mas sempre tem uma saída. O que não vai acontecer é o Paraná não pagar a dívida”, garante.

Internamente, o Tricolor argumenta que tenta realizar um acordo com Ricardo Pinto para evitar o leilão. A advogada, porém, diz que não chegou a ela a informação de que o ex-goleiro tenha sido contatado pelo Paraná.

Procurado, Luiz Ricardo Berleze, vice-presidente jurídico do clube, não quis responder aos questionamentos da reportagem. Já o superintendente da base e um dos líderes do grupo Paranistas do Bem, Carlos Werner admite que tenta negociar a dívida com Ricardo Pinto, mas que o treinador está irredutível. “Fizemos uma proposta, mas ele quer o valor total. Podemos dizer que nossa proposta é bem interessante”, afirma Werner.

Arena padrão Fifa vira pesadelo

Em dezembro de 2014, o então presidente do Paraná, Rubens Bohlen, revelou otimismo com o andamento das negociações com a Prefeitura de Curitiba para a troca da área da Vila Capanema pela construção de uma arena moderna na Vila Olímpica, no Boqueirão.

No local da Capanema, a prefeitura construiria um moderno centro administrativo. Como compensação ao Tricolor, bancaria a construção de um novo estádio no Boqueirão, com capacidade para 30 mil torcedores. Seis meses depois, o sonho da nova casa virou pesadelo.

No final de maio de 2015, o atual presidente, Luiz Carlos Casagrande, o Casinha, revelou pessimismo com a negociação e previu que dificilmente a troca sairia do papel. Já em junho de 2015, a Vila Olímpica foi listada para leilão, por causa de dívida com o treinador Ricardo Pinto.

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