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Jogos 2016

Lula quer ver o Brasil como potência olímpica em 10 anos

Presidente promete o mesmo profissionalismo da candidatura na organização da Olimpíada. Nuzman sugere que confederações repitam a receita do vôlei

Lula e Nuzman, os artífices da vitória brasileira: cobrança por resultados. | Pawel Kopczynski/ Reuters
Lula e Nuzman, os artífices da vitória brasileira: cobrança por resultados. (Foto: Pawel Kopczynski/ Reuters)

A vitória do Rio de Janeiro para sediar a Olimpíada de 2016 já começa a mudar o discurso sobre os objetivos do esporte no País. Neste sábado, ainda em Copenhague, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não hesitou em afirmar que quer ver o Brasil figurar como "potência olímpica". O prazo, porém, foi além do ano dos Jogos no Rio, mas os planos não deixam de ser ambiciosos.

"Daqui a dez anos, quero que o Brasil seja uma potência olímpica. Nós temos condições para isso", afirmou Lula. "Fomos muito profissionais para preparar a nossa vitória. Vamos ser muito mais profissionais para preparar o Brasil para as olimpíadas", prometeu. Para atingir esse patamar, o plano revelado pelo presidente é de reunir as federações esportivas e cobrar "metas".

"Nós vamos ter de fazer uma reunião com os presidentes de federações de todos os esportes e exigir que eles apresentem um programa de metas. Onde queremos chegar no boxe, no basquete, nos Jogos Olímpicos?", questionou Lula. Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), reiterou o projeto. "Vamos estabelecer um roteiro de trabalho. Mas eu tinha de ter um trunfo. Agora eu tenho", disse, referindo-se à escolha do Rio.

Como modelo para as federações, Nuzman deixou a entender que vai apresentar o trabalho que ele mesmo fez à frente da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), a qual assumiu no final dos anos 70. "Éramos a 13.ª nação no vôlei nos anos 70 e, em sete anos, fomos prata [nos Jogos de Los Angeles, em 1984]. Depois, conseguimos ser campeões [em Barcelona-1992]. Portanto, a receita nós temos. Não podemos obrigar ninguém a seguir ela, mas podemos tentar."

Nuzman também acredita que é preciso mudar a "cultura esportiva" no país. "No Brasil, perder é um crime. Temos de encarar as coisas de forma diferente. O próprio presidente Lula diz que perdeu três eleições e hoje é o presidente mais popular. No Brasil, se não ganhar não serve. Temos de mudar essa cultura", afirmou. "A pressão sobre os atletas é enorme. Eles não devem viver sobre a pressão de ser campeões."

Para "mudar a cultura", porém, Nuzman terá de começar pelo próprio presidente da República. Na mesma entrevista concedida na manhã deste sábado, Lula afirmou, em tom de brincadeira: "Nós vamos ganhar pela primeira vez o campeonato de futebol nas olimpíadas do Rio de Janeiro. Se essa molecada não ganhar, nós vamos dar um cascudo neles. Tem de ganhar agora!", brincou.

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