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100m rasos

Vilão da Olimpíada desafia Bolt na prova mais esperada da Rio-2016

Mesmo aos 34 anos, norte-americano Justin Gatlin registra tempos cada vez mais rápidos e ameaça reinado do jamaicano. Mas histórico de doping o deixou com fama de trapaceiro

Usain Bolt marcou 10s07 na primeira corrida na Rio-2016. | OLIVIER MORIN/AFP
Usain Bolt marcou 10s07 na primeira corrida na Rio-2016. (Foto: OLIVIER MORIN/AFP)

Usain Bolt nunca esteve tão perto de perder a prova dos 100m rasos e Justin Gatlin é o responsável por isso. O carismático jamaicano, um dos maiores nomes da história atletismo, tentar coroar de vez sua vitoriosa trajetória com o tricampeonato olímpico da prova, algo nunca alcançado. O rival norte-americano é o vilão neste roteiro tão aguardado pelo público. A final está marcada para a noite deste domingo (14), às 22h25, no Engenhão.

ENTENDA O DESAFIO: Bolt x Gatlin

Mas Gatlin já foi o mocinho da história. Nos Jogos de Atenas, em 2004, ele ficou com o ouro na disputa mais valorizada do atletismo. Era o homem mais rápido do mundo e, com apenas 22 anos, o candidato ideal a iniciar um reinado próprio na modalidade.

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Em 2006, porém, a carreira mudou de rumo: caiu no doping por testosterona e era reincidente - em competições universitárias já havia sido suspenso por seis meses por uso de um estimulante irregular. Desta vez, a punição foi mais severa. Ficou quatro anos longe das pistas, perdeu patrocinadores, voltou a morar em um pequeno apartamento em Atlanta e viu Usain Bolt surgir para o mundo e tomar seu lugar de destaque.

Gatlin voltou a competir em 2010, agora com 28 anos, uma idade difícil para um recomeço em alto nível. Porém, o corredor começou a desafiar o envelhecimento. Rapidamente, o norte-americano retornou à seleção, conseguiu uma vaga na Olimpíada de Londres e conquistou o bronze nos 100m. Bom demais, correto?

Ele queria o topo. Em 2014, foi o homem mais rápido da temporada com 9s77 na prova. No ano passado, repetiu a dose e com a melhor marca da vida: 9s74. Nunca alguém tão velho – 33 anos - correu tão rápido, o que só aumenta os questionamentos sobre se o americano realmente está livre do doping. A fama de ‘trapaceiro’ o persegue.

“Pessoas gostam de rotular pessoas. É isso que elas gostam de fazer”, diz o atleta.

No Mundial de Pequim, em 2015, a vitória sobre Bolt não veio por um mínimo detalhe, ou melhor, um centésimo de segundo: 9s79 contra 9s80. Se Gatlin tivesse repetido o tempo da semifinal (9s77), o título era dele. O jamaicano não teve margem para dosar o ritmo como costuma fazer.

“Nunca falo de uma pessoa só. Falo sempre de oito [finalistas]. E tudo pode acontecer. Tenho que estar preparado e fazer o meu melhor”, disse Bolt nesta semana no Rio em tom de respeito. Ele tem sofrido com dores na coxa nos últimos meses.

A melhor marca deste ano, mais uma vez, é de Gatlin: 9s80. “Eu trabalhei duro, fiz todo o caminho desde o fundo do poço. As pessoas precisam parar de me olhar e julgar”, desabafou o atleta dos EUA à Associated Press.

Gatlin estabeleceu como meta correr os 100m na Olimpíada em 9s66. Se conseguir, estará muito próximo de se transformar no campeão mais velho da história da prova. E também o mais odiado.

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