Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...
Brasileira Jaqueline de Carvalho no jogo contra a Itália | EFE/EPA/DANIEL DAL ZENNARO
Brasileira Jaqueline de Carvalho no jogo contra a Itália| Foto: EFE/EPA/DANIEL DAL ZENNARO

A maior parte das jogadoras brasileiras deixou a quadra chorando após a conquista da medalha de bronze no Mundial de vôlei, em Milão, na Itália, neste domingo (12).

Elas lamentavam a derrota no sábado, para os EUA, que impossibilitou a disputa do título inédito. Mas também estavam emocionadas com a conquista do terceiro lugar depois de uma campanha de 12 vitórias e apenas uma derrota no campeonato.

Jaqueline, 30, era a mais emocionada. A ponteira chegou à área reservada para as entrevista já com os olhos cheios de lágrimas. Quando começou a falar, desabou. Aos prantos, disse que estava assim porque não sabia se esta geração de atletas vai conseguir disputar mais um Mundial, daqui a quatro anos.

"Sentimento de que faltou alguma coisa. Infelizmente ontem [sábado, 11] não era nosso dia. Fica o gostinho de que escapou mais uma vez", explicou Jaqueline, referindo-se à prata nos Mundiais de 2006 e 2010.

Em seguida, Jaqueline lembrou do filho Arthur, de nove meses, do período que ficou fora da seleção em razão da gravidez e da incerteza sobre seu futuro."Meu choro é de tanta coisa. Saber que fiquei um ano parada, que consegui voltar e dar a volta por cima. Saber que no Brasil não tenho uma equipe para jogar...", disse, suspirando para tentar segurar a emoção. "Hoje foi meu último jogo, vou cuidar do meu filho e da minha família. Mas o esporte que eu gosto de fazer, o meu trabalho, eu não vou ter. Não vou sair do país, recebi muitas propostas, não vou negar. Mas quem é mãe sabe: primeiro a família e depois o trabalho", concluiu.

Por ter recebido a pontuação máxima (sete) no ranking da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) para este ano, Jaqueline não pode atuar em equipes do país que já tenham duas atletas no mesmo nível dela -ou seja, as principais da seleção, que estão nos principais clubes. Os menores não teriam dinheiro para contratar uma atleta como Jaqueline.

"Como que eu vou voltar para a seleção, se as meninas vão estar jogando e também merecem estar aqui? Eu não vou estar jogando, como ele [o técnico José Roberto Guimarães] vai me convocar? Esse ano tinha um porquê, eu estava grávida", disse a ponteira.

Zé Roberto não quis comentar o assunto, disse que iria conversar primeiramente com a atleta. Jaqueline ainda contou que Murilo -seu marido, ponteiro da seleção e do Sesi-, vai esperar o contrato dele acabar, no fim da Superliga, em meados de 2015, para tomar uma decisão. A Superliga feminina começa dia 25 de outubro.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]