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Boxe, esgrima, levantamento de peso, remo e tae kwon do, modalidades esportivas nas quais o Brasil tem pouquíssima tradição em Jogos Olímpicos, mas que distribuem ao todo 211 medalhas em uma única edição do evento, receberão investimento recorde até 2016, nos Jogos do Rio de Janeiro. Em evento que contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro dos Esportes, Orlando Silva, nesta segunda-feira (18), em São Paulo, a Petrobras anunciou aporte inicial de R$ 100 milhões ao esporte de alto rendimento nos próximo quatro anos.

O programa, chamado de Esporte & Cidadania, também irá destinar R$ 165 milhões a programas educacionais, de participação e de memória. O investimento público de R$ 20 milhões anuais começa a valer ainda neste ano e beneficiará 110 atletas e 86 profissionais ligados ao esporte. O boxe lidera no apoio recebido, com R$ 5 milhões por ano. Depois aparecem o tae kwon do (4,4 mi), remo (4,1 mi), esgrima (3,4 mi) e levantamento de peso (3,3 mi). Os valores, porém, podem mudar de acordo com as necessidades das confederações e com o lucro da empresa.

"Esse suporte vai ser fundamental para difundir essas modalidades [que não são muito conhecidas], mas, sobretudo, essencial para apoiar os atletas", afirmou Orlando Silva.

O patrocínio, porém, será feito de maneira diferente do que normalmente acontece. O dinheiro não passará nem pelas mãos do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), nem será entregue diretamente para as confederações. O Instituto Passe de Mágica, criado e presidido pela ex-jogadora de basquete Magic Paula, será o responsável por distribuí-lo.

"Se precisarem de dez passagens para uma competição, por exemplo, eles vão falar com a Paula, que vai comprá-las e entregá-las. Está tudo amarrado neste ponto. Ela fará a gestão técnica, não a Petrobras, já que não temos a expertise para isso", explicou o gerente de patrocínios da estatal, Claudio Thompson. "Elaboramos um diagnóstico [do que as confederações precisam]. Conhecimento de gestão eu tenho. Nossa equipe vai desenvolver um trabalho de gestão profissional", completou a medalhista de prata em Atlanta, em 1996.

Os presidentes das confederações se mostraram empolgados com o investimento. "A Petrobras agora está olhando para baixo. Espero que outras empresas se espelhem nesse exemplo", Wilson Reeeberg, responsável pelo remo brasileiro. "Estou conhecendo o que é patrocínio pela primeira vez", emendou Mauro José da Silva, mandatário do boxe nacional.

A maior parte do programa lançado ontem, no entanto, está destinado à formação de novos atletas. Ao todo, serão R$ 165 milhões investidos até 2014, com previsão de continuação por pelo menos mais dois anos.

Centros de desenvolvimento

As cidades de Cruz das Almas, na Bahia, Manaus e Rio de Janeiro serão as primeiras a receber os Centros de Referência Esportiva, espaços populares para o desenvolvimento de atividades esportivas e educacionais, em conjunto com as redes públicas regionais. Até o fim de 2012, serão implantados sete centros, sendo um em cada região do país – Sudoeste e Nordeste terão dois. Obrigatoriamente todas as sedes terão de ensinar pelo menos dois dos esportes de alto rendimento beneficiados pelo programa.

"Vamos melhorar e ampliar espaços físicos já existentes de alguns projetos já apoiados pela Petrobras, como já acontece na Bahia e no Rio de Janeiro, e construir outros", explicou o gerente de responsabilidade social da empresa, Luís Fernando Maia Nery, lembrando que a Unicef supervisionará a ação. "Nossas medalhas vão ser ver o maior número possível de crianças praticando esporte", comentou a ex-jogadora de vôlei Ana Mozer, responsável por coordenação do projeto.

* O jornalista viajou a convite da organização do evento.

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