Com 9 mil espectadores, Espanha e Estados Unidos fizeram o principal jogo no “moderno” Durival Britto. A Vila Capanema ainda recebeu o duelo entre Suécia e Paraguai | Reprodução/ Arquivo/ Gazeta do Povo
Com 9 mil espectadores, Espanha e Estados Unidos fizeram o principal jogo no “moderno” Durival Britto. A Vila Capanema ainda recebeu o duelo entre Suécia e Paraguai| Foto: Reprodução/ Arquivo/ Gazeta do Povo

Suíça, outubro de 2007. Joseph Blatter, presidente da Fifa, tira da cumbuca a bolinha com o nome do único país candidato a abrigar a Copa do Mundo de 2014. Obviamente, dá Brasil. O roteiro não é novo.

Luxemburgo, 1946. Arrasados pela Segunda Guerra, os europeus abrem mão de organizar o Mundial. Sem concorrentes, a Copa de 50 cai no colo do Brasil, a primeira em 12 anos. O desfecho da primeira grande recepção nacional todos sabem. Uruguai, Ghiggia, Maracanazo, lágrimas...

Há, porém, uma diferença básica entre as duas aclamações. Se agora 17 cidades se engalfinham para ver quem entrará no grupo das 12 selecionadas para receber partidas do torneio (a definição sairá no próximo domingo, nas Bahamas, e Curitiba integra o grupo das favoritas), há 59 anos não houve controvérsia. Nem campanha. Tampouco contestação à decisão da antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD), hoje CBF.

Ganhariam o direito de ser sede as capitais de estado que dispunham de um mínimo de estrutura em meio a um gigantesco país rural: um estádio apresentável e uma certa facilidade de locomoção. "A escolha foi mais por exclusão mesmo", explica o jornalista Orlando Duarte, de 77 anos, autor da enciclopédia Todas as Copas do Mundo. "Não houve uma guerra como agora", emenda.

Deu Rio de Janeiro, capital federal à época, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, por motivos óbvios, mais Recife e Curitiba. "É bom lembrar que há 59 anos outros estados não tinham o futebol tão desenvolvido, por isso a opção por essas cidades", ressalta Duarte.

A divisão de grupos e jogos não respeitou critérios. Por ser mais afastada do eixo, Recife acompanhou apenas a goleada de 5 a 2 do Chile sobre os Estados Unidos. "O povo foi mais à Ilha do Retiro por causa da curiosidade. Queria contar para o amigo no bar que assistiu a uma partida do Mundial", conta o jornalista Fernando Menezes, 74 anos, do Jornal do Commercio.

Na escala de importância da CBD, Porto Alegre e Curitiba ficaram empatadas, com dois jogos cada. "O Durival Britto ficou lotado, lembro bem. Era menino e assisti às partidas da escadinha que dá acesso à tribuna de honra do estádio", recorda Aloar Ribeiro, 76 anos, ex-repórter e editor de esportes da Gazeta do Povo.

Minas Gerais, de Juscelino Kubitschek, construiu um moderno complexo esportivo (para os padrões da época) especialmente para a competição. Contou pontos. O Independência de três partidas, inclusive o lendário Estados Unidos 1 x 0 Inglaterra, partida que virou filme recentemente (The Game of Their Lives). "Os mineiros torceram feito loucos pelos americanos. Aqui, ninguém gostava dos ingleses", relembra Plínio Barreto, 87 anos, colunista do jornal Estado de Minas.

A maioria dos confrontos, como já era de se esperar, ocorreu no eixo Rio-SP. O Pacaembu, na capital paulista, recebeu seis duelos. O mais importante, Brasil 2 x 2 Suíça.

Mas ninguém irá superar o Maracanã. O Maior do Mundo, concebido para receber até 200 mil pessoas, é a cara da primeira Copa verde e amarela. Palco da final e de outras sete partidas, ganhou um sotaque espanhol. Virou Maracasnazo por causa de Ghiggia, autor do gol que selou o triunfo uruguaio. E a decepção de um país inteiro. "Aquilo que aconteceu na final foi uma tragédia. Eu afirmo que foi o momento mais triste da história do futebol brasileiro", crava o jornalista e escritor João Máximo.

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