
Foram 14 anos, ininterruptos, em que era impossível tratar do Atlético sem associá-lo a Mário Celso Petraglia mesmo quando ele não esteve na presidência. Longo ciclo que acabou interrompido nesta temporada que, agora, próxima do encerramento, ficará marcada como o primeiro ano do Furacão sem a companhia de seu dirigente mais conhecido.Para o atual presidente do Rubro-Negro, Marcos Malucelli, 2009 serviu para provar que "existe vida" sem Petraglia algo que, tamanha era ligação, alguns chegavam a duvidar. "Ele não é uma figura indispensável. O Atlético pode, sim, caminhar sem o Mário", afirma. Um desentendimento entre os dois, em fevereiro, selou a mudança. No centro da questão, as atribuições de cada um dali em diante. Segundo Malucelli, o combinado era que Petraglia seguiria com as negociações internacionais de atletas, Copa de 2014 (à época ainda não confirmada para Curitiba), relacionamento com Clube dos 13, CBF e televisão.
Em um e-mail enviado à lista de discussões Herdeiros da Baixada, na oportunidade, Petraglia revelou o desejo de tocar também o marketing, área internacional, finanças, conclusão da Arena, resumindo tudo isso em a "continuidade do projeto de crescimento do Atlético".
Desde o rompimento, Malucelli garante que Petraglia não exerceu qualquer tipo de influência direta dentro do CT do Caju e da Baixada. "Nos encontramos algumas vezes, mas não chegamos a um entendimento. E não há qualquer chance de estreitarmos a relação. Se ele quiser, poderá sair candidato nas próximas eleições (no fim de 2010)", diz.
Petraglia foi procurado pela reportagem, mas preferiu não se manifestar neste momento. A ausência definitiva dele que segue apenas como conselheiro reforçou uma reorganização já em andamento. De uma forma geral, Malucelli e o vice-presidente Ênio Fornea dividem, desde então, as principais tarefas amparados por Gláucio Geara, presidente do Conselho Deliberativo.
O trio Roberto Karam, Nelson Fanaya Filho e Henrique Gaede cuida dos departamentos de marketing e comunicação. "Reconhecemos tudo o que ele fez. O Petraglia é um ícone para o Atlético. Mas o clube sobrevive independentemente das pessoas", diz Fanaya.
Completando o grupo do "dia a dia" atleticano, Ocimar Bolicenho foi contratado em junho para ser o diretor de futebol. "Não trabalhei com o Petraglia, não tenho como comparar. O que posso dizer é que desenvolvi o meu trabalho da melhor maneira possível, sem qualquer pressão", comenta o ex-presidente paranista.
Se para os diretores, o Furacão segue bem sem seu homem-forte da última década e meia, o mesmo não se pode dizer em relação aos torcedores. Em fóruns e sites de relacionamento na internet, o debate sobre o novo cenário foi (e ainda é) acirrado.
Alguns enxergam um Atlético descuidando da estruturação, especialmente patrimonial, promovida por Petraglia a partir de 1995. Outros veem o Furacão se revigorando como time.
Na bola, o avaço aconteceu embora tenha sido pequeno. Sem levantar uma taça desde 2005, o Rubro-Negro foi campeão estadual. Mas, no Nacional, apenas brigou pelo rebaixamento como nas três edições anteriores.
Do ponto de vista estrutural, a principal realização foi a criação do CECAP (Centro de Reabilitação do Atletiba Profissional), comandado pelo médico Edilson Thiele. Além disso, há o problema envolvendo o término da Arena para a Copa, ainda em estudo.



