
Um time de deixar saudades. Se a definição talvez não sirva para a equipe profissional do Paraná em 2008, é exata para definir o grupo que disputou em 2007 o Campeonato Brasileiro Sub-20, conquistando um surpreendente 3º lugar na competição. O torneio, no Rio Grande do Sul, está hoje na segunda edição Coritiba e Atlético já foram eliminados na primeira fase.
"Era um grupo com muita habilidade individual e muito equilíbrio no conjunto", resume o técnico daqueles garotos, Zé Carlos, que hoje é responsável pela equipe infantil do Coxa.
Naquele elenco estavam talentos que "estouraram" em 2008, como Éverton, Giuliano e Jéfferson, além de outros que ainda buscam seu lugar ao sol, como Bruno Henrique, Wellington Baroni, Araújo e Robson.
De todos, o Paraná só lucrou, até o momento, com o meia Éverton, que hoje está no Flamengo. Mas o R$ 1,5 milhão recebido com a venda para a Traffic dos 15% dos direitos econômicos que o Tricolor ainda detinha serviu apenas para pagar uma pendência judicial com o desconhecido Hadson.
A esperança do Paraná para ser bem pago pelo talento que lançou é Giuliano, que, aos 18 anos, foi considerado a revelação da Série B e vem acumulando convocações nas categorias de base da seleção brasileira. Hoje, está com a seleção sub-20, treinando para o Sul-Americano da categoria, a ser realizado de 19 de janeiro a 9 de fevereiro, na Venezuela.
Tendo ainda 40% dos direitos econômicos do meia, o Paraná espera que Giuliano saia da competição mais valorizado e com propostas de outros investidores, além da Traffic, que detém os outros 60%.
"Era uma equipe muito especial, pena que poucos foram utilizados. Foram campeões estaduais com uma rodada de antecipação e conseguiram aquele 3º lugar no Brasileiro que valeu como um título", relembra Zé Carlos. "Alguns já estouraram aí. Outros, talvez não tiveram aquela oportunidade real no time profissional do Paraná pelo fato de o time ter caído para a Série B. Entraram em hora ruim, com a missão de salvar o time", avalia. Casos do atacante Jéfferson e dos laterais Wellington e Araújo.
Os três estiveram na equipe profissional em 2008, mas nenhum convenceu torcida e comissão técnica. Desses, o que teve melhor destino foi Jéfferson, artilheiro do Brasileiro sub-20 do ano passado, com sete gols. Ele despertou o interesse de muitos empresários e hoje atua no time B da Fiorentina, na Itália, sem ter rendido nem sequer um real de lucro ao Paraná.
Por desentendimentos com a diretoria, o jogador deixou o clube após o fim de seu contrato. "O clube queria primeiro renovar o contrato para só depois nos deixar negociar. Acabamos perdendo dinheiro. Sofremos um totalitarismo no clube. Toda vez que tentamos conversar, foi pancadaria. Queriam conversar só com o Jeff, sem mim, que sou o empresário. Se tivesse essa diretoria hoje (sem o então vice-presidente de futebol, Durval Lara Ribeiro), teríamos feito a coisa muito mais tranqüilamente", diz o empresário do atleta, Roberto Nardi.
Com a saída de Jéfferson o Paraná não lucrou. Nem os 5% garantidos por lei, por ter sido o clube formador, foram parar na conta bancária do clube. "Estamos requerendo isso por via jurídica. A Fiorentina não aceita pagar o valor amigavelmente", conta o presidente do clube, Aurival Correia. "A gente cuida, forma, treina e não ganha nada", lamenta.
Os dirigentes reconhecem o fracasso na administração dos talentos. "Fizemos, a partir desse ano, a reestruturação da base, impedindo que as promessas fiquem vinculadas a empresários", diz o vice-presidente Márcio Villela.
O atacante Robson, que treina há mais de seis meses separado do grupo, aguarda o fim de seu contrato (que se encerra em 31 de janeiro de 2009) é um caso clássico dessa briga. O imbróglio com o jogador é que o clube não reconhece Eduardo Destri como seu procurador. "Ele tinha um acerto com o Paraná antes de o Marlo (Litwiski, vice-presidente das categorias de base) chegar. Que seja respeitado esse acerto", diz Destri.
A esperança fica em três talentos daquele grupo que podem reforçar o time que Paulo Comelli está formando para a próxima temporada: os laterais Wellington e Araújo e o zagueiro Bruno Henrique, que ainda se recupera de uma cirurgia para nos ligamentos cruzado e lateral do joelho resultado de uma lesão no jogo da seminfinal do Brasileiro Sub-20, contra o Internacional. Minutos depois de deixar o gramado, o Paraná sofreu os três gols que o tiraram da disputa do título.
"Devo ser liberado pelo departamento médico entre abril e maio. Quero defender a camisa do Tricolor", diz Bruno Henrique. "Ele vai arrebentar, tenho certeza", torce Éverton. Já Araújo, depois de ser o titular da camisa 2 durante o Paranaense, por falta de outro jogador na função, foi rechaçado pela torcida e terminou a temporada emprestado para o Juventus (SP) e deve fazer parte do elenco do Paraná em 2009.





