Publicado pela Distrito, o estudo Corrida dos Unicórnios revela as 17 empresas brasileiras que devem atingir o valor de mercado de US$ 1 bilhão em 2021.
Curitibana Olist integra a previsão é do levantamento anual “Corrida dos Unicórnios”, realizado pela empresa de inovação aberta Distrito.| Foto: Eduardo Macarios

Em todo início de ano, o ecossistema brasileiro de startups fica na expectativa: quais empresas ganharão o título de "unicórnio" e serão avaliadas em mais de US$ 1 bilhão de dólares? A responsável pela previsão é a empresa de inovação aberta Distrito, que publica anualmente quais startups devem se tornar bilionárias através do levantamento "Corrida dos Unicórnios".

A edição de 2021 do estudo, publicado nesta quarta-feira (17), apontou 17 startups aspirantes a entrar para o clube do bilhão. São elas: ContaAzul, Dr. Consulta, Neon, Minuto Seguros, Petlove, CargoX, Solinftec, Superlógica, Tembici, Fazenda Futuro, Zenvia, Buser, Take Blip, Cortex, Contabilizei, Pipefy e Olist.

O número de empresas indicadas saltou de 10 em 2020 para 17 neste ano. Para Tiago Ávila, dataminer do Distrito, o crescimento no número de aspirantes é fruto das conexões entre as startups e crescimento de aportes internacionais, como os realizados pelo fundo chinês SoftBank.

"Não só as startups estão ganhando relevância, como estamos criando ecossistemas que possibilitam o crescimento. Com isso, há uma atração de fundos maiores, como a entrada do SoftBank e de outros investidores internacionais", explica.

Entre os dois segmentos de atuação mais cotados entre os potenciais unicórnios estão as fintechs — startups do setor financeiro — e as martechs, especializadas em marketing e publicidade.

O sucesso das fintechs não é novidade. As startups deste setor acumulam crescimento de 68% em investimentos em 2020. Entre os aspirantes a unicórnios, quatro são voltados para soluções financeiras. No entanto, o destaque de 2021 foi para o setor de martechs, startups de marketing e publicidade que também somam quatro entre as 17 indicadas.

Embora o setor seja tradicional, as martechs estão mais preparadas para as mudanças causadas pela pandemia. Na visão de Ávila, startups como Take Blip, Cortex, Pipefy e Zenvia souberam aproveitar as transformações do consumo, que passou do físico para online, para ampliar sua atuação e atingir novos clientes.

O sucesso das empresas de base tecnológica de todos os setores é confirmado em um ano desafiador para a economia mundial. Mesmo durante a pandemia, as startups brasileiras captaram US$ 3,5 bilhões em investimentos em no ano passado.

2020 foi marcado também pelo surgimento de três novos unicórnios: Loft, Vtex e Creditas. 2021 não começou diferente e deve seguir aquecido. A curitibana MadeiraMadeira entrou para o clube de empresas bilionárias após um investimento de US$ 190 milhões, anunciado no sétimo dia de janeiro.

Quem se torna unicórnio no Brasil?

Entre os critérios fixados no estudo para definir quem deve se tornar unicórnio estão estimativa de valuation, número e valor de rodadas de investimento, presença de fundos que já formaram unicórnios, aquisição de outras startups, número de funcionários, perspectivas de novas contratações, atuação internacional e experiência dos líderes e fundadores.

Do ponto de vista de Gustavo Geriun, cofundador do Distrito, o objetivo com o levantamento é compartilhar quais startups impulsionam o crescimento do país quando o assunto é inovação. "Vale destacar que nossa intenção não é saudar o valuation bilionário como um fim em si, mas reconhecer os negócios que estão colocando o país no mapa de inovação global e apontar quais outras empresas seguem trajetórias semelhantes", pontua.

As startups adquirem o título de unicórnio graças a um investimento de capital de risco - o chamado venture capital - que alavanca o crescimento destas empresas. Para testar suas hipóteses e atingir novos mercados, as startups precisam deste financiamento, que são parte do sucesso e crescimento de uma empresa. Entre os grupos nacionais que mais investem em empresas que se tornam unicórnios estão a Redpoint eventures, Valor Capital Group, Monashees e Kaszek Ventures. O destaque internacional fica com o japonês SoftBank.

Baseado nos levantamentos anteriores, oito anos é a média que uma startup leva até se tornar unicórnio. Das 12 empresas que já têm o título, 9 foram fundadas entre 2011 e 2013.

Características dos unicórnios

Persistência, sustentabilidade, fundadores experientes e conexão. Para Tiago Ávila, essas são algumas habilidades em comum entre empresas que já se tornaram e as que devem adquirir o título de unicórnios. Startups com estas características também podem ser chamadas de "camelos": as mais adaptáveis e persistentes podem ter mais sucesso.

"O fato de ser camelo deixou de ser algo negativo como era há algum tempo. A persistência pode ajudar no caminho de crescimento das empresas. Eu não diria que este é um fator determinante, mas é um modelo de negócio que se prova sustentável, persistente e duradouro", enfatiza Ávila.

Curitiba tem mais três potenciais unicórnios

A capital paranaense vem se confirmado como um celeiro de unicórnios no Brasil, cotada como um ecossistema de inovação promissor em comparação com outros polos brasileiros. Curitiba, que já conta com dois unicórnios — Ebanx e MadeiraMadeira — deve receber mais três na lista: Olist, Contabilizei e Pipefy.

Na visão de Araújo, o motivo para a ascensão curitibana são as possibilidades de conexão. "Em Curitiba, assim como em outros estados do Sul, as startups conseguem encontrar parceiros e ecossistemas que não estão em São Paulo. A grande conexão fornece essas possibilidades", comemora.

Nas demais regiões, as empresas valiosas são distribuídas no sudeste. O estado do Rio de Janeiro possui duas candidatas, e Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm um aspirante cada um. São Paulo lidera com oito candidatos.

17 startups que devem se tornar unicórnios em 2021

ContaAzul

Fundada em 2012, a fintech de Joinville (SC) oferece uma plataforma de gestão financeira em nuvem com foco total em pequenas e médias empresas. A startup lucrou R$ 90 milhões em 2020.

Dr. Consulta

A healthtech Dr. Consulta, fundada em 2011, oferece uma rede de clínicas populares em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Com oferta de agendamento de exames laboratoriais e consultas, a empresa é vista pelo estudo como referência nacional em democratização de atendimento médico. Durante a pandemia, a healthtech colocou em funcionamento em nove dias sua plataforma de telemedicina, abrangendo 20 diferentes especialidades.

Neon
Publicado pela Distrito, o estudo Corrida dos Unicórnios revela as 17 empresas brasileiras que devem atingir o valor de mercado de US$ 1 bilhão em 2021.

A fintech Neon já estava presente em levantamentos anteriores e é novamente cotada para atingir o patamar de unicórnio. Fundada em 2012, a startup oferece contas e cartões de crédito sem tarifas. Em meio à pandemia a fintech ultrapassou o número de 10 milhões de clientes.

A empresa recebeu, em setembro, um investimento histórico para fintechs brasileiras, no valor de US$ 300 milhões. A fintech também é uma das únicas no Brasil a oferecer cartão de crédito para negativados.

Minuto Seguros

A Minuto Seguros realiza a venda de seguros via internet com processo de contratação digital de ponta a ponta. A insurtech - startup do segmento de seguros - viu um crescimento de 127% no número de procura por apólices de seguro de vida durante a pandemia.

Petlove

O petshop virtual Petlove recebeu um aporte de R$ 250 milhões do Softbank em abril de 2020, que levou o faturamento da empresa para R$ 540 milhões em um ano. Fundada há 22 anos em São Paulo, a empresa é o maior e-commerce de produtos para animais no Brasil, com 20 mil itens no portfólio.

Cargo X
Publicado pela Distrito, o estudo Corrida dos Unicórnios revela as 17 empresas brasileiras que devem atingir o valor de mercado de US$ 1 bilhão em 2021.

Desde 2019, o grande sonho da logtech Cargo X é se tornar um novo unicórnio brasileiro. Apontada também no estudo anterior, a empresa é cotada mais uma vez para fazer parte do seleto clube após um investimento de US$ 80 milhões liderado pelo fundo LGT Lightstone Latin America.

Posicionado como um marketplace de fretes, a startup conecta pequenas empresas com caminhoneiros que podem fazer o transporte de suas cargas. A empresa reúne 400 caminhoneiros e 20 mil empresas de transporte cadastradas. Em 2019, a Cargo X movimentou 200 mil fretes que somam R$ 13 bilhões em mercadorias.

Solinftech

O agronegócio, grande potência econômica brasileira, também tem ganhado startups que impulsionam a digitalização do setor. Fundada em 2007, a Solinftech oferece soluções de monitoramento e automação de lavouras. Fundada em Araçatuba, São Paulo, a agtech transferiu sua sede para os Estados Unidos como plano de internacionalização. Em 2020, a empresa recebeu um investimento no valor de US$ 60 milhões, do fundo TPG ART.

Superlógica

A fintech paulista Superlógica oferece um software que integra soluções de pagamento e realização de assembleias para a gestão de condomínios, totalizando 45 mil condomínios no Brasil. Com fundação em 2001, o primeiro investimento veio no ano passado, no valor de US$ 66,5 milhões, do fundo Warbug Pincus.

Tembici

Especialista em mobilidade, a paulista Tembici é a gestora das bicicletas laranjas disponibilizadas pelo Banco Itaú em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Porto Alegre, Belém, Manaus e Vila Velha. Em junho de 2020, um aporte de R$ 270 milhões colocou a empresa mais perto do seleto clube dos unicórnios. O investimento foi liderado pelos fundos Valor Capital Group e Redpoint eventures.

Fazenda Futuro
Publicado pela Distrito, o estudo Corrida dos Unicórnios revela as 17 empresas brasileiras que devem atingir o valor de mercado de US$ 1 bilhão em 2021.
| PEDRO MACHADO

Dois anos de fundação bastaram para que a Fazenda Futuro fosse cotada como uma das próximas startups mais valiosas do país. A foodtech produz hambúrgueres e outros produtos sem ingredientes de origem animal.

Hoje a empresa comercializa produtos como carne moída, almôndega e linguiça feitos a base de plantas como beterraba, ervilha, grão de bico e soja. Liderado pelo BTG pactual e Monashees, a Fazenda Futuro recebeu um investimento no valor de US$ 21,6 milhões em 2020.

Contabilizei
Publicado pela Distrito, o estudo Corrida dos Unicórnios revela as 17 empresas brasileiras que devem atingir o valor de mercado de US$ 1 bilhão em 2021.

A curitibana Contabilizei, fundada em 2013, recebeu um investimento do SoftBank que colocou a empresa como forte candidata a unicórnio neste ano. A empresa oferece gestão contábil digital à pequenos negócios com mensalidades que partem de R$ 89. Se tornar um unicórnio, segundo o fundador Vitor Torres em entrevista exclusiva ao GazzConecta, não é um grande sonho da fintech, mas sim democratizar o acesso a um serviço básico, que é o contábil, para pequenos empresários brasileiros. A empresa já conta com 30 mil clientes.

Zenvia

Presente também no último levantamento "Corrida dos Unicórnios", a martech Zenvia conecta empresas e clientes, através de canais como Facebook, SMS e WhatsApp utilizando chatbots e inteligência artificial. A Zenvia anunciou em julho de 2020 a compra da startup Argentina Sirena. A startup possui mais de 7 mil clientes na América Latina e Estados Unidos.

Buser

Na lista de startups de mobilidade, a Buser tem destaque garantido. A startup fundada em 2017 em São Paulo realiza viagens intermunicipais sob demanda. Através da tecnologia, o usuário pode economizar 60% do valor da passagem com fretamento colaborativo. A empresa está presente em 170 cidades brasileiras e já comercializou mais de 5 milhões de passagens.

Take Blip
Publicado pela Distrito, o estudo Corrida dos Unicórnios revela as 17 empresas brasileiras que devem atingir o valor de mercado de US$ 1 bilhão em 2021.

A plataforma mineira de comunicação entre empresas e clientes Take Blip deu mais um passo na direção de se tornar unicórnio em 2021. A martech recebeu um investimento de US$ 100 milhões em uma rodada de série A, do fundo norte-americano Warburg Pincus em outubro do ano passado. Fundada em 1999, a startup tem entre seus clientes o Itaú Unibanco, Coca-Cola, Localiza e Fiat e prevê até o final deste ano um faturamento de US$ 40 milhões.

Cortex

Especializada em marketing e publicidade, a Cortex foi fundada em 2003 no Rio de Janeiro. A solução ofertada pela empresa, utiliza dados para gerar recomendações e previsões sobre o negócio e direcionamento de publicidade. Entre os clientes estão Nike, Claro, Globo, Unilever e L’Oreal. A rodada de série B no valor de US$ 31,3 milhões colocou a empresa mais perto do patamar de unicórnio. A Cortex registrou crescimento de 50% em 2020 e projeta crescimento de 150% em 2021.

Pipefy
Publicado pela Distrito, o estudo Corrida dos Unicórnios revela as 17 empresas brasileiras que devem atingir o valor de mercado de US$ 1 bilhão em 2021.

A martech Pipefy, fundada em Curitiba, com sede em São Francisco, na Califórnia, oferece uma plataforma de gerenciamento de processos em nuvem que centraliza o otimiza fluxos de trabalho das empresas. A startup foi fundada em 2014 e já é internacionalizada, o que demonstra a pretensão global da empresa.

Olist
Publicado pela Distrito, o estudo Corrida dos Unicórnios revela as 17 empresas brasileiras que devem atingir o valor de mercado de US$ 1 bilhão em 2021.
Olist integra a previsão é do levantamento anual "Corrida dos Unicórnios", realizado pela empresa de inovação aberta Distrito.| Eduardo Macarios

Conhecida como o marketplace dos marketplaces, o Olist ajuda pequenos lojistas a venderem seus produtos em diversos canais digitais. Na prática, o pequeno empresário faz cadastro na plataforma do Olist e é impulsionado para outros grandes marketplaces como a Via Varejo e Americanas. A retailtech soma sete rodadas de investimento. A última, realizada pelo SoftBank, destinou o valor de US$ 5,7 milhões para a empresa no final de 2020.

Já fazem parte do "clube dos unicórnios"

  • 99 Táxi
  • Creditas
  • Ebanx
  • Gympass
  • iFood
  • Loft
  • Loggi
  • Nubank
  • MadeiraMadeira
  • QuintoAndar
  • VTex
  • WildLife
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