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Um espaço de trabalho confortável é fundamental pra trabalhar com foco durante a crise, já que não se sabe quanto tempo o home office será necessário.
Um espaço de trabalho confortável é fundamental pra trabalhar com foco durante a crise, já que não se sabe quanto tempo o home office será necessário.| Foto: Norbert Levajsics/Unsplash

O home office é novidade para muitos dos que estão experimentando essa modalidade de trabalho durante a epidemia do novo coronavírus. Como forma de proteção dos colaboradores, muitas empresas decidiram continuar suas rotinas suspendendo as tarefas presenciais. No entanto, poucas delas têm prática quando se trata do trabalho remoto.

Segundo a pesquisa “O trabalhador digital em 2019”, realizada pela empresa de soluções de trabalho digital Citrix com 122 profissionais brasileiros, somente 32% das empresas entrevistadas permitiam o home office. Fato é que, mesmo onde se começava a estudar a modalidade de trabalho remoto poucas vezes por semana, a mudança foi drástica, e a adaptação é inevitável.

Foi o caso do ISAE Escola de Negócios, que já está na segunda semana de home office. Segundo a diretora de Gestão Corporativa do instituto, Tania Mara Lopes, a organização é fundamental para manter a produtividade neste período, principalmente porque muitas empresas foram forçadas a encaminhar seus funcionários para casa mesmo sem um planejamento prévio.

Para ela, o primeiro ponto para manter o foco no trabalho é o alinhamento entre lideranças e colaboradores. “Se a empresa já tem um planejamento estratégico, clareza de propósito e metas definidas, a liderança só precisa alinhar quais são essas metas”, esclarece.

Ela indica que, para manter a organização, o ISAE usa uma ferramenta de acompanhamento de carga horária e diário de bordo das equipes, na qual se preenche as entregas previstas na semana e um relatório do que foi feito no dia. “Se eu sei o que eu preciso entregar, é mais fácil canalizar a energia. Os colaboradores relataram que de fato estavam trabalhando com mais foco”, relata.

Se as metas definem o que será feito e o relatório acompanha a produção, o que fecha essa tríade é a comunicação. Manter as reuniões com a equipe nos horários pré-agendados é fundamental para um bom fluxo. Além disso, as equipes utilizam o Microsoft Teams, sistema que, dentre outras funcionalidades, mostra quando os colaboradores estão ocupados ou disponíveis. O sistema ajuda a criar um fluxo saudável de informações, evitando, por exemplo, um congestionamento de mensagens nos grupos de WhatsApp.

Lidando com a família em casa

Tania lembra que, na prática, não é só manter o foco. Outras variáveis entram no jogo, como a própria presença da família – seja os pais, o cônjuge ou os filhos. Na medida do possível, o ideal é explicar a situação e pedir a compreensão de quem está convivendo na mesma casa.

“É necessário explicar para os filhos que se está em período de trabalho. Esse balanceamento da qualidade de tempo é essencial”, afirma Lopes. “Procure usar o tempo que você estaria no trabalho, definindo quais são as minhas prioridades e como eu organizo minha agenda com relação às principais entregas”.

Espaço de trabalho

Por fim, é fundamental criar um espaço de trabalho para si, deixando à mão tudo que for necessário – não adianta trocar de local a cada dia, já que isso afeta diretamente a produtividade. “Não dá para ficar de pijama, é preciso resistir à tentação do sofá. A escolha do ambiente é importante. Há várias questões ergonômicas que não podemos cumprir normalmente, mas o local precisa ser minimamente confortável, já que não sabemos por quanto tempo o home office vai ser necessário”.

Vantagens para empresas e colaboradores

Por mais que a situação seja de isolamento físico extremo, é inegável que a experiência de home office mandatório trará lições. Para Célio Pereira Oliveira Neto, doutor em direito do trabalho pela PUC-SP e especialista em teletrabalho, há vantagens que se tiram da situação tanto para as empresas como para os funcionários. Elas fazem parte do livro “Trabalho em ambiente virtual: causas, efeitos e conformação”.

“Teletrabalho é trabalho a distância e não presencial: no coworking, no cybercafé, em uma sala comercial, em home office - o qual caracteriza o momento de agora”, define. “Na sua essência, esse é um regime que nos permite a realização do trabalho sem a mesma fiscalização: o trabalhador é mais empoderado diante de uma maior capacidade de realizar o próprio trabalho, que passa a ser muito mais qualitativo do que quantitativo. Com um controle de jornada flexível, eu posso fazer outras atividades que me permitam trabalhar em um horário mais conveniente, desde que eu entregue o que eu me propus a fazer”, explica Neto.

Entre as principais vantagens para o colaborador, está a comodidade em não se deslocar, a diminuição de gastos em transporte, a melhor utilização do tempo, uma maior liberdade de horários e organização quando possível e autogestão do tempo.

Entre os benefícios para a empresa, estão a economia direta com custos de infraestrutura, a redução do trabalho ocioso, do número de faltas ao trabalho e do o risco de acidente de trajeto e maior retenção de talentos.

Neto atenta que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é essencial neste momento. “É importante lembrar: a tecnologia foi feita para servir ao homem, e não aprisionar o trabalho. Ao mesmo tempo em que a gente tenha essa fusão, é preciso ter o cuidado de não trabalhar como se não houvesse amanhã; ou o inverso: ser alguém que não consegue trabalhar”.

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