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Serviço já está disponível em formato de teste em Curitiba (PR), São José dos Campos (SP), Campinas (SP) e Uberlândia (MG).
Serviço já está disponível em formato de teste em Curitiba (PR), São José dos Campos (SP), Campinas (SP) e Uberlândia (MG).| Foto: Divulgação

A 99, empresa de mobilidade que integra a gigante chinesa DiDi Chuxing, anunciou nesta sexta-feira (31) o lançamento da 99Pay, primeira carteira digital do setor no Brasil. Com o novo serviço, a empresa dá seu primeiro passo no disputado mercado de fintechs, de olhos nos desbancarizados e em estratégias para reduzir o alto percentual de pagamentos em dinheiro em corridas e pedidos de comida pelo 99 Food — que hoje gira em torno de 70%.

O serviço já está disponível em formato de teste em Curitiba (PR), São José dos Campos (SP), Campinas (SP) e Uberlândia (MG). A expansão no país deve acontecer gradualmente em três meses.

De acordo com a empresa, em entrevista exclusiva ao GazzConecta, a carteira digital funciona dentro do próprio aplicativo da 99 e permite ao usuário inserir saldo para pagar corridas e refeições solicitadas pelo app, realizar transferência bancária e, inicialmente, quitar boletos de contas de consumo (água, gás e luz, por exemplo).

O serviço é oferecido em parceria com uma empresa financeira, que não foi revelada, e estará integrado ao PIX (sistema de pagamento instantâneo do Brasil) a partir de outubro.

“Queremos facilitar o pagamento e procurar soluções novas e democráticas para os usuários. A wallet é uma forma de promover ganho de eficiência na plataforma, reduzir o pagamento por dinheiro [por segurança e para evitar contaminação] e oferecer preços melhores e descontos aos clientes”, pontua Maurício Filho, diretor da 99Pay.

Foco em desbancarizados

Com 20 milhões de usuários ativos no país, a 99 quer conquistar um público cada vez mais disputado pelo setor financeiro: os 45 milhões de brasileiros desbancarizados — aqueles que não movimentam a conta bancária há mais de seis meses ou que optaram por não ter conta em banco, segundo o Instituto Locomotiva. Ou seja, 1 em cada 3 pessoas no Brasil.

“Se o passageiro não tem conta corrente, se não foi bem atendido por um banco ou se é desbancarizado, ele pode usar a 99Pay para ter benefícios como cashback e descontos em corridas. Queremos que a cadeia de valor seja eficiente e sustentável”, aponta.

Maurício Filho, diretor da 99Pay.
Maurício Filho, diretor da 99Pay.

O lançamento da carteira digital, garante o executivo, não está relacionado à crise que o setor de mobilidade urbana enfrenta por conta do novo coronavírus. Nesta quinta-feira (30), por exemplo, as startups Yellow e Grin entraram com pedido de recuperação judicial em São Paulo por dívidas que somam aproximadamente R$ 40 milhões.

“Não estamos entrando em um mercado novo pela crise. Nosso objetivo é usar o serviço para entregar uma ferramenta melhor e mais eficiente para o consumidor. Obviamente queremos crescer, mas nossa prioridade agora é entregar valor para o usuário para que ele seja leal a nós”, justifica Maurício.

A Uber, inclusive, lançou serviço semelhante nos EUA em outubro do ano passado, mas a solução ainda não tem previsão de chegar ao Brasil. “Nascemos brasileiros e entendemos como o mercado brasileiro se diferencia. O boleto bancário, por exemplo, é exclusivo do Brasil. Por isso, lançamos uma solução que faz sentido para o país. Nosso pioneirismo veio por estarmos aqui e querermos entregar valor para os nossos consumidores”, relata.

Além de lançar uma carteira digital para passageiros, a 99 também ampliou os serviços financeiros oferecidos aos motoristas. Desde 2017, os parceiros podem receber o valor de seus serviços via transferência bancária uma vez por semana ou em um cartão da 99 na hora, disse o diretor. Com a 99Pay, o sistema ganha novas funcionalidades: o motorista pode ver o saldo de sua conta, pagar boletos e recarregar celular.

Startups querem ser fintechs

O lançamento da 99 é um sinal de que as gigantes de tecnologia estão realmente querendo colocar um pé nas finanças. Em 2019, a Apple lançou um cartão de crédito em parceria com o Goldman Sachs, o Facebook tem planos de lançar uma criptomoeda e a Amazon oferece há anos empréstimos para pequenas empresas.

Na avaliação de Bruno Diniz, autor do livro “O Fenômeno Fintech”, pela editora Alta Books, a entrada de empresas no mercado financeiro representa uma oportunidade a mais de rentabilidade para elas — e o sistema regulatório brasileiro permite isso. No caso da 99, diz ele, o lançamento da 99Pay era um caminho previsto: “A DiDi Chuxing já oferece serviços financeiros lá fora, como empréstimos, então a previsão era que a 99 fosse fazer o mesmo no Brasil.”

O excesso de empresas de ramos distintos que oferecem serviços financeiros não é um problema para o mercado, argumenta o especialista, que também dá aulas no MBA da USP (Universidade de São Paulo). Pelo contrário, favorece a concorrência e criação de soluções segmentadas. “Se você tem uma comunicação clara com o cliente, consegue, com o tempo, oferecer serviços específicos para ele, como financiamento de veículos para motoristas”, exemplifica.

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