CEO da Gym Pass, Leandro Caldeira.
CEO da Gym Pass, Leandro Caldeira.| Foto: Paulo Vitale/Divulgação

Com a quarentena estabelecida em todo país desde março, atividades rotineiras que grande parte dos brasileiros costumava fazer durante a semana teve de ser interrompida - como ir à academia antes ou depois do trabalho. Com as pessoas isoladas em casa e uma crise financeira pela frente, academias e aplicativos que atuam com serviço de assinatura enfrentam o desafio de barrar a evasão de alunos e mitigar o prejuízo nas contas.

Na semana passada, o Gympass, unicórnio de benefício corporativo de atividade física, lançou uma plataforma em formato beta para aulas ao vivo para seus 23,5 mil. Segundo a startup, a tecnologia já está estruturada e a academias precisam apenas ter uma internet de boa qualidade, uma vez que as aulas devem ser ao vivo.

“Em época de Instagram, todo mundo sabe fazer vídeo. Todos os nossos parceiros estão habilitados. Em uma semana, mais de duas mil academias mostraram interesse nas aulas virtuais”, afirmou Leandro Caldeira, CEO do Gympass Brasil.

Além das aulas online, a empresa também oferece aos assinantes, principalmente os iniciantes, aulas gravadas gratuitas em parceria com aplicativos brasileiros e estrangeiros, entre eles 8fit, ZenApp, Tecnonutri, e de academias, como a Bodytech.

A plataforma, chamada Gympass Wellness, seria lançada este ano pela startup, mas foi antecipada por conta da COVID-19.  “Conseguimos reunir o melhor que existe no mundo, como aulas para crianças, de meditação e exercícios de abdominal”, detalhou o executivo.

Presente em 14 países, o Gympass carregou consigo a experiência de enfrentar a crise do novo coronavírus na Itália e na Espanha. E dentro desse contexto, Caldeira prevê uma “queda significativa no número de assinantes”. “As pequenas empresas lutam pela sobrevivência, enquanto as grandes são mais resilientes e veem o Gympass com uma forma de engajar e contribuir com a saúde mental dos funcionários”, explicou Caldeira.

Doações para academias favoritas

Concorrente do Gympass, a norte-americana Classpass disponibilizou sua plataforma online de aulas para quem não é assinante desde o início do mês. Além disso, permitiu que alunos utilizem seus créditos para fazer aulas online com academias que trabalham com ferramentas de vídeo — sem que elas paguem comissão à startup.

“Também congelamos as assinaturas dos clientes até junho. Agora, é possível apenas comprar créditos avulsos. Ou seja, nenhuma mensalidade será cobrada até essa crise acabar”, explicou Dhaval Chadha, head de expansão do ClassPass na América Latina.

Em meio à crise que inevitavelmente vai afetar o setor, a Classpass criou um “botão” para os clientes doarem uma quantia às academias favoritas - e, ao mesmo tempo, a empresa se dispõe a doar o mesmo valor, tendo um limite de R$ 5 milhões.

Além disso, a norte-americana está participando de uma petição mundial para que os governos apoiem as empresas do setor com isenção de impostos e liberação de atraso na folhas de pagamentos. “Estamos trabalhando em uma versão em português para entregar ao governo federal”, disse Chadha.

Treinando em casa

Para enfrentar o fechamento de todas as suas unidades, a Smart Fit, maior rede de academias da América Latina, lançou em março o site Treine em Casa, com vídeos para alunos e não alunos treinarem sem sair do isolamento.

Segundo a empresa, o site atingiu 2 milhões de visitantes em uma semana. “As pessoas querem continuar mantendo sua rotina com atividade física de alguma forma, mesmo nesse período de quarentena”, afirma André Pezeta, vice-presidente da Smart Fit na América Latina.

De acordo com a empresa, que conta com 700 unidades no país, como os alunos não têm aulas presenciais, os planos foram congelados e não há cobrança de mensalidade.

Crescimento em meio à crise 

Enquanto academias e empresas de assinatura enfrentam um duro período de crise, empresas que trabalham com tecnologia e encurtam a distância entre as academias e os clientes decolam. Este é o caso da italiana Technogym, que fabrica aparelhos de musculação no segmento de luxo.

De acordo com Ana Cristina Mendes, master trainer da empresa, os equipamentos possuem QR para que o treino do usuário seja registrado onde quer ele se exercite e a marca esteja presente. Além disso, o desempenho do aluno pode ser acompanhado pelo professor pelo smartphone. “Os clientes pessoas jurídicas estão usando nossa plataforma para oferecer treinos na casa cliente. É possível até programar a inclinação da esteira à distância”, detalhou Ana Cristina.

Com IoT nos aparelhos de ginástica,  a Technogym espera registrar um crescimento de 5% neste período de quarentena no país.

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