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Cidades inteligentes: por que elas atraem talentos e outras questões importantes
| Foto: Pixabay

Inovações podem beneficiar não apenas negócios ou um setor específico da economia, mas também cidades inteiras - que, ao se tornarem inteligentes, passam a oferecer melhor qualidade de vida a seus moradores e, não à toa, acabam atraindo e retendo talentos. Mas como envolver poder público, iniciativa privada e academia para desenvolver projetos que tornem as cidades mais inteligentes? Quem responde é o diretor de estratégia do iCities, Eduardo Filipe Mazzarolo Marques.

Engenheiro de produção civil formado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), com especialização em engenharia de negócios e experiência em construção civil, energias renováveis e desenvolvimento de startups, Marques também apresenta respostas para outras dúvidas enviadas ao projeto Ação Inovadora sobre o tema das cidades inteligentes.

Como os governos estaduais podem acelerar o seu desenvolvimento socioeconômico fomentando projetos de cidades inteligentes?

Os governos estaduais podem desempenhar um papel importantíssimo no desenvolvimento das cidades com intervenções estratégicas. Os governos possuem dados específicos de cidades e, principalmente, microrregiões e aglomerados de cidades que podem se beneficiar de projetos em conjunto, com otimização de investimento. Iniciativas como a criação de políticas públicas para o desenvolvimento de projetos de smart cities, incentivos fiscais para atração de empresas que formem novos polos econômicos e de inovação, apoio à captação de recursos financeiros, decretos estaduais, entre outros, são ações que podem auxiliar os municípios no caminho de se tornar cidades inteligentes.

Além disso, o governo pode adotar um conceito de smart state, desburocratizando serviços estaduais, integrando serviços que estão sob sua alçada e transformando o estado numa plataforma que favorece e impulsiona a inovação de maneira transversal a toda a sociedade.

As universidades desempenham um papel essencial na educação da sociedade, mas ainda não temos cursos ligados a cidades inteligentes. Qual a importância de unir diferentes profissionais em um tema em comum que são as cidades?

As universidades, em sua grande maioria, ainda têm a tendência de formar profissionais desconectados com a realidade atual da economia, que está mudando de forma cada vez mais rápida e sem precedentes. É importante aproximar cada vez mais projetos de pesquisa com necessidades reais de mercado, para que a universidade passe a ser uma ferramenta estratégica para as cidades, contribuindo para resolver problemas diversos, formar profissionais preparados para os desafios atuais, atrair e reter talentos de outras regiões e favorecer a inovação de base.

O Smart City Expert é uma opção de curso de extensão e capacitação para profissionais que desejam conectar suas formações com o mercado de cidades inteligentes, fazendo parte de uma turma multidisciplinar, gerando ideias e oportunidades de projetos junto à administração pública e as empresas.

Por que o ecossistema de inovação é mais forte em cidades mais inteligentes? Como as cidades podem atrair e reter talentos?

Cidades mais inteligentes entregam melhor infraestrutura e maior qualidade de vida, o que favorece a atração e retenção de talentos, instalação de novas empresas e maior prosperidade na economia local. Profissionais requisitados no mercado, isto é, os talentos, acabam recebendo propostas de trabalho em diversas cidades, e cada vez a qualidade de vida tem sido um fator determinante para a decisão de se estabelecer em uma cidade. As cidades inteligentes entregam, em média, maior segurança, melhores serviços públicos, mais oportunidades de lazer e turismo e uma infraestrutura que transforma a cidade na extensão das residências, ou seja, num local onde as pessoas querem estar.

O tema de cidades é muito abrangente e envolve muitas áreas e atores diferentes. Como se manter atualizado com as inovações que estão sendo aplicadas às cidades e ampliar o meu mercado de atuação?

O iCities lançou um curso voltado para gestores públicos, profissionais e acadêmicos para aprofundar o conhecimento em smart cities e, ao mesmo tempo, atualizar-se sobre os projetos que estão sendo executados pelas cidades, em conjunto com a iniciativa privada e a academia. São dez módulos cíclicos contendo todos os temas que abrangem cidades inteligentes.

Eu nunca imaginei que o tema de cidades inteligentes fosse voltado para empresas privadas. Onde estão as principais oportunidades de negócios para as empresas quando o assunto são cidades?

Cada vez menos os governos municipais serão capazes de suprir as grandes demandas de infraestrutura e tecnologia das cidades: é aí que se apresentam imensas oportunidades para empresas, desde startups até grandes empresas, de oferecer soluções inovadoras que possam atender a essas demandas.

Empresas também possuem um impacto direto na cidade e nos serviços que são prestados para a população, por isso o posicionamento socioambiental da marca dentro da sua relação com a cidade está se tornando cada vez mais relevante para a sociedade.

As informações sobre smart cities já vem sendo distribuídas de forma transversal nas faculdades, o que é bom. Mas onde os profissionais de várias áreas interessados em trabalhar com projetos estruturados de cidades inteligentes podem buscar formação específica?

Temos cada vez mais informações disponíveis na internet sobre cidade inteligentes e, especialmente, iniciativas que municípios do Brasil e do mundo inteiro estão adotando para lidar com os grandes desafios que as cidades apresentam todos os dias, como problemas ambientais relacionados ao aquecimento global e geração de resíduos poluentes, a violência, a pobreza, o trânsito, o déficit de moradia, entre outros.

Por existirem tantos problemas, existem, na mesma proporção, oportunidades para profissionais de todas as áreas se conectarem com governos, empresas, instituições sem fins lucrativos e projetos de pesquisas que tratem especificamente de soluções voltadas para as cidades. Para isso é importante estar conectado com todos os atores que já estão desenvolvendo esse tipo de trabalho. O Smart City Expert proporciona, além de um amplo conhecimento, essa conexão, que pode se desdobrar em oportunidades de emprego, abertura de novas empresas e novos projetos de pesquisas na área.

Muitas vezes associamos o conceito de cidades inteligentes a projetos de infraestrutura e de tecnologia grandiosos, que demoram a ser implementados e que muitas vezes parecem “futurísticos” demais para a realidade de pobreza de tantas cidades. Como as cidades podem fazer movimentos para se tornarem inteligentes aos poucos e de forma a criar uma infraestrutura tecnológica básica antes de se enveredar para projetos mais mirabolantes?

Os primeiros e mais simples passos de uma cidade inteligente não envolvem recursos financeiros e nem tecnologia, mas sim uma organização interna da gestão e vontade para se reinventar e fomentar a inovação.

O primeiro passo é fazer um diagnóstico do município e entender quais são os principais problemas e desafios, bem como a sua vocação e as melhores oportunidades. Com essa informação em mãos, é possível desenvolver políticas públicas, estabelecer parcerias estratégicas e preparar um plano de investimento em ações, projetos e tecnologias que visem atender o que é prioritário para a população, para a economia e para tornar mais saudável as finanças do município.

Por isso é tão importante, em paralelo a tudo isso, capacitar e preparar os gestores e principais setores econômicos da cidade para os conceitos relacionados a smart cities. O Smart City Expert busca criar esse elo entre os setores e apresentar conceitos teóricos e práticos de como tirar os projetos do papel.

É mais fácil desenvolver projetos de cidades inteligentes para cidades médias e grandes, ou também existem possibilidades de tecnologias aplicáveis em cidades pequenas?

Por mais que as menores cidades tenham orçamentos menores, em quase todas elas a quantidade de problemas também é menor. As cidades menores brasileiras têm vocações bem definidas, muitas vezes provenientes do agronegócio e alguns serviços que giram em torno deste setor. O conceito é o mesmo: desenvolver um diagnóstico de desafios e oportunidades, para então entender quais tecnologias melhor se adequam à realidade daquela cidade, em especial àquelas que podem gerar algum tipo de economia para os cofres públicos, ao mesmo tempo em que possam atrair novas empresas e melhorar a qualidade de vida da população.

Como desenvolver soluções de transporte com o uso de tecnologias de inteligência artificial considerando a realidade brasileira?

As melhores soluções de transporte são, de fato, desenvolvidas com base em dados concretos de deslocamento de pessoas e de mercadorias e bens de consumo. A notícia boa é que, atualmente, quase todas as pessoas possuem smartphones, os quais servem como ferramentas para se coletar esse tipo de informação. No Brasil, já existem cidades que estão trabalhando dados de transporte utilizando acesso livre à internet. A cidade de Joinville, por exemplo, utilizou dados de deslocamento fornecidos pela empresa Waze, no programa Waze for Cities, para redesenhar a estrutura viária de algumas áreas da cidade. Já a cidade de Goiânia, em parceria com uma empresa privada, desenvolveu um sistema de vans com inteligência artificial para otimizar viagens de pessoas dentro de um preço acessível para a população.

Como funcionam os principais modelos de contratação para projetos de cidades inteligentes?

Cada situação precisa ser analisada de forma única, pois existem muitas formas de viabilização jurídica, apesar de ser um grande desafio para gestores e procuradores entender como avançar com os projetos.

Para os projetos maiores, que exigem grandes investimentos, a principal saída é a criação de uma parceria público-privada, onde o ente privado assume o compromisso de disponibilizar à administração pública ou à comunidade uma certa utilidade mensurável mediante a operação e manutenção de uma obra por ele previamente projetada, financiada e construída. Por isso, a modelagem do projeto e a escolha dos parceiros devem ser feitas com muito estudo.

O módulo do Smart City Expert denominado “Modelos de contratação para projetos de Smart Cities: de contratos ágeis até Parcerias Público-Privadas” são apresentadas, além das PPPs, alternativas para viabilização de projetos inteligentes sob uma perspectiva inovadora.

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