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Ação Inovadora

Como as empresas paranaenses inovam? Conheça cinco exemplos de sucesso

  • PorVivian Faria, especial para o GazzConecta
  • 24/08/2020 09:28
Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.| Foto:

O Paraná quer ser um estado inovador e vem, conforme quem trabalha na área, conseguindo criar um ambiente favorável a isso. Porém ainda enfrenta alguns desafios, entre os quais está uma relação ainda distante entre as empresas que já atuam nos mais variados setores e os ecossistemas de inovação, formados por governo, academia, startups e outros negócios.

“Esse é um problema histórico. Para a inovação acontecer, precisamos de uma aproximação, uma sinergia muito grande entre o governo, as universidades e as empresas. Então, temos feito um trabalho para que cada vez mais as empresas e universidades se vejam como parceiros”, afirma o superintendente de inovação do Paraná, Henrique Domakoski.

Tanto para Domakoski quanto para o diretor de inovação da ISH Tecnologia e colunista do GazzConecta, Allan Costa, do lado das empresas, isso decorre de duas principais dificuldades. “As grandes empresas se movem muito lentamente, então esses movimentos acabam levando mais tempo. E as pequenas empresas normalmente têm a percepção de que inovação não é para elas”, diz Costa.

Para mostrar como a inovação pode estar dentro das empresas e contribuir para essa aproximação, apresentamos aqui negócios inovadores paranaenses de cinco segmentos - comércio, educação, fintechs, indústria e saúde - que são foco do Ação Inovadora, projeto do GazzConecta:

Novas formas de comprar

O self-chekout, assim como outras inovações, foram implantados nos lojas da rede Primato Supermercado há cerca de um ano. Foto: Divulgação.
O self-chekout, assim como outras inovações, foram implantados nos lojas da rede Primato Supermercado há cerca de um ano. Foto: Divulgação.

Por si só, o Primato Supermercado já é uma inovação. Criado há cerca de 15 anos, a empresa é resultado de uma proposta de diversificação das atividades da cooperativa agroindustrial Primato, de Toledo, no Oeste do Paraná. Contudo, a cultura inovadora na empresa é recente e começou a ser criada a pedido dos próprios cooperados.

“No fim de 2018, na prestação de contas da cooperativa, surgiu uma demanda para termos uma plataforma digital, um marketplace para vender os produtos do mercado e também os do produtor”, afirma o analista de tecnologia da cooperativa Cleiltom Marangon. A partir disso, a Primato decidiu contratar uma consultoria para não apenas atender ao pedido feito, mas também descobrir novas possibilidades para seus negócios.

Com a ajuda da consultoria, o e-commerce saiu do papel. Nas lojas, foi instalado um sistema de self-checkout, além de wi-fi e câmeras para o mapeamento de calor, que servirá para análise sobre os hábitos dos clientes dentro das lojas. Os processos internos também passaram a ser mapeados para detectar oportunidades de melhoria. E, com a pandemia, o supermercado ganhou ainda um aplicativo e passou a aceitar novas formas de pagamento, como via PicPay.

“Todo mundo fala que 2020 está sendo difícil, mas os nossos dois melhores anos foram 2019 e 2020. Conseguimos alavancar e atingir nossas metas. Acredito que se não tivéssemos entrado nesse pique, não teríamos conseguido chegar onde estamos hoje”, afirma Marangon. Para manter e até melhorar ainda mais os resultados, a Primato ainda pretende implantar o Primato Labs, um laboratório para desenvolvimento de novas ideias que possam beneficiar toda a cooperativa.

Tecnologia em sala de aula

Nas Salas Google, alunos e professores usam dispositivos como laptops, celulares e até óculos de realidade virtual para enriquecer o processo de aprendizagem. Foto: Divulgação.
Nas Salas Google, alunos e professores usam dispositivos como laptops, celulares e até óculos de realidade virtual para enriquecer o processo de aprendizagem. Foto: Divulgação.

Quando a pandemia de Covid-19 chegou ao Brasil e levou às aulas, desde as da educação infantil até as do ensino superior, para ambientes virtuais, professores e alunos do Colégio Maxi, de Londrina, no Norte do estado, não estranharam a mudança tanto assim - aliás, eles até deram suporte a outras escolas que estavam descobrindo as ferramentas de ensino remoto naquele momento.

Isso porque, desde 2017, o Colégio Maxi vem usando a tecnologia para criar um ambiente seguro de colaboração entre professores e alunos. Primeiro, eles decidiram usar as ferramentas e aplicativos disponibilizados pelo projeto Google for Education, incentivando os professores a fazerem os treinamentos da plataforma. Depois, veio a instalação das chamadas Salas Google, equipadas com laptops, celulares e até óculos de realidade virtual para os alunos utilizarem durante as aulas.

“Quando pensamos em usar mais tecnologia na educação, fomos buscar aquilo que faz parte do dia a dia dos nossos alunos - e o Google faz parte do dia a dia de todos nós e tem um projeto inovador voltado para a educação. Para nós foi bastante interessante, nós conseguimos integrar bem o projeto às nossas práticas”, afirma a diretora pedagógica, Débora Durães.

O objetivo era, além de investir em qualidade de ensino, acompanhar a linguagem de crianças e jovens que estudavam ali. Deu resultado: “Nós passamos a enxergar a mudança no olhar do aluno para o processo de aprendizagem e também no dos professores, que passaram a buscar mais recursos”, resume a coordenadora de tecnologia na educação, Janaína Fenato. A escola também se tornou a primeira do estado a receber o selo Escola de Referência do Google for Education.

Inovação como modelo de negócio

Desde que foi criada, em 2014, a Juno aumentou seu portfólio, mudou de nome e marca, encontrou novas formas de captar clientes e segue inovando.
Desde que foi criada, em 2014, a Juno aumentou seu portfólio, mudou de nome e marca, encontrou novas formas de captar clientes e segue inovando. | Divulgação

Como uma startup do setor financeiro, a curitibana Juno nasceu inovadora e com o propósito de solucionar um problema: facilitar o acesso de empresas menores a um meio de cobrança que estava reservado às maiores, o boleto. À época, no ano de 2014, ela foi batizada de Boleto Bancário.

Mantendo-se atenta às dificuldades que os pequenos empreendedores têm com serviços financeiros, a startup percebeu que poderia ampliar o leque de soluções oferecidas a esse público - e aproveitou a implementação de novos serviços para se reinventar, tornando-se a Juno que conhecemos hoje.

“Em 2017, começamos a evoluir para outros tipos de pagamento, como cartão de crédito. E aí veio a ideia da mudança de marca e de mostrar que não fazemos só a parte de pagamentos, fazemos toda a jornada financeira de pequenos empreendedores”, afirma o gerente de produto da fintech, André Carrera.

As novidades trouxeram crescimento e, com ele, novas ideias. “Ao invés de buscarmos clientes diretos, começamos a firmar parcerias com empresas que atendiam o mesmo público, como as que vendiam software de gestão. Aí tivemos um crescimento bem acelerado”, conta Carrera.

O ciclo de inovações continua, conforme Carrera, com um olho nas necessidades de melhoria detectadas pela própria empresa - e no recurso disponível para fazê-las - e outro no que está acontecendo no mercado, que pode ser estratégico. A partir de setembro, a fintech vai oferecer um serviço de conta digital para empreendedores.

Bônus para os inovadores

Nos cafés com o diretor-presidente, Claudio Zini, colaboradores falam sobre os valores da empresa, comentam a gestão e discutem ideias. Foto: Divulgação.
Nos cafés com o diretor-presidente, Claudio Zini, colaboradores falam sobre os valores da empresa, comentam a gestão e discutem ideias. Foto: Divulgação.

Na fábrica de portas Pormade, em União da Vitória, no Sul do estado, a inovação é assunto antigo, da década de 1980. Foi no fim dela, depois de uma viagem ao Japão, onde viu uma palestra sobre administração participativa, que o diretor-presidente da empresa, Claudio Zini, decidiu abrir espaço para que os funcionários apresentassem ideias que poderiam trazer mudanças positivas para o negócio - e também estimular essa participação.

Para isso, criou os mandamentos da empresa - como “desobedecer para fazer melhor”, que incentiva os funcionários a não seguirem ordens se souberem executar tarefas de maneira mais eficaz -, passou a tomar café diariamente com grupos de colaboradores para ouvi-los e estabeleceu uma recompensa financeira para quem apresentasse ideias que trouxessem economia.

“Qualquer melhoramento que é feito na fábrica, nós medimos a economia gerada e o valor de cinco dias de economia vai para o bolso do colaborador [que sugeriu a melhoria] ou para a equipe dele. Então, é uma alegria, porque, para cada problema, aparecem pelo menos três soluções”, afirma Zini.

Conforme ele, além da redução de custos, isso acarreta o aumento da qualidade dos produtos e da satisfação dos funcionários - o que se reflete nos bons posicionamentos da fábrica em rankings como o Great Place to Work Paraná.

Por essa mentalidade, Zini percebe a pandemia como “um acelerador do futuro”. Para a Pormade isso significou, principalmente, diversificação do contato com quem trabalha com as portas fabricadas ali: em vez de irem até a fábrica, como faziam até março, instaladores e arquitetos hoje recebem virtualmente os representantes da empresa em suas casas e escritórios.

Foco no bem-estar de pacientes

Na Clinipam, a ideia de usar óculos de realidade virtual para distrair crianças que têm medo de agulha veio dos próprios funcionários de análises clínicas. Foto: Divulgação.
Na Clinipam, a ideia de usar óculos de realidade virtual para distrair crianças que têm medo de agulha veio dos próprios funcionários de análises clínicas. Foto: Divulgação.

Para a operadora de saúde Clinipam - curitibana em sua origem, mas pertencente, desde fevereiro, ao grupo NotreDame Intermédica -, a inovação possibilita o cumprimento da missão da empresa - ampliar o acesso da população à saúde de qualidade -, além de uma forma de valorizar o relacionamento com os clientes. Isso não significa que a empresa não volte esforços para melhorar processos internos, mas que foca em soluções que se reflitam em bem-estar para os consumidores.

Uma delas, destacadas pelo CEO Mario Sergio Saddy, foi inspirada numa prática do passado: o Dr. Clinipam, um serviço assistencial via chat que orienta pacientes considerando o histórico médico da pessoa. “As pessoas perderam a relação médico-paciente. Antigamente, elas tinham seus médicos e ligavam para eles para falar o que estavam sentindo. Por já conhecê-las, eles diziam: ‘olha, toma um copo de água com açúcar e vai dormir’ ou ‘vai amanhã no meu consultório’ ou ainda ‘vai ao pronto socorro e, qualquer coisa, pede para o médico me ligar’”, explica Saddy. O atendimento Dr. Clinipam, que já estava em funcionamento antes de março de 2020, foi ampliado com a pandemia.

Para envolver toda a empresa no processo de “gerar inovação”, a operadora criou um programa de estímulo em que ideias inovadoras eram apresentadas e discutidas, o Eureka. Ele rendeu frutos, como a adoção de realidade virtual para distrair crianças com medo de agulha na hora de fazer exames de sangue. Atualmente, devido ao crescimento da empresa, o programa está sendo reformulado e a Clinipam busca uma plataforma para possibilitar a troca de ideias entre todos os funcionários.

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