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Lolly Pop, mascote da My Pet, em atendimento na ambulância da empresa.
Lolly Pop, mascote da My Pet, em atendimento na ambulância da empresa.| Foto: Divulgação

Durante o enfrentamento da pandemia, foi natural que os cuidados com a saúde se tornassem uma prioridade para os mais variados segmentos do mercado, entre eles o de pet. Muitos deles, até então, não colocavam no topo da lista os cuidados básicos com higiene, bem-estar e apoio psicológico. O mesmo aconteceu entre as empresas que, em um curto espaço de tempo, passaram a ver o tema com outros olhos.

O que não se esperava, no entanto, era que a preocupação com a saúde ultrapassasse os limites humanos. Em uma onda crescente do que o mercado chama de “humanização dos pets”, os animais de estimação passaram a ter destaque no segmento de seguros em um contexto no qual tutores estão cada vez mais preocupados com o bem-estar de seus bichinhos.

É nesse cenário que grandes empresas decidem aproveitar o bom momento do segmento ao lançarem produtos de olho nos pequenos animais domésticos. Um exemplo está na Porto Seguro, que recentemente comprou mais de 13% de participação acionária na Petlove, principal petshop online do país. A intenção é criar, a partir da aquisição, um braço dedicado a seguros e planos de saúde veterinários, batizado de Porto.Pet.

A vez das pequenas no mercado pet

Mesmo ao lado de gigantes, ainda há espaço para startups brigarem pelo protagonismo nos cuidados com a saúde animal. Quando fundaram a curitibana My Pet, Daniel Cooper, Thiago Sillas, Raquel Sillas, Bruno Ferreira e André Buscan estavam de olho justamente no potencial do mercado pet no Brasil — hoje, o segundo principal do mundo, segundo o Instituto Pet Brasil.

Os números não mentiam: havia oportunidades de negócios, e isso estava ainda mais evidente com a pandemia, na medida em que, isoladas em casa, as pessoas tiveram mais tempo para se dedicar aos seus companheiros de quatro patas.

Foi assim que surgiu o primeiro plano de atendimento veterinário domiciliar do país, em novembro de 2020, como resultado das experiências anteriores dos sócios nas áreas de medicina veterinária e também em atendimento pré-hospitalar. A premissa do atendimento em casa é justificada pelo isolamento social.

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Da esquerda para a direita, Daniel Cooper, Thiago Sillas, Raquel Sillas e Bruno Ferreira, sócios da My Pet. | StudioONE

O salto tecnológico da população também abriu espaço para que a My Pet se apoiasse no argumento de que é possível ter um atendimento de qualidade, mesmo longe dos consultórios e clínicas veterinárias. Da ideia inicial à chegada ao mercado foram dois anos. “Entendemos que o tutor e o pet poderiam ser uma coisa só. Não havia possibilidade de criar um produto para um, sem gerar benefício para o outro”, conta Bruno Ferreira, um dos fundadores da empresa.

O racional por trás do MyPet está em levar às casas dos tutores os serviços veterinários de baixa complexidade — que, segundo Ferreira, representam mais de 90% de todos os atendimentos em clínicas. Para isso, o cliente paga uma mensalidade de R$ 64,90, valor que, segundo o fundador, chega a ser um terço de uma consulta veterinária comum. Em troca, o tutor passa a ter acesso a consultas e atendimentos em casa todos os dias do ano, sem limitação.

Além da flexibilidade, o conforto também é uma justificativa para o surgimento da MyPet, segundo Ferreira. “Sabemos que o conforto não é apenas para o dono. Mas uma consulta em casa poupa o pet de todo o estresse de estar em um novo ambiente”, diz.

No rol de serviços estão consultas, atendimentos de emergência, aplicação de vacinas e coleta de exames. Em apenas cinco meses de atuação, o plano de saúde pet multiplicou por seis sua base de clientes, mas sem se perder do objetivo inicial. “A missão da MyPet é unir medicina de ponta e comodidade”, afirma o fundador.

A ideia dos empreendedores é ajudar na economia dos tutores de animais. Com uma parcela fixa mês a mês, a proposta é fazer com que os donos não precisem se preocupar com despesas inesperadas com a saúde do animal ao longo do ano.

A fórmula parece ter funcionado: em sete meses de operação, a empresa já totaliza 800 vidas seguradas, com uma média de atendimento de 270 pets por mês. A estimativa é chegar a 1,4 mil pets segurados até o final do ano e, ao comemorar um ano no mercado, ter mais de 2 mil atendimentos mensais.

Para expandir assim tão rapidamente, a startup vai apostar na transição para um modelo de franquia, levando unidades para todo o país. Em um primeiro momento, já no ano que vem, a ideia é ir além de Curitiba e chegar a quatro novas cidades.“Estamos só começando. Ainda há muito espaço para crescer e muito a oferecer no que diz respeito aos cuidados animais”, conclui Ferreira.

Seu dinheiro de volta

Da esquerda para a direita: Alexandre Berger (Founder), Carlos Eduardo Batista (COO), Vald Fernandes (CTO) e Ana Luísa Seleme (Founder), todos da Petwell.
Da esquerda para a direita: Alexandre Berger (Founder), Carlos Eduardo Batista (COO), Vald Fernandes (CTO) e Ana Luísa Seleme (Founder), todos da Petwell. | Divulgação

Os custos para cuidar da saúde de um animal também chamaram a atenção dos colegas Alexandre Berger e Ana Luisa Seleme. Em comum, os dois amigos, que já tinham experiência na área de gestão e saúde, entendiam que a ausência de uma ferramenta no mercado que permitisse flexibilidade no atendimento veterinário era evidente.

Foi então que fundaram a Petwell, startup de tecnologia que foca na saúde pet. A empresa é a primeira a operar como um plano de saúde 100% digital para cães e gatos. “O aumento dos custos com a saúde pet e a inegável humanização dos animais chamaram muito a nossa atenção para um mercado, dentro da área de saúde, que tinha muitas oportunidades”, conta Berger.

“Com a pandemia, percebemos que a relação entre o tutor e o pet foi totalmente reconfigurada. Os cuidados deixaram de ser com aquele cão que fica no quintal, para aquele cão que mora dentro de casa, como um membro da família”, diz Ana Luisa.

A aposta da Petwell está na experiência do usuário. A startup assume a missão de oferecer uma jornada prazerosa, simples e ágil para tutores em sua plataforma digital. Pelo aplicativo, eles podem responder a alguns questionários com informações básicas sobre o animal, como raça, porte, idade e condições de saúde. A partir disso, o aplicativo estima os custos com saúde que aquele pet pode acarretar e oferece isso na forma de plano customizado, com coberturas que podem variar de R$ 5 mil a R$ 15 mil anuais.

De acordo com Ana Luisa Seleme, apesar da semelhança com os planos de saúde tradicionais, a Petwell não é nada convencional. Pelo contrário. A startup dispensa qualquer tipo de rede credenciada de profissionais, tudo para provar que a liberdade de escolha é do tutor, que pode optar pelas clínicas e profissionais de sua escolha e confiança.

“Percebemos que não tínhamos nenhum player que oferecesse algo além dos moldes tradicionais”, conta. “Não era justo que, assim como nos planos de saúde comuns, o tutor tenha que pagar o mesmo valor mensal que todos se o pet dele tem necessidades específicas”, explica Ana.

Hoje, a Petwell oferece reembolsos de 70% a 90% para consultas veterinárias e outros serviços de saúde para pets, como vacinação e cirurgias. “Nosso objetivo é que o tutor tenha segurança financeira e não encontre nenhum atrito ou letras miúdas. O processo é só um: baixar o aplicativo e reembolsamos em até cinco dias”, explica a fundadora.

Os números da Petwell comprovam o bom momento para o modelo de negócio. Em apenas quatro meses de funcionamento, eles já têm planos de diversificação. Em um futuro próximo, a startup quer abandonar o posto de empresa de planos de saúde e passar a ser também um canal de informações e serviços. “Queremos ser um ecossistema completo de serviços pet”, conclu

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