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Em parceria com colaborares mais ativos da plataforma, o LinkedIn aprontou as 20 tendências para 2021 em áreas como saúde, mobilidade, política e tecnologia.
Em parceria com colaborares mais ativos da plataforma, o LinkedIn aprontou as 20 tendências para 2021 em áreas como saúde, mobilidade, política e tecnologia.| Foto: Antonio DiCaterina/Unsplash

Que a pandemia reconfigurou o mundo não é uma novidade, mas o que esperar de 2021? Trabalho, mobilidade, sustentabilidade, mudanças climáticas, mais mulheres em cargos de chefia, viagens por assinatura e mais. A rede social Linkedin divulgou, na última semana, um guia de 20 grandes tendências para o ano prestes a se iniciar. A construção do levantamento, batizado de Big Ideas 2021, foi realizada pelos editores do LinkedIn News em parceria com seus colaboradores mais frequentes.

Com um ano que testou a resiliência, segundo Scott Olser, editor chefe do LinkedIn News, este é o momento de pensar que tipo de futuro a sociedade deseja. “Ao nos aproximarmos de 2021 com a tênue promessa de um pacote de vacinas, enfrentamos um novo teste: precisaremos decidir que tipo de mundo pós-pandemia queremos construir para nós mesmos e para as gerações futuras”, reflete.

Entre as tendências destacadas por especialistas estão alterações na mobilidade com a descentralização das grandes cidades, flexibilização dos modos de trabalho e mais imersão tecnológica. Confira as tendências para 2021 segundo o LinkedIn.

20 tendências para 2021

1. Prédios que absorvem CO2

A Organização das Nações Unidas (ONU) calcula que métodos de construção e fontes de energia correspondem a 39% das emissões globais de carbono. Mas há alternativas para reduzir os impactos no meio ambiente.

Segundo Kate Simonen, chefe do departamento de arquitetura da Universidade de Washington, há saídas nas construções para promover a sustentabilidade, que vão desde a elaboração de novas bactérias que podem criar novas variações de concreto até a substituição por cimento feito de resíduos que hoje são descartados da produção agrícola, como cascas de arroz.

Outra iniciativa que pode colaborar com a redução da poluição, segundo Kate, é a maior comercialização, fomento e produção de tijolo verde, que tem como matéria prima resíduos da construção civil e areia, também capazes de absorver gases CO2.

2. Ondas e calor serão batizadas

A terra está aquecendo e isso também não é uma novidade. No Brasil, por exemplo, as altas temperaturas prejudicam plantações e promovem queimadas. Segundo Kathy Baughman McLeod, diretora do Adrienne Arsht-Rockefeller Fundation Resilience Center do Atlantic Council, a alta na temperatura não causa desastres como tornados, mas são tão nocivos quanto, causando inclusive mortes.

Para Kathy, o próximo passo é dar nome a ondas de calor como outros fenômenos são batizados. Segundo a especialista, essa ação promove uma conscientização sobre os impactos das altas temperaturas e estimula a busca por alternativas para o meio ambiente. “Em 2021, nós vamos chamar ondas de calor por nomes, assim como fazemos com tempestades e furacões, e o calor extremo deixará de ser um causador silencioso de mortes” afirma.

3. Cidades de 15 minutos

Já pensou em morar a 15 minutos, a pé ou de bicicleta, de tudo que você precisa? Esse é o conceito de cidade de 15 minutos, que, segundo Frederik Anseel, professor da gestão na Universidade de New South Wales, será a proposta de prefeitos para o futuro.

Com a reconfiguração impulsionada pela pandemia, foi possível vislumbrar que diversas categorias podem trabalhar de suas casas, promovendo uma remodelação da mobilidade urbana. Para o professor, o mundo vai ver cada vez mais ciclovias temporárias, com comunidades se formando em torno de um pequenos centros.

"Grandes cidades como Paris, Londres e Sydney poderão se tornar vastas áreas urbanas constituídas de algumas comunidades menores, cada qual com o seu próprio centro", explica Anseel.

4. Refugiados climáticos

Segundo o guia de tendências do LinkedIn, até 2070 um terço da população vai viver em condições impróprias para a vida por conta de mudanças climáticas.

Para Gred Lindsay, diretor de pesquisa aplicada na ONG NewCities Fundation, as cidades precisam se preparar para receber os refugiados climáticos, aqueles que precisam se mudar pois seu local de residência se tornou inabitável. Para o diretor, as cidades devem ter mais modelos imobiliários com a redução da emissão de carbono, além de mais cinturões verdes que substituem o asfalto.

5. Os ricos ficam mais ricos

Durante a pandemia, 40% dos brasileiros mais pobres perderam 32% da renda. Já os 10% dos mais ricos perderam apenas 3% de seus proventos, acentuando ainda mais o abismo social do país. Os dados são de um levantamento da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em parceria com o Observatório das Metrópoles e Observatório da Dívida Social na América Latina.

Consequentemente, grandes empresas devem voltar seus produtos e serviços para pessoas mais ricas. Como exemplo, redes de hotéis que passam a atender demandas de empresários, ou cinemas que devem mirar nos públicos que têm recursos para consumir. Como consequência, suas estruturas operacionais também devem mudar, substituindo recursos que iriam para fábricas e máquinas por dados e algoritmos.

É a crença de David Hunt, CEO da PGIM, empresa global de investimentos. "Empresas ao redor do mundo estão abandonando recursos que historicamente as definiram – fábricas, máquinas, escritórios regionais transbordando de funcionários", disse ao LinkedIn notícias.

6. Mais mulheres líderes

Embora as mulheres tenham sido muito afetadas por demissões durante a pandemia, segundo dados do LinkedIn, mais delas têm alcançado posições de liderança e essa tendência deve continuar.

A lista Fortune 500, que reúne as 500 empresas mais valiosas do mundo, registrou o recorde de mulheres na liderança das organizações em 2020. Embora seja um avanço, o valor representa apenas 7,6% do total de empresas lideradas por homens.

7. Volta híbrida para o escritório

O trabalho não será mais o mesmo. Segundo Liz Burow, ex vice-presidente de estratégias para o ambiente de trabalho da WeWork, os escritórios passam a funcionar como clubes, contando com espaços para confraternizações, reuniões de lideranças e para promover a cultura das empresas, mas não como postos de trabalho. Na opinião da executiva, os funcionários não irão mais se encontrar todos os dias.

A diretora de estratégia e operações no ambiente de trabalho da Nike, Brittney Van Matre, concorda com a reconfiguração e afirma que estações de trabalho deixarão de existir. Matre salienta que as empresas devem adotar instalações alternativas com locais como paisagens associadas ao lazer, para motivar os funcionários nos dias que devem de deslocar até o escritório.

8. Rotinas de trabalho flexíveis

A tendência voltada para os escritórios apontam que haverá uma grande flexibilidade de trabalho. Segundo Ashley Whillians, professora da Harvard Business School, as empresas devem adotar regimes com dois dias de trabalho remoto e três no escritório, por exemplo.

"O aspecto da flexibilidade irá variar dependendo do setor e da localização geográfica. Mas, espera-se que, se fizermos isso corretamente, as viagens de ida e volta ao escritório se tornem ultrapassadas", prevê.

9. Crescimento do ambiente virtual

O distanciamento forçou a digitalização e inserção no mundo online e isso deve se perpetuar. A tecnologia levada a outros níveis deve fortalecer o mundo virtual com experiências cada vez mais aprimoradas.

Segundo Lex Sokolin, co-diretor global da fintech da Consensys, o crescimento e maturidade dos ambientes virtuais também influencia a atividade econômica, com ativos digitais como blockchain e realidade virtual ganhando força.

10. Turismo por assinatura

Na pandemia a indústria de viagens foi forçada a abandonar todos os planos e começar do zero. Os gigantes do turismo estão buscando alternativas. A americana Costco, em parceria com a WheelsUp, oferece uma assinatura anual de um jato privado por 17 mil dólares. Outra iniciativa é da Tripadvisor com sua assinatura anual custando 99 dólares que oferece ofertas exclusivas de viagens para os turistas.

Hannah Pearson, fundadora da empresa de consultoria para viagens Pear Anderson, afirma que o sudeste asiático já conta com companhias testando o conceito de assinaturas. "A AirAsia lançou um passe ilimitado para voos domésticos na Malásia no início deste ano - e tendo em vista que eles já o implementaram na Tailândia, Filipinas e Indonésia, podemos deduzir que tem sido um sucesso", descreve.

11. Cinema ou Netflix?

O cinema foi um segmento fortemente impactado pela crise, ao contrário do streaming que ganhou seguidores como alternativa para o entretenimento. Para Scott Galloway, professor de marketing da Universidade de Nova York, comidas, poltronas confortáveis e limpeza não serão suficientes para atrair mais telespectadores para as salas de cinema.

“As comédias são mais engraçadas, os suspenses têm mais emoção e os filmes de terror são mais assustadores na multidão. Os cinemas precisam se reinventar como locais de encontro e espaços sociais. Um novo filme da Marvel pode ser um evento com concursos de fantasias e exibições de maratonas de filmes anteriores, por exemplo”, descreve Scott.

Para o professor, o streaming se mostra complementar a este processo, através do investimento em capital para que o setor de cinemas possa superar a crise, ou parcerias para que os assinantes de determinado serviço de streaming possam assistir a estreias exclusivas nos cinemas, por exemplo.

12. Millenials transformam o mercado de investimentos

A revista The Economist destacou tendências que impulsionam as mudanças no mercado de investimentos, protagonizada pela geração nascida entre 1981 e 1996, os millenials. Segundo o levantamento a renda desta geração crescerá 75%, substituindo a geração de baby boomers, nascidos entre 1946 e 1964.

A tecnologia é outro fator que acelera o volume de investimentos dos mais jovens, através de aplicativos e com menos burocracia. Outra evidência que força a indústria financeira a se reinventar para seguir o dinheiro, é que aqueles com menos de 35 anos tem duas vezes mais chances de vender uma ação se considerar que a empresa é insustentável ambientalmente ou socialmente.

Na corrida para captar mais investidores, o levantamento da The Economist aponta que grandes bancos devem realizar fusões com fintechs.

13. Renascimento empresarial

Assim como a grande recessão da última década que desencadeou uma onda de empreendedorismo, a pandemia deve fazer surgir diversos novos empresários. É o que acredita Lucy Chow, senadora do Fórum Mundial de Investimento de Business Angels. A tendência se confirma no Brasil, onde no primeiro quadrimestre de 2020 mais de um milhão de empresas foram abertas.

"Vamos começar a ver mais pessoas saindo das empresas e iniciando seus próprios negócios. Talvez a um ritmo acelerado como nunca vimos antes", destaca Lucy.

14. Recessão Global

Desemprego de longa duração, falências, indústrias afetadas indiretamente pela crise. Para o economista Ernie Tedeschi, estes são sinais claros de que  o mundo vai enfrentar uma nova crise de recessão global.

Para o também economista Mohamed El-Erian, os maiores riscos estão concentrados nos setores de manufatura e serviços. Confirmando a previsão, as Nações Unidas projetam que 235 milhões de pessoas precisarão de sua ajuda em 2021, para isso estão arrecadando doações que chegam a 35 bilhões de dólares.

15. Esperança na vacina

Com a esperança da aprovação de vacinas, em diversos países, Michael Osterholm, epidemiologista do Centro de Políticas de Pesquisa e Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota, acredita que existem ressalvas para que a imunização coletiva seja de fato eficiente.

O especialista aponta que é possível que o mundo tenha duas ou três gerações de vacinas nos próximos anos. As taxas de mortalidade devem continuar caindo, tratamentos e diagnósticos devem melhorar.

16. Caráter dos líderes é primordial

Com a incerteza sobre o futuro no trabalho, causado pela pandemia, os funcionários e empresas passam a buscar cada vez mais relações de confiança e contribuição para uma causa maior. Uma liderança com caráter será um diferencial.

Os líderes reconhecem que as pessoas não são recursos mas sim a empresa e passam a valoriza-las. É o que afirma Adam Grant, psicólogo organizacional de Wharton. “Eles (os líderes) não nos manterão presos a um escritório ou horário, mas nos darão liberdade e flexibilidade para trabalhar onde e quando for necessário. Eles não se tornarão microgerenciadores. Eles não vão nos manter presos em empregos sem saída, mas criarão oportunidades de crescimento e avanço. E eles se importarão o suficiente para nos apoiar a encontrar um caminho seguro”, salienta.

17. Big techs devem prestar contas

Google e Facebook devem sofrer sanções das autoridades dos Estados Unidos, visto as dúvidas da população sobre o monopólio de publicidade, segurança e vazamentos de dados destas gigantes de tecnologia. Há também a preocupação sobre a falta de moderação dos conteúdos publicados nas redes sociais.

Ativistas nos Estados Unidos estão pedindo a Comissão Nacional de Tecnologia e Democracia para fazer recomendações concretas ao Congresso e aos reguladores sobre outras formas de controlar as Big Tech. Os acontecimentos devem fomentar a tomada de decisão por autoridades dos Estados Unidos.

18. Tecnologia para a segurança

As tecnologias e inovações mais desejadas para o próximo ano serão aquelas que promovem a saúde e segurança dos usuários, como por exemplo relógios capazes de verificar os níveis de oxigênio dos pacientes e determinar a gravidade de doenças como a Covid-19. Outra segurança que empresas de tecnologia devem se atentar é para que os dados dos usuários não sejam utilizados de forma indevida.

19. De olho na China

Com a rápida recuperação do país epicentro da contaminação de Covid-19, os chineses levam uma vida quase que normal, pouco menos de um ano do início do surto. O combate eficaz é fruto de políticas de isolamento social que culminaram inclusive no crescimento da economia em 4,3%. A eficiência em combater o vírus deve colocar a China em uma posição privilegiada para garantir o lugar como superpotência nos próximos anos.

Mesmo com o crescimento há tensões nas relações com outros países, como Alemanha, Estados Unidos, Coreia do Sul e Canadá. Tensão esta que deve permanecer nos próximos anos, segundo James McGregor, diretor para assuntos chineses da empresa de relações públicas, APCO Worldwide. “A China estará à frente de todos economicamente. No entanto, sua reputação global não vai melhorar”, prevê.

20. Prevenção da pandemia não só na medicina

A saúde da população está ligada a questões ambientais. Desequilíbrios como aumento populacional, agricultura, devastação do meio ambiente aproxima a população de animais e promove doenças zoonóticas mais frequentes, com potenciais novas pandemias. É o que afirma Gred Martin, especialista em saúde pública do Health Service Executive.

A pandemia demonstrou também que a saúde pública passa por questões de justiça e desigualdade racial, causando um impacto desproporcional na comunidade negra e indígena. Fatores socioeconômicos impactando a saúde da população devem ser alinhados e combatidos por governos, segundo Gred.

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