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O GazzConecta conversou com Analigia Martins, recém-nomeada diretora de marketing do Duolingo no Brasil.
O GazzConecta conversou com Analigia Martins, recém-nomeada diretora de marketing do Duolingo no Brasil.| Foto: Gustavo Rampini.

O aplicativo educacional mais baixado do mundo tem um espaço reservado no coração dos brasileiros. É que em plena pandemia do coronavírus, no Brasil, o Duolingo viu seu número de downloads atingir a casa dos 30 milhões entre os meses de abril e maio de 2020. No mundo, são mais de 500 milhões de usuários.

A filosofia do app é simples: aprender novos idiomas deve ser prazeroso - e interativo. A missão, segundo a empresa, é tornar a educação gratuita, divertida e acessível a todos.

Como segundo maior mercado da companhia - ficando atrás apenas dos Estados Unidos - o Brasil tem um potencial imenso para o Duolingo. Parte desse potencial mobilizou a empresa a inaugurar bases no país. No ano passado, ela expandiu em diferentes mercados, lançou novas certificações e incorporou funcionalidades na plataforma.

O GazzConecta conversou com Analigia Martins, recém-nomeada diretora de marketing do Duolingo no Brasil, sobre o desempenho do aplicativo em 2020, as estratégias para o sucesso da companhia, a expansão em território nacional e o impacto da IA no processo de aprendizado.

Com presença da executiva na companhia, o Duolingo passa a ter estratégias próprias para atrair e reter alunos no país, além de ser capaz de identificar as especificidades dos alunos brasileiros e o padrão de aprendizado por aqui.

Mais tempo para aprender

O maior tempo livre motivou milhares de alunos a buscarem novos cursos e capacitações, especialmente no ambiente online. Com os idiomas não foi diferente. Segundo Analigia, o contexto favoreceu o Duolingo, que além de oferecer um total de  98 cursos em mais de 40 idiomas distintos, teve a seu favor a gratuidade. “Sabemos que os cursos de idioma são caros no Brasil. O objetivo é entender o que funciona ou não em um mercado como o nosso, que ainda tem muitas lacunas a serem preenchidas”, conta.

A receita do Duolingo vem das parcerias estratégicas e de propagandas. O aplicativo também tem uma versão paga, que oferece avaliações individuais de progresso, por exemplo.

Impacto no setor

O isolamento social, em decorrência da pandemia, também impactou o setor de educação. Não à toa, as edtechs - startups que unem tecnologia e educação em seu cerne de atuação - tiveram destaque no último ano, levantando o total de US$ 25,4 milhões em aportes no acumulado de 2020.

Avaliado em mais de US$ 2,4 bilhões, o Duolingo, individualmente, já levantou mais de US$ 183 milhões em capital de risco de investidores de peso, como o ator Ashton Kutcher e o empresário Tim Ferriss.

Em seu relatório anual de resultados, o Duolingo destacou os principais padrões para o ensino no Brasil e mostrou que a quarentena influenciou as motivações para o estudo de outros idiomas. A necessidade de reforço no aprendizado escolar é o principal motivo pela busca.

Segundo a empresa, um terço de todos os usuários brasileiros estão estudando para a escola. Em segundo lugar está a carreira. Para Analigia, as crescentes taxas de desemprego contribuíram para o resultado.

“A população brasileira hoje já tem consciência de que um idioma a mais é vital para o mercado de trabalho. O Duolingo ajuda sendo uma ferramenta para recolocação”, afirma.

Paraná é o segundo estado mais engajado

O relatório também analisou quais estados do país tiveram a maior persistência por parte dos alunos, ou seja, o maior número de dias seguidos utilizando o app. O Paraná ficou em segundo lugar, perdendo apenas para o Rio Grande do Sul, e à frente de estados como São Paulo e o Distrito Federal.

Aposta

Segundo Analigia, o Duolingo passou a reconhecer, especialmente durante a pandemia, a importância da população mais sênior no desempenho da empresa. “Somos muito conhecidos entre os jovens. O desafio agora é levar o Duolingo para outras faixas etárias”, afirma.

O cenário de transformação digital tende a ajudar nessa missão. Com a necessidade de digitalização, muitos setores expandiram sua presença online. Com isso, ferramentas do dia a dia passaram a ser usadas com maior frequência pelo público mais velho. “Aplicativo é a opção perfeita”, relata.

Espaço para inovar

Além de sua plataforma principal, a empresa criou um teste de inglês online com certificação aceito por mais de 3 mil universidades, incluindo Yale, Columbia e a Universidade de Nova York. A possibilidade de evitar o deslocamento físico fez com que a  busca pelo teste online crescesse 1.500% em 2020, segundo a empresa.

O Duolingo também lançou recentemente um aplicativo de alfabetização infantil, chamado Duolingo ABC. Lançado durante a pandemia, o aplicativo tem sido um grande sucesso nos Estados Unidos. Mesmo sem data definida, Analigia acredita que não irá tardar para que o app também chegue ao Brasil.

Além disso, o Duolingo aposta também na Inteligência Artificial (IA) como a chave para a educação do futuro. O aplicativo usa IA para a personalização da jornada de cada usuário, de acordo com as suas preferências e principais dificuldades. No aplicativo, um aluno pode “competir” com outros usuários do mundo e até ganhar ou perder vidas conforme acertam ou erram em cada nível. A gamificação é um dos principais benefícios do Duolingo, segundo Analigia. “Entendemos que parte do sucesso está na motivação trazida pela diversão”, diz.

Com a tecnologia, o Duolingo espera lançar novos produtos no mercado e novas funcionalidades estão previstas para o app em junho deste ano.

Para 2021, o objetivo é também olhar para além dos números e aumentar o impacto social da empresa. “Queremos que ter um celular com acesso à internet seja o bastante para o aprendizado pelo Duolingo”, afirma Analigia. “Para isso, precisamos chegar às áreas mais remotas do país. Queremos reforçar nosso compromisso e responsabilidade social”, conclui.

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