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Em pesquisa inédita da Distrito sobre startups de cidades inteligentes no Brasil, 99 se destaca por captação de investimentos e visibilidade.
Em pesquisa inédita da Distrito sobre startups de cidades inteligentes no Brasil, 99 se destaca por captação de investimentos e visibilidade.| Foto: Divulgação/99

O ecossistema de startups voltadas a resolver problemas urbanos no Brasil ainda é incipiente, mas promete se multiplicar nos próximos anos com a chegada da tecnologia 5G e de uma análise de dados mais ágil por parte das cidades. Essa é uma das conclusões do estudo inédito Smart Cities Distrito Report 2020, adiantado com exclusividade ao GazzConecta, que também é apoiador da pesquisa.

Realizado pela empresa de inovação aberta Distrito, o estudo mapeia 166 startups ativas no país. Elas são subdivididas em oito categorias, das quais se destaca a de mobilidade — que corresponde a um terço do total. São elas: mobilidade (32,5%), infraestrutura urbana, que solucionam problemas relacionados a água e energia (12%), soluções ecológicas (10,8%), planejamento e gestão (9,6%), operações municipais, que auxiliam a administração pública (9,6%), gestão de resíduos (9,6%), segurança (8,4%) e qualidade de vida (7,2%).

Segundo o head de corporate success da Distrito, Gustavo Comeli, o destaque da mobilidade não se dá por acaso. Isso porque, em aplicativos que criam soluções alternativas de transporte, as empresas não precisam enfrentar uma das principais barreiras de crescimento do setor de cidades inteligentes no país: a burocracia das esferas governamentais.

“O mercado de smart cities é incipiente principalmente porque em geral o grande cliente comprador [das soluções] é o governo e suas esferas. Construir uma solução que só a prefeitura pode comprar, por exemplo, já cria uma barreira, porque vai depender de licitação — um processo democrático, mas que faz com que quem é inovador não consiga competir no mesmo jogo”, explica Comeli. 

No caso dos aplicativos de mobilidade — como a 99, um dos grandes destaques da pesquisa em captação de investimentos e visibilidade — esse impedimento não existe, uma vez que o cliente contrata a solução diretamente via app. “É mais fácil porque não depende do governo, é um cidadão consumindo direto de um player privado. A situação ficou truncada porque, depois, táxis e ônibus chiaram com a entrada dos concorrentes”, relata o especialista.

Além do mapeamento, a pesquisa também mostra que dois terços das startups foram fundadas depois de 2014 e que os investimentos em dez anos totalizaram US$ 331 milhões (dos quais US$ 200 milhões foram captados apenas pela 99 em duas rodadas realizadas em 2017) — endossando que o mercado ainda é pequeno no país. A título de comparação, segundo dados da Distrito, a categoria de startups financeiras (fintechs) brasileiras captaram US$ 2,4 bilhões desde 2015; as de varejo, US$ 1,1 bilhão desde 2011.

Juazeiro do Norte (CE) ensina como se preparar para o futuro

Mas como ultrapassar a burocracia e construir novas possibilidades para relações entre cidades e tecnologia? A pesquisa aponta a cidade cearense de Juazeiro do Norte como um exemplo que ataca um dos principais problemas: a falta de uma arquitetura corporativa de evolução da transformação digital.

“O que eles fizeram foi criar uma legislação norteadora e mais amigável para soluções de cidades inteligentes, criando um arcabouço jurídico que permite a adoção de tecnologias de forma experimental e depois definitiva”, explicita. “É um belo exemplo, e outras cidades deveriam seguir esse caminho”.

Juazeiro do Norte, no Ceará, é exemplo de legislação voltada para smart cities no Brasil.
Juazeiro do Norte, no Ceará, é exemplo de legislação voltada para smart cities no Brasil.| Fernando Xavier / Flickr

Quanto antes as cidades virarem essa chave, melhor. Comeli projeta que, se a digitalização governamental ainda é escassa, o hiato entre as tecnologias existentes e administração pública deve se exacerbar ainda mais com a chegada do 5G — que, na prática, vai multiplicar as possibilidades de implementação de tecnologia na rotina das cidades.

Na mobilidade, exemplos são vários, e vão desde a inteligência artificial aplicada a semáforos — que poderá tomar decisões mais assertivas sobre o trânsito em tempo real — até o cidadão que usa transporte público, acompanhando o trajeto do ônibus e sua lotação.

“As tecnologias 5G vão habilitar intervenções em tempo real que podem evitar catástrofes. Startups podem propor soluções para que uma tomada de decisão alternativa e mais rápida. Para isso, é preciso pensar uma legislação para o futuro”, complementa Comeli.

O Smart Cities Distrito Report 2020 foi apresentado em primeira mão durante o segundo dia do Smart City Session, evento online sobre cidades inteligentes realizado pelo iCities. O GazzConecta é media partner do evento, e você confere a cobertura completa aqui.

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