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A empresa curitibana foi fundada em 2009 por Marcelo Scandian, Daniel Scandian e Robson Privado.
A empresa curitibana foi fundada em 2009 por Marcelo Scandian, Daniel Scandian e Robson Privado.| Foto: ALISON MACHADO

O mercado de startups segue aquecido em 2021. Na última semana, foi a vez da curitibana MadeiraMadeira entrar para lista de unicórnios (apelido dado às companhias avaliadas em US$ 1 bilhão). A plataforma online de venda de móveis recebeu um aporte de US$ 190 milhões liderado pelo fundo japonês Softbank e passou a ser a segunda startup não-paulista a entrar no clube de bilionárias do Brasil.

Com a injeção de capital, a startup já adiantou intenções de melhorar seus processos de logística e aumentar drasticamente a presença no país. A MadeiraMadeira também quer aumentar seu portfólio de produtos próprios e colocar o cliente como foco central da operação.

"Entendemos que ter uma linha própria traz uma melhor experiência para o cliente e, olhando para frente, faz cada vez mais sentido para a MadeiraMadeira ter produtos autorais e de qualidade. Faz parte do conjunto da experiência”, afirmou Robson Privado, COO da MadeiraMadeira, em entrevista ao GazzConecta.

De acordo com o executivo, o aporte chega em momento de consolidação de um modelo de negócios que tenta unir a importância do varejo online à experiência do consumidor nas lojas físicas. A ideia, segundo Privado, é que o valor captado ajude a empresa a aumentar a sua capilaridade no Brasil e realizar entregas expressas – ou quase imediatas – no estado de São Paulo.

Veja na íntegra a entrevista com o executivo:

O aporte vem como um pontapé inicial para 2021. Como você enxerga o momento atual da empresa, agora como unicórnio?

Acho que é importante contextualizarmos o porquê de um novo aporte agora. No final de 2019, captamos com o Softbank um valor que seria utilizado com algumas iniciativas para 2020, e foi exatamente o que fizemos. Não tínhamos planejado uma nova rodada de investimento tão rápido, mas o que corroborou foi o impacto da pandemia e a penetração do e-commerce. Vimos uma oportunidade de antecipar investimentos em iniciativas que prevíamos apenas para 2022 ou 2023.

Quais são estes projetos?

Temos quatro grandes iniciativas. A primeira delas são as nossas guide shops. A ideia é ampliá-las ainda mais em 2021, como já tem sido feito desde o último ano.

Primeira loja física do MadeiraMadeira foi inaugurada em Curitiba e segue o conceito de guide shop.
Primeira loja física do MadeiraMadeira foi inaugurada em Curitiba e segue o conceito de guide shop.| Divulgação

A segunda é a questão logística, algo que começou no ano passado, quando lançamos nosso primeiro centro de distribuição em Jundiaí. Com isso, a partir de fevereiro e março, a intenção é que as entregas sejam feitas já no dia seguinte da compra, principalmente para os produtos campeões de venda.

Em terceiro lugar está a nossa linha própria. Lançamos [o projeto] no início de 2020 e fomos aprimorando e aprendendo. Agora, com feedbacks de clientes, podemos escalar isso, algo que faz muito sentido para nós e que tem o objetivo central de ter foco no cliente.

Por último, está a parte focada em pós-venda, atendimento e experiência do cliente na plataforma como um todo.

O investimento na abertura das lojas foi na contramão da onda de digitalização que vimos no ano passado. Qual é a estratégia por trás disso?

O que fazemos é entender, com a ajuda de pesquisas de mercado, qual é o nosso modelo de negócios ideal. Nunca achamos que devíamos ser apenas uma empresa digital, mesmo que respeitando a era da digitalização do comércio. O que fizemos foi colocar o cliente no meio disso tudo.

Nesse processo, entendemos que para o segmento de “casa”, o consumidor não é e nem seria 100% online. Dito isso, pensamos em criar uma loja física diferente do que já existia no mercado: ela não é 10% ou 20% melhor do que lojas de grandes varejistas, mas um conceito 10 vezes melhor.

Não temos estoque, apenas mostruário. O diferencial é que, além da sensação de estar em casa, temos um preço igual ao do e-commerce - algo que não acontece no mercado hoje, pois o preço do offline é sempre mais alto.

Essa estratégia das lojas físicas teve parcela importante no aporte recente? Qual a relação entre o modelo de negócios em que vocês acreditam e o fato de terem se tornado um unicórnio?

Sempre deixamos muito claro aos investidores em qual linha de atuação iríamos investir. Então, de alguma forma, todos os investidores também acreditam nesse formato, no modelo omnichannel e no fato de que o cliente não é nem 100% online, nem 100% offline. Com resultados tão bons, estão confiantes nesse modelo.

A empresa curitibana foi fundada em 2009 por Marcelo Scandian, Daniel Scandian e Robson Privado.
Sede da empresa fica em Curitiba (PR), próxima a outro unicórnio nascido na cidade: o Ebanx.| Leticia Akemi/Gazeta do Povo

Falando sobre o braço de logística, vocês anunciaram que usarão parte do investimento recebido nas melhorias em entregas e para acelerar processos. Qual é a parcela que será dedicada a isso?

Nunca foi nosso sonho virar um operador logístico. Mas, com problemas grandes em datas como a Black Friday, percebemos que não podemos mais ser deixados na mão. Essas experiências nos mostraram onde uma injeção seria necessária.

Olhamos para o transporte e agora também o case do Mercado Livre, que investe em centros de distribuição para estar mais próximo dos clientes. Aprendemos ao longo de 2019 e 2020. A cada ano iremos investir mais em qualidade e redução no prazo de entrega, mas não podemos mencionar quanto [será investido].

Vocês miram estados específicos para expansão? A MadeiraMadeira tem planos de internacionalização também?

Internacionalização não está nos nossos planos ainda. Sabemos que o Brasil ainda nos dá muita possibilidade de crescer, e preferimos investir aqui para criar essa experiência única no nosso segmento por aqui. No futuro, é uma chance.

Em relação aos estados, olhamos para onde temos uma boa atuação, então nosso eixo ainda é Sul e Sudeste.

Em 2020, vocês tiveram o advento da pandemia e do maior tempo em casa como um argumento para que as vendas crescessem, tendo em vista que as pessoas estavam mais interessadas em melhorar o seu conforto e buscar novos móveis. Com a perspectiva de retomada do mundo presencial, como a MadeiraMadeira vai explorar 2021?

É sabendo dessa retomada que investimos menos no online. Sabemos que a penetração será bem menor do que a que tivemos em junho ou julho, durante a alta do e-commerce. Nossa ideia é continuar crescendo, mesmo que o mercado não cresça tanto. No offline, temos muitas oportunidades, e apostamos que isso terá uma boa parcela no faturamento e crescimento da empresa neste ano que começou.

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