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Chinesa Huawei avançou 42 posições na lista entre 2019 e 2020, e é o expoente da ascensão chinesa na inovação.
Chinesa Huawei avançou 42 posições na lista entre 2019 e 2020, e é o expoente da ascensão chinesa na inovação.| Foto: Bigstock

Após investir quase US$ 19 bilhões em pesquisa e desenvolvimento em 2019, a Huawei foi eleita a companhia que mais avançou em inovação, segundo ranking “Empresas mais Inovadoras 2020”, divulgado pelo BCG (Boston Consulting Group) em junho. A multinacional de tecnologia chinesa subiu 42 posições de 2019 a 2020 e ocupa atualmente o 6º lugar, atrás das gigantes Samsung, Microsoft, Amazon, Alphabet e da primeira colocada, Apple.

Realizado de agosto a outubro de 2019 com 2,5 mil executivos globais de inovação, o relatório do BCG posicionou as empresas de acordo com quatro variáveis: número de votos de todos os líderes de inovação, revisão por pares do setor, disrupção no segmento e criação de valor. “Na inovação — como na vida —, impulso, tamanho e habilidade são uma combinação poderosa”, afirma Michael Ringel, diretor administrativo da consultoria e coautor da pesquisa.

De acordo com a Huawei, o salto no ranking é resultado dos US$ 85 bilhões investidos em pesquisa e desenvolvimento e no 5G desde a última década. Não à toa, a chinesa detém 20% das patentes globais da tecnologia de internet móvel. “No Brasil há 22 anos, atuamos em diversas áreas e somos parceiros de empresas, instituições governamentais e operadoras, do 2G até o 4.5G, na transformação digital nacional”, informa Marcelo Motta, diretor de cibersegurança e soluções da Huawei.

A venda de celulares em 2019 também contribuiu para o avanço da Huawei. Relatórios das empresas Strategy Analytics, Counterpoint Research e Canalys apontaram que a multinacional chinesa ultrapassou a Apple — líder do ranking de inovação do BCG — em vendas de smartphones no ano passado, ocupando a segunda posição, atrás da sul-coreana Samsung.

A Apple ficou em terceiro lugar nas três pesquisas e não chegou à marca de 200 milhões de telefones vendidos, enquanto a Huawei alcançou cerca de 240 milhões de unidades. A líder Samsung, por sua vez, passou a marca de 290 milhões de smartphones comercializados no mundo.

 Alexandre Nascimento, professor da SingularityU Brazil. Foto: Divulgação/SingularityU
Alexandre Nascimento, professor da SingularityU Brazil. Foto: Divulgação/SingularityU

Na avaliação de Alexandre Nascimento, professor da SingularityU Brazil, o governo da China está abrindo o país para inovação e o resultado é o avanço tecnológico de empresas locais. No relatório do BCG, além da Huawei, quatro empresas chinesas estão listadas: Alibaba (7ª colocada), Tencent (14ª),  Xiaomi (24ª ) e JD.com (31ª).

“Não vejo com surpresa que 10% das companhias do ranking sejam chinesas. Elas estão deixando de ser cópias de concorrentes ocidentais para se tornarem líderes de inovação”, compara Nascimento, que também atua como pesquisador na Universidade Stanford, nos EUA.

Para Denis Balaguer, diretor de inovação da EY, a China está sendo reconhecida pelo investimento realizado nos últimos anos em educação e tecnologia. No entanto, é necessário questionar a sustentabilidade das empresas a longo prazo, uma vez que internacionalizar os negócios é um desafio, principalmente da Ásia para o Ocidente.

“Essas companhias também vão viver a prova do tempo e terão de enfrentar um público com identidade totalmente diferente. Para negócios B2B, como a Huawei, é mais fácil, mas para o mercado de consumo é diferente porque ainda há resistência do consumidor ocidental”, explica.

 Denis Balaguer, diretor de inovação da EY. Foto: Divulgação
Denis Balaguer, diretor de inovação da EY. Foto: Divulgação | Duda Bairros

Apple na liderança da inovação

Primeira colocada no ranking do BCG, a Apple subiu duas posições em relação ao ano passado, tirando a liderança da Alphabet, conglomerado de empresas do Google. A Amazon, do bilionário Jeff Bezos, que ocupava o segundo lugar em 2019, ficou em terceiro, seguida por Microsoft e Samsung — que mantiveram a quarta e quinta colocação, respectivamente.

A guinada da Apple, segundo Nascimento, se deve ao reconhecimento global da marca e por seu valor de mercado, porém os três primeiros colocados (Apple, Alphabet e Amazon) travam uma batalha “ombro a ombro” por quem é mais inovador. Ou seja, a diferença de pontuação das empresas no ranking é irrisória e, provavelmente, as empresas devem ocupar posições diferentes em levantamentos de outras consultorias.

“A Apple já inovou mais. Hoje, faz mais inovação incremental, não disruptiva. O Google, ao contrário, está sempre inovando. O Google X Lab [instalação semi-secreta com foco em avanços tecnológicos], por exemplo, criou combustível com água do mar. A tecnologia é cara, mas foi criada. Inovar significa mudar, e é difícil. Por isso, a gente era nômade e virou sedentário”, analisou o pesquisador.

Apesar de não lançar novos conceitos de aparelhos, como fez na época do iPod e do próprio iPhone, a Apple acertou ao apostar em serviços de streaming, avaliou Balaguer. “A empresa saiu de um negócio que era basicamente construir computadores e agora tem uma receita de serviços importante. Inovação é se reinventar continuamente, entregando novas propostas de valor à marca”, conclui o diretor da EY. Procurada pelo GazzConecta, a Apple não quis se posicionar.

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