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Entre os destaques está startup Agenda Edu, que  digitaliza a agenda de estudantes e funciona como uma espécie de hub de gestão educacional.
Entre os destaques está startup Agenda Edu, que digitaliza a agenda de estudantes e funciona como uma espécie de hub de gestão educacional.| Foto: Divulgação

Levantamento realizado pela HolonIQ, plataforma global de inteligência, aponta que as edtechs brasileiras são as mais inovadoras da América Latina. No ranking “Latam Edtech 100”, divulgado neste mês, 33 das 100 startups são do Brasil e atuam em diferentes frentes, como experiências educacionais, habilidades para o trabalho, tutorias e aprendizagem de línguas. Entre as selecionadas estão Tutor Mundi, Agenda Edu, Descomplica, Beetools, eduK, ChatClass e Younder.

O estudo anual realizado pela empresa norte-americana contou com 1 mil startups inscritas. Para chegar às 100 finalistas, a pesquisa considerou a situação das empresas no mercado, produto ou serviço oferecido, equipe, capital e velocidade de crescimento.

“O relatório representa a amplitude e a profundidade do ecossistema da América Latina. As startups estão baseadas nas maiores economias da América Latina e refletem a diversidade de toda a região”, destaca o relatório.

Agenda escolar online

A cearense Agenda Edu, residente do Cubo Itaú, maior hub de empreendedorismo da América Latina, nasceu há seis anos a partir de um problema pessoal de um dos sócios, Carlos Alan. Com a correria do dia a dia, ele não acompanhou a agenda escolar da filha e esqueceu o dia que ela teve de ir fantasiada para o Carnaval.

Com a gafe, Carlos e os três sócios — que se conheceram em um evento de startups em 2014 — decidiram criar a edtech, que digitaliza a agenda de estudantes e funciona como uma espécie de hub de gestão educacional.

“Descobrimos que havia um sério problema de gestão de comunicação em ambientes educacionais. Ela era custosa e lenta porque tomava muito tempo do professor. Eram tantos problemas que a gente se perguntava porque ninguém havia resolvido essa questão antes”, esclarece Anderson Morais, CEO da Agenda Edu.

anderson morais ceo agenda edu
Anderson Morais, CEO da Agenda Edu.| Divulgação

Com o sucesso do negócio, a edtech foi acelerada pela Fundação Lemann e, em 2015, venceu o prêmio do Santander Universidades na categoria Empreendedores. Os primeiros aportes não demoraram a chegar. Em 2017, a startup recebeu R$ 3 milhões da DOMO Invest e, em 2018, uma nova rodada da Omidyar Network, cujo valor não foi revelado.

Carteira virtual

Em janeiro, a empresa lançou oficialmente o Edu Pay, uma carteira virtual em que os pais podem inserir o cartão de crédito no aplicativo para pagar taxas de passeios, mensalidades e até uniformes sem a necessidade de ir até a escola.

“Com a pandemia, nosso produto cresceu cinco vezes. Fomos uma das startups que mais cresceram durante a crise. A Agenda Edu virou o canal de contato do pai com a escola nesse período de distanciamento”, explica.

Com 2 mil escolas cadastradas e 1,5 milhão de usuários, a edtech quer dobrar seus números no ano que vem. Ou seja, chegar a 3 milhões de usuários e ultrapassar a marca de 3 mil instituições de ensino em sua base de clientes. “Nosso público é a escola que entendeu que está no século 21 e que o perfil dos pais mudou”, relata Morais.

“Nerds tocam bateria”

Também residente do Cubo Itaú, a paulista Tutor Mundi foi criada em 2016 pelo curitibano Raphael Coelho, formado em engenharia de controle e automação na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), com o propósito pessoal de apoiar os estudantes após as aulas.

A plataforma promete conectar alunos de toda a América Latina a dois mil tutores de universidades renomadas do país, como USP (Universidade de São Paulo), ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e IME (Instituto Militar de Engenharia).

 Raphael Coelho, CEO da Tutor Mundi.
Raphael Coelho, CEO da Tutor Mundi.

“Quando estava na faculdade, percebi que os alunos que recebiam ajuda de alguém progrediam mais rápido. Decidi, então, replicar isso para as pessoas e mostrar que os nerds não são aqueles caras feios e chatos. Eles viajam ao exterior e tocam bateria. A diferença é que, na hora de estudar, eles sentam e estudam”, compara Coelho.

Para divulgar o negócio a estudantes e candidatos a tutores, o empreendedor viajou a diversas universidades e escolas do país. Hoje, a plataforma conta com 70 mil alunos que vão do ensino fundamental 2 ao primeiro ano da universidade.

Só em 2019 foram realizadas 50 mil tutorias. “Quando o aluno está com dúvida, tira uma foto do exercício e o algoritmo identifica o professor mais adequado para ajudá-lo na questão”, detalha o engenheiro.

Futuramente, o empreendedor garante que um sistema de inteligência artificial vai avaliar o nível de dificuldade da questão e estimar o tempo para ela ser resolvida. Coelho garante que, atualmente, 80% das dúvidas são atendidas em menos de cinco minutos.

De 2018 para 2019, a Tutor Mundi cresceu quatro vezes em faturamento e 10 vezes em usabilidade. Em 2020, o empreendedor prevê uma expansão de até cinco vezes no faturamento da empresa. “A pandemia fez com que as pessoas experimentassem a educação digital e vissem que é até mais gostoso”, conclui.

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