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Navio de cargas
Quase metade do tempo gasto em burocracias na importação de produtos é causado por falhas logísticas.| Foto: Dominik Lückmann/Unsplash

Problema típico associado às importações, o atraso na liberação de produtos na alfândega e na entrega ao destinatário é, em grande parte, responsabilidade das próprias empresas importadoras, de acordo com o Time Release Study, pesquisa conduzida pela Receita Federal Brasileira e lançada em junho deste ano.

O estudo analisou o tempo médio de liberação de mercadorias no Brasil, e concluiu que quase metade do tempo gasto em burocracias na importação de produtos não é causado pelos órgãos alfandegários, mas sim por falhas logísticas das empresas. Entre as principais razões para isso estão o atraso no pagamento de tributos e taxas, ineficiência na gestão de informações e na comunicação entre os diferentes atores envolvidos no processo.

Segundo o levantamento, o prazo médio empregado no processo de importação — desde a chegada do veículo transportador no país até a entrega da carga ao destinatário — varia de 2 a 9 dias, contemplando todas as modalidades de transporte (viário, aéreo e marítimo).

É para auxiliar na resolução desse problema que foram criadas diversas startups de logística — também chamadas de logtechs — que otimizam esse tempo e ajudam a diminuir os gargalos da importação.

D2P e Dootax: soluções que vêm das startups

Segundo a Receita Federal, uma das soluções possíveis para esses problemas é o desenvolvimento de um sistema que facilite a comunicação entre os diferentes agentes envolvidos nos processo de importação. A D2P, startup residente do Cubo Itaú, principal hub de empreendedorismo da América Latina, desenvolveu uma plataforma que integra e antecipa informações relevantes aos importadores em busca da melhoria de processos logísticos como um todo, além da redução de custos.

A empresa trabalha com diferentes métricas para avaliar possíveis falhas na operação de empresas importadoras e utilizam esse diagnóstico para promover melhorias.

“Percebemos que havia uma ineficiência que os importadores não estavam conseguindo identificar e entendemos que, para melhorar a operação, primeiro é preciso entendê-la ponto a ponto”, afirma Jaquelyne Abrahim, cofundadora e CFO da D2P.

Hoje, a D2P já possui mais de 200 empresas registradas em sua plataforma, além de oferecer consultorias a companhias que desejam um diagnóstico pontual. A plataforma é criada em cima de dores reais dos importadores. Nosso papel é ajudar a entender como a operação funciona e melhorar ela”, conclui.

Digitalização do processo tributário

Outra solução mapeada pelo estudo está na digitalização do processo tributário, acelerando a geração, pagamento e reconhecimento de impostos. A proposta da Dootax, também residente do Cubo Itaú, é automatizar a geração e pagamento de todos os impostos que são aplicados a empresas importadoras de diferentes portes.

"Para mercadorias que necessitam de licenciamento da Anvisa, por exemplo, o tempo médio gasto desde a chegada da carga até a entrega ao importador é de 217 horas, e 64% deste tempo (138 horas) é voltado apenas para a geração e pagamento de tributos e taxas envolvidas no processo — o equivalente a cinco dias", explica Yvon Gaillard, diretor comercial e de parceiros da Dootax.

Dos cinco dias, dois são direcionados ao reconhecimento do pagamentos pelos órgãos competentes. Nesse cálculo, a Dootax se compromete a extinguir os três dias restantes no processo.

Equipe da startup Dootax.
Equipe da startup Dootax.| Dootax/Divulgação

A Dootax atua em todo o território nacional e tem foco no B2B, principalmente empresas que têm faturamento acima de R$ 4,8 milhões mensais. No portfólio de clientes, estão grandes varejistas e empresas de tecnologia como Magazine Luiza, O Boticário, Nestlé, Renner, B2W e Apple.

Com as soluções de comércio eletrônico, Gaillard explica que o médio varejo também recebeu destaque e impulsionou a empresa à uma ascensão nos últimos meses. “Vimos que até mesmo as empresas mais inovadoras colocaram o pé no acelerador e nos proporcionaram um grande crescimento na pandemia”, conta.

Para o futuro, o empreendedor acredita em um esforço mútuo de empresas melhorando seu gerenciamento e órgão públicos acelerando burocracias. “Vemos o governo mais preocupado de forma geral. A perspectiva é que haja cada vez mais simplificação na compensação de impostos, por exemplo: tudo para agilizar o processo”.

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